Investigação aponta atuação de facções criminosas em esquema que envolvia assaltos a depósitos de entorpecentes na região de fronteira e lavagem de dinheiro
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou uma operação para desarticular um esquema criminoso de roubo, redistribuição e comercialização de drogas ligado a facções criminosas que atuavam entre a região de fronteira e a Baixada Cuiabana. Os mandados judiciais foram cumpridos nas cidades de Pontes e Lacerda e Várzea Grande, com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Pontes e Lacerda, o grupo criminoso operava em duas frentes. Um dos núcleos era responsável por monitorar e identificar locais usados como depósitos de drogas pertencentes a uma facção criminosa na faixa de fronteira. Já o segundo grupo saía da região metropolitana de Cuiabá em direção ao interior do Estado para executar os roubos dos entorpecentes e fazer o transporte da carga ilícita.
Entre os principais alvos da operação está um policial militar, apontado como responsável por liderar as ações de subtração das drogas. Conforme apurado, ele viajava da Capital até Pontes e Lacerda para coordenar os roubos e organizar a separação dos entorpecentes que seriam distribuídos posteriormente por integrantes da organização criminosa na região metropolitana.
A Polícia Civil chegou ao esquema após a prisão de um dos envolvidos. Apesar de parte do grupo ter conseguido fugir inicialmente, o avanço das investigações permitiu identificar outros integrantes da quadrilha e mapear a dinâmica do crime, que incluía roubos entre facções rivais, tráfico de drogas e movimentações financeiras suspeitas.
As investigações também revelaram indícios de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico. O grupo utilizava contas de familiares, empresas de fachada e plataformas de apostas para pulverizar os valores obtidos com a atividade criminosa, dificultando o rastreamento dos recursos.
Batizada de “Tu Quoque”, expressão em latim que significa “tu também” ou “até tu”, a operação faz referência ao envolvimento de um agente das forças de segurança no esquema criminoso, fato considerado pelas autoridades como uma grave quebra de confiança institucional.
A ação integra a Operação Pharus, desenvolvida dentro do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio do programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado. A ofensiva também faz parte da sexta fase da Operação Narke, coordenada pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.


