O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (14) que não pretende voltar atrás na nomeação da sargento Adriana Rodrigues para o comando da Casa Militar, apesar da forte reação de oficiais da Polícia Militar. Segundo ele, a gestão segue sem prejuízos e as críticas fazem parte do processo de governar.
De forma direta, Pivetta minimizou o impasse e disse que o foco deve permanecer no trabalho. Para o governador, a máquina pública continua funcionando normalmente e não há motivo para alarde. Ele reconheceu que a decisão não agradou a todos, mas destacou que recebeu apoio de parte significativa da tropa, especialmente entre praças, cabos e sargentos.
A escolha de Adriana Rodrigues provocou incômodo entre oficiais de alta patente, que consideram a medida uma quebra da hierarquia militar. Tradicionalmente, a Casa Militar é comandada por oficiais superiores, como coronéis ou tenentes-coronéis, responsáveis por liderar equipes compostas por militares de diferentes patentes.
A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiros Militar de Mato Grosso se manifestou publicamente contra a nomeação e apontou possível ilegalidade no ato. A entidade argumenta que a legislação estadual prevê que funções de assessoramento militar sejam ocupadas por coronéis da ativa, e classificou a decisão como uma afronta ao princípio da legalidade. O posicionamento também levanta preocupação com eventuais impactos na estrutura hierárquica e na segurança jurídica dentro das corporações.
Nos bastidores, oficiais avaliam que, caso a intenção fosse ampliar a representatividade feminina, haveria alternativas dentro da própria hierarquia, como a indicação de uma oficial superior.
Em contrapartida, a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso saiu em defesa da escolha. A entidade destacou que a nomeação é uma atribuição do chefe do Executivo e deve considerar critérios como confiança e competência técnica. Para os representantes dos praças, a decisão valoriza o mérito profissional e não compromete a disciplina militar.
Adriana Rodrigues ingressou na Polícia Militar em 2008 e possui formação acadêmica diversificada, com graduação em Direito, mestrado em Matemática e especializações em Libras e educação inclusiva. Desde 2021, ela atuava como chefe de gabinete da Vice-Governadoria.
Mesmo diante da pressão, Pivetta reforçou que continuará tomando decisões com base no que considera mais adequado para a administração pública, sem se pautar exclusivamente por reações internas das corporações.


