Operação Orfeu mira três investigados por fraude eletrônica com alcance nacional; alvo em Lucas do Rio Verde foi localizado nesta quinta-feira
A Polícia Civil de Mato Grosso participa, nesta quinta-feira (13.8), da Operação Orfeu, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal para desarticular um grupo criminoso suspeito de aplicar golpes eletrônicos utilizando indevidamente o nome do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para arrecadar falsas doações por meio de chaves Pix.
Em Mato Grosso, um dos investigados foi localizado em Lucas do Rio Verde. Outros dois alvos foram encontrados em Imperatriz, no Maranhão. Ao todo, são cumpridas ordens judiciais de prisão e de busca e apreensão contra três investigados nos dois estados.
Segundo as investigações, o esquema tinha alcance nacional e fez vítimas no Distrito Federal e em outras unidades da Federação. Para dar aparência de legitimidade às abordagens, o grupo utilizava o nome e a credibilidade do UNICEF, levando as pessoas a acreditar que os valores transferidos seriam destinados a ações de proteção e assistência a crianças em situação de vulnerabilidade.
Na realidade, conforme apontado pela investigação, os recursos eram direcionados às atividades do grupo criminoso. A estratégia explorava a confiança e a solidariedade da população para obter vantagem financeira de forma ilícita.
Além do prejuízo causado diretamente às vítimas, a fraude também compromete a credibilidade de campanhas beneficentes legítimas. Ao utilizar uma causa humanitária para aplicar golpes, os investigados podem contribuir para que a população passe a desconfiar de iniciativas verdadeiras e deixe de realizar doações destinadas a pessoas que efetivamente necessitam de apoio.
Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso. Somadas, as penas previstas para esses crimes podem chegar a 21 anos de reclusão, além de multa, sem prejuízo de outras infrações que eventualmente sejam identificadas no decorrer das investigações.
O nome da operação faz referência a Orfeu, personagem da mitologia grega conhecido por seu poder de persuasão. A escolha remete à estratégia utilizada pelos investigados, que teriam recorrido à credibilidade de uma instituição humanitária para conquistar a confiança das vítimas e convencê-las a realizar as transferências.


