Diante do avanço dos casos de feminicídio em Mato Grosso, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim, fez um apelo direto à imprensa durante um encontro realizado nesta semana, em Cuiabá. Ao reconhecer a gravidade do cenário, o magistrado afirmou sentir “constrangimento” à frente do Judiciário estadual diante da recorrência de crimes contra mulheres.
A reunião, que contou com a participação de magistrados e membros da área jurídica, teve como principal objetivo mobilizar veículos de comunicação para atuarem como parceiros no enfrentamento à violência de gênero. Segundo Zuquim, os índices colocam Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de feminicídio do país, evidenciando falhas estruturais e a necessidade de uma resposta coletiva.
Durante o encontro, o presidente do TJMT destacou que muitos dos crimes são precedidos por históricos de agressões já conhecidos pelas autoridades, o que demonstra limitações das medidas puramente repressivas. Para ele, é preciso avançar também na prevenção e na mudança cultural.
Outro ponto enfatizado foi o papel da imprensa na cobertura desses casos. O Judiciário alertou para os riscos da exposição excessiva e da abordagem sensacionalista, que podem contribuir para a banalização da violência. A proposta é estimular uma comunicação mais responsável, voltada à conscientização e à orientação de vítimas, evitando reforçar padrões nocivos.
Dados recentes indicam que grande parte dos feminicídios ocorre dentro do ambiente doméstico e tem como autores companheiros ou ex-companheiros das vítimas. A reincidência de agressões e a subnotificação também aparecem como fatores recorrentes nos casos.
Além da articulação com a mídia, o encontro reforçou a importância de ampliar a divulgação dos canais de denúncia e das redes de proteção. Em situações de risco, vítimas podem acionar a Polícia Militar pelo 190, a Polícia Civil pelo 197 ou o canal nacional 180, que funciona 24 horas. No estado, Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher e centros de acolhimento oferecem suporte psicológico, jurídico e social.
Ao final, Zuquim ressaltou que o combate ao feminicídio exige ação integrada entre instituições e sociedade. Segundo ele, o Judiciário seguirá atuando com rigor, mas a redução dos índices depende, sobretudo, de informação qualificada, engajamento coletivo e transformação cultural.


