A decisão do PT de Mato Grosso de retirar a pré-candidatura da ex-vereadora Edna Sampaio ao Senado abriu uma nova crise interna dentro da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, e movimentou os bastidores políticos do campo da esquerda em Mato Grosso.
O motivo da turbulência é que a direção nacional do PT decidiu apoiar o ex-senador Pedro Taques para a segunda vaga ao Senado, em uma possível composição política ao lado do senador Carlos Fávaro.
A decisão foi comunicada oficialmente à ex-vereadora Edna Sampaio pela presidente estadual do PT, Rosa Neide.
PT TIRA CANDIDATURA PRÓPRIA E GERA DESCONFORTO
O movimento causou desconforto dentro da própria militância petista.
Isso porque, na prática, o PT deixa de disputar diretamente uma vaga majoritária ao Senado em Mato Grosso para apoiar um nome de fora do partido — e justamente um político que historicamente teve embates com setores da esquerda nacional.
Em comunicado interno, Edna Sampaio demonstrou insatisfação com a decisão e afirmou que o partido acabou sendo retirado da disputa majoritária.
“Essa decisão retira o partido da disputa majoritária e nos obriga a repensar o papel que podemos ter nestas eleições”, afirmou.
A declaração rapidamente repercutiu nos bastidores políticos e fortaleceu a percepção de que a decisão não foi absorvida de forma tranquila dentro da Federação.
PCdoB NÃO ACEITA RECUO E MANTÉM PATRÍCIA NOGUEIRA
Horas após o posicionamento do PT, o PCdoB reagiu e decidiu manter a pré-candidatura da professora Patrícia Nogueira ao Senado.
A decisão deixou evidente que a Federação Brasil da Esperança ainda está longe de uma unidade definitiva em Mato Grosso.
Em nota oficial, o partido afirmou que manterá o nome da professora Patrícia como alternativa política até as convenções partidárias ou até eventual deliberação nacional da Federação.
“Nós, do PCdoB, manteremos o nome da professora Patrícia, construindo-o como uma alternativa”, afirmou o partido.
Apesar da divergência, o PCdoB reforçou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da aliança com Carlos Fávaro e outros nomes do campo progressista.
O FATOR PEDRO TAQUES
A entrada de Pedro Taques no centro das articulações também chamou atenção por um motivo político importante:
a resistência de setores da esquerda nacional ao seu nome.
Nos bastidores da Federação, integrantes ainda enxergam Taques como uma figura ligada à chamada “Lava Jato” e ao movimento político que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Taques foi eleito senador pelo PDT, posteriormente migrou para o PSDB e, durante seu período político mais forte, se posicionou de forma crítica aos governos petistas.
Esse histórico passou a gerar resistência dentro de setores mais ideológicos da Federação Brasil da Esperança.
MOVIMENTO MOSTRA PRAGMATISMO POLÍTICO
Apesar do desconforto interno, a movimentação também mostra um novo momento político dentro da esquerda em Mato Grosso.
A avaliação de lideranças é de que o PT nacional começa a priorizar alianças consideradas mais competitivas eleitoralmente, mesmo que isso signifique abrir mão de candidaturas próprias.
Nos bastidores, a leitura é que o principal objetivo do grupo é fortalecer:
- a reeleição de Lula;
- a sustentação do governo federal;
- e ampliar a bancada aliada no Congresso Nacional.
Dentro dessa estratégia, Pedro Taques passou a ser visto por parte do grupo como um nome capaz de agregar votos fora da bolha tradicional da esquerda.
FEDERAÇÃO AINDA DEVE TER NOVOS CAPÍTULOS
Apesar da decisão do PT, lideranças reconhecem que o cenário ainda está longe de uma definição final.
Isso porque as convenções partidárias ainda não aconteceram e as articulações políticas seguem em andamento.
Nos bastidores, o entendimento é de que a Federação Brasil da Esperança ainda deve enfrentar novas disputas internas até a consolidação definitiva do projeto eleitoral para 2026 em Mato Grosso.
E mais uma vez, a política mostra que alianças improváveis, reaproximações e mudanças de rota podem acontecer rapidamente conforme o jogo eleitoral começa a ganhar força.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News


