Vereadora afirma que investigações caminham “a passos de tartaruga” e promete reabrir CPI para apurar denúncias milionárias na Educação
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) elevou o tom das críticas contra os próprios colegas da Câmara de Cuiabá ao afirmar que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) em andamento estão avançando em ritmo extremamente lento e sem apresentar resultados concretos para a população.
A declaração foi dada nesta terça-feira (16), após a Procuradoria-Geral Legislativa arquivar os pedidos de novas CPIs protocolados por parlamentares da Casa, incluindo uma proposta da própria vereadora para investigar supostas irregularidades na área da Educação Municipal.
Sem citar nomes, Maysa fez críticas diretas ao desempenho das atuais comissões e afirmou que algumas investigações ultrapassaram 100 dias sem apresentar pareceres ou avanços significativos.
“Isso nenhum vereador pode se ofender. Temos CPI com 122 dias, outra com 135 dias e outras que fizeram uma ou duas oitivas apenas. Elas estão andando a passos de tartaruga”, disparou.
“Falta interesse do plenário”, diz vereadora
Além de questionar a lentidão dos trabalhos, Maysa foi além e sugeriu que não existe interesse político suficiente dentro da Câmara para ampliar o número de investigações.
Segundo ela, o argumento de que a Casa não teria estrutura para conduzir mais CPIs não se sustenta, já que cada comissão possui presidente, relator e equipe própria para conduzir os trabalhos.
“Se houvesse interesse, seria possível avançar. Minha equipe é capaz de conduzir uma CPI com transparência, cronograma público e participação da população. O que falta é um planejamento mais respeitoso com quem espera respostas”, afirmou.
A fala é considerada uma das mais duras feitas por um vereador contra o funcionamento interno da atual legislatura.
Educação pode virar novo campo de batalha política
O principal objetivo de Maysa é instalar uma CPI para investigar contratos da Educação Municipal, tema que já vem sendo alvo de questionamentos por órgãos de controle e vereadores da oposição.
A parlamentar prometeu que, assim que houver espaço regimental, irá desarquivar o pedido e dar andamento às investigações.
Entre os pontos que pretende apurar estão denúncias envolvendo:
- Suposta pedalada financeira superior a R$ 100 milhões;
- Possível desvio de aproximadamente R$ 80 milhões;
- Aquisição de parquinhos com suspeita de superfaturamento;
- Compra de uniformes escolares sob questionamentos;
- Outros contratos já encaminhados ao Ministério Público.
“É muita denúncia. A população merece respostas e nós vamos buscar essas respostas”, afirmou.
Fim da fila pode aumentar disputa por CPIs
Outro ponto levantado por Maysa envolve a disputa interna pela abertura de novas CPIs.
Segundo ela, após o arquivamento dos pedidos existentes, não existe mais uma ordem de prioridade entre as propostas apresentadas pelos vereadores.
Na prática, quem protocolar primeiro o pedido de desarquivamento poderá ganhar vantagem para instalar a próxima comissão quando houver vaga disponível.
A parlamentar afirmou que a situação revelou falhas no Regimento Interno da Câmara e que uma proposta deverá ser apresentada para estabelecer regras mais claras.
“Hoje não existe uma fila. As CPIs ficaram em igualdade de condições. Quem estiver atento poderá desarquivar primeiro”, explicou.
Recado ao Legislativo
Durante a entrevista, Maysa também saiu em defesa da função fiscalizadora do vereador e afirmou que a Câmara não pode transferir toda a responsabilidade para o Tribunal de Contas, Ministério Público ou Poder Judiciário.
Embora tenha reconhecido a importância técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a vereadora destacou que fiscalizar os gastos públicos é uma obrigação constitucional dos parlamentares.
“O Tribunal de Contas ajuda e tem um papel fundamental. Mas fiscalizar é obrigação do vereador. Não podemos passar para a população a ideia de que tudo é problema da Justiça ou dos órgãos de controle. Nós estamos aqui para trabalhar e fiscalizar”, concluiu.
Bastidores
As declarações de Maysa Leão colocam pressão sobre as cinco CPIs atualmente em andamento na Câmara de Cuiabá e expõem um debate cada vez mais presente nos bastidores do Legislativo: a cobrança por resultados concretos das investigações.
Ao afirmar que falta interesse para acelerar os trabalhos, a vereadora abre uma nova frente de desgaste interno e coloca a atuação das próprias comissões sob questionamento público.


