Deputado federal critica decisão da direção nacional do PL, afirma que acordo foi imposto sem diálogo e diz que permanecerá no partido, mas sem esconder a insatisfação.
A decisão da direção nacional do Partido Liberal (PL) de selar uma aliança com o MDB para a disputa ao Senado em Mato Grosso continua provocando reações dentro da legenda. Nesta segunda-feira (3), o deputado federal José Medeiros tornou pública sua insatisfação com o acordo e criticou a forma como a composição da chapa foi definida, afirmando que a base bolsonarista foi ignorada durante o processo.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Medeiros afirmou que os eleitores identificados com o ex-presidente Jair Bolsonaro deveriam ter participado das discussões antes da decisão ser consolidada. Segundo o parlamentar, esse segmento foi determinante para o crescimento do PL e merece ser ouvido nas principais definições políticas do partido.
“O voto que fortaleceu o PL foi o voto bolsonarista. Por isso, essa base precisava ter sido consultada antes de uma decisão dessa magnitude”, afirmou.
O deputado também reforçou que continuará alinhado politicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que seguirá defendendo as pautas que marcaram sua atuação no Congresso Nacional, entre elas a defesa da anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro.
Ao comentar a condução da aliança, Medeiros criticou a falta de diálogo entre a direção nacional e as lideranças estaduais. Para ele, decisões impostas sem debate interno podem gerar desgaste e comprometer a unidade do grupo político em Mato Grosso.
Mesmo demonstrando descontentamento, o parlamentar descartou qualquer possibilidade de deixar o Partido Liberal. Segundo ele, permanecerá na legenda e continuará defendendo o projeto político bolsonarista, mas sem esconder as divergências em relação à estratégia adotada pela direção nacional.
A manifestação amplia o clima de insatisfação dentro do PL mato-grossense após a oficialização da composição da chapa ao Senado envolvendo José Medeiros e a deputada estadual Janaina Riva (MDB). O acordo entre as duas siglas já vinha sendo questionado por integrantes da ala bolsonarista do partido, que defendiam maior participação das lideranças locais na definição das alianças para as eleições.


