Senador do PL aparece com 34%, contra 26% de Pivetta; em meio à Operação Heritage, Fábio Garcia deixa a vice, Gisela Simona assume a chapa e Mauro Carvalho sai da Casa Civil
As eleições de 2026 entraram em uma nova fase em Mato Grosso. Enquanto a mais recente pesquisa Real Time Big Data coloca o senador Wellington Fagundes (PL) na liderança isolada da corrida pelo Palácio Paiaguás, o grupo político do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) atravessa uma sequência de mudanças que alterou, em poucos dias, parte importante da estrutura construída para a campanha.
Segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil nesta quarta-feira (12), Wellington aparece com 34% das intenções de voto, oito pontos percentuais à frente de Pivetta, que registra 26%. Natasha Slhessarenko (PSD) aparece com 13%, seguida por Rafael Milas (Missão), com 3%, e Sargento Laudicério (Agir), com 1%. Maurício Coelho (Mobiliza) não pontuou. Brancos e nulos somam 12%, e 11% não souberam ou não responderam.
O instituto entrevistou 1.600 eleitores entre os dias 7 e 11 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número MT-04560/2026.
Wellington também vence nas simulações de segundo turno
O desempenho de Wellington não se limita ao primeiro turno.
Em eventual confronto direto com Pivetta, o senador do PL registra:
Wellington Fagundes (PL): 45%
Otaviano Pivetta (Republicanos): 32%
Contra Natasha, a vantagem fica ainda maior:
Wellington Fagundes (PL): 52%
Natasha Slhessarenko (PSD): 26%
Já em um segundo turno sem Wellington, Pivetta aparece com 42% contra 30% de Natasha.
Os números colocam Wellington na posição mais favorável neste retrato eleitoral, mas há um componente político importante: a pesquisa terminou justamente no momento em que o grupo governista começava a passar por algumas de suas maiores mudanças desde as convenções.
Operação Heritage muda o ambiente político
A instabilidade começou após a Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades relacionadas a um acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi.
Entre os alvos citados nas reportagens sobre a operação estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) e o então secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho. Mauro Mendes nega irregularidades e afirma que o acordo foi homologado judicialmente e considerado legal e vantajoso pelo Tribunal de Contas.
Além da investigação, medidas cautelares impostas no âmbito do caso passaram a produzir consequências práticas para o grupo político.
Fábio Garcia deixa a vice
A primeira grande mudança eleitoral veio com Fábio Garcia.
O deputado federal havia sido escolhido para ocupar a vice na chapa de Pivetta depois de uma articulação na qual Mauro Mendes defendia seu nome. Reportagens publicadas durante a definição da chapa mostravam que o ex-governador trabalhou para emplacar Garcia como vice.
Mas na terça-feira (11), Fábio confirmou que não seria mais candidato a vice-governador e que voltaria a disputar uma vaga na Câmara Federal.
Segundo o próprio parlamentar, a decisão também esteve relacionada às restrições impostas pela Justiça que impediam contato com Mauro Mendes, dificultando a condução política da campanha conjunta.
A saída obrigou Pivetta a reconstruir sua chapa praticamente às vésperas do início oficial da campanha.
Gisela Simona assume a vaga
Horas depois, Pivetta confirmou Gisela Simona (União Brasil) como nova candidata a vice-governadora.
Gisela é advogada, servidora pública, ex-dirigente do Procon-MT e já exerceu mandato temporário de deputada federal. Ela substitui Fábio Garcia e passa a integrar oficialmente o projeto de reeleição do governador.
A mudança preserva o espaço do União Brasil na chapa majoritária, mas modifica completamente a configuração originalmente construída nas convenções.
Mauro Carvalho também deixa a Casa Civil
No mesmo dia em que Fábio deixou a vice, outra peça importante do grupo saiu.
Mauro Carvalho deixou o comando da Casa Civil, pasta responsável pela articulação política do Governo.
Carvalho afirmou publicamente que decidiu sair para se dedicar à família, às empresas e à defesa das acusações relacionadas ao seu nome. Reportagens locais, contudo, também registraram que havia pressão política pela mudança.
Pivetta anunciou Adjaime Ramos para assumir o comando da Casa Civil.
A mudança ganha ainda mais peso porque Mauro Carvalho havia sido apontado anteriormente como figura importante na articulação da campanha de Pivetta.
União Brasil precisa reorganizar também a chapa federal
O retorno de Fábio Garcia à disputa para deputado federal produz outro efeito.
Na convenção, o União Brasil havia colocado entre seus nomes para a Câmara Federal Gisela Simona, Fábio Garcia e Virginia Mendes, além de outros candidatos. Com Gisela deslocada para a vice e Fábio retornando à proporcional, a estratégia eleitoral da legenda precisa ser reorganizada.
Isso significa que a mudança não afeta somente a candidatura de Pivetta.
Ela interfere também na disputa interna por cadeiras na Câmara dos Deputados e na distribuição das forças do União Brasil dentro do grupo.
ANÁLISE | Wellington pode ser beneficiado pela instabilidade do grupo governista, mas efeito ainda terá de aparecer nas próximas pesquisas
Por Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político
A pesquisa Real Time traz um dado objetivo: Wellington Fagundes começa esta fase da eleição na liderança, com 34%, contra 26% de Otaviano Pivetta. Além disso, vence os dois cenários de segundo turno em que seu nome foi testado.
Mas existe outro ponto que, para mim, é ainda mais importante para acompanhar daqui para frente.
A pesquisa foi realizada entre 7 e 11 de agosto. Isso significa que boa parte dos acontecimentos mais recentes dentro do grupo governista ocorreu durante os últimos momentos da coleta ou depois de muitos entrevistados já terem sido ouvidos.
Portanto, a próxima pesquisa poderá ser ainda mais reveladora.
Em poucos dias, tivemos uma operação da Polícia Federal envolvendo importantes lideranças do grupo, Fábio Garcia deixando a candidatura a vice, Gisela Simona entrando em seu lugar e Mauro Carvalho deixando a Casa Civil.
Individualmente, cada mudança possui uma explicação.
O problema eleitoral surge quando o eleitor olha para o conjunto.
Uma campanha precisa transmitir estabilidade, unidade e direção. Quando sucessivas mudanças começam a acontecer em um intervalo muito curto, abre-se espaço para os adversários explorarem politicamente uma percepção de dificuldade interna.
É nesse ponto que Wellington pode encontrar espaço para crescer.
Não significa que seu crescimento esteja garantido. Pesquisa é fotografia de momento e a campanha ainda terá debates, propaganda eleitoral, redes sociais, alianças municipais e acontecimentos capazes de mudar completamente o cenário.
Mas existe uma lógica eleitoral: quando um candidato lidera e o principal adversário precisa gastar energia reorganizando o próprio grupo, quem está na frente ganha a oportunidade de ampliar sua vantagem.
Coincidência ou sinal de problema interno?
Existe ainda uma pergunta política que merece ser feita.
Fábio Garcia anunciou a própria saída da vice. Mauro Carvalho também anunciou sua saída da Casa Civil.
Formalmente, portanto, estamos diante de decisões apresentadas como voluntárias. Fábio relacionou sua decisão às dificuldades provocadas pelas medidas cautelares, enquanto Carvalho afirmou que precisava cuidar da família, das empresas e de sua defesa.
Ao mesmo tempo, veículos da imprensa estadual noticiaram pressões e divergências nos bastidores em torno dessas mudanças.
Por isso, a pergunta que começa a surgir no ambiente político é: estamos diante apenas de coincidências ou de um processo de reorganização provocado por divergências internas?
A resposta só ficará mais clara conforme a campanha avançar.
Mauro e Pivetta precisam demonstrar unidade
Pivetta representa a continuidade administrativa de um grupo que governou Mato Grosso nos últimos anos.
Esse é um ativo político importante.
Mas também traz uma responsabilidade: tudo aquilo que acontece com as principais figuras desse grupo passa, inevitavelmente, a fazer parte do debate eleitoral.
Mauro Mendes continua sendo uma liderança central da aliança. Pivetta, entretanto, é agora o candidato que precisa comandar seu próprio projeto político.
Se existir percepção pública de disputa entre diferentes núcleos de poder dentro da mesma aliança, isso poderá dificultar a construção de uma narrativa única para a campanha.
Não basta estar no mesmo grupo. Em uma eleição majoritária, é preciso parecer e agir como um grupo.
O desafio do União Brasil
O União Brasil também entra nessa equação.
A legenda tinha Fábio Garcia inicialmente deslocado para a vice e Gisela Simona na proporcional. Em questão de dias, Fábio voltou para a disputa federal e Gisela foi deslocada para a vice.
Isso exige reorganização.
Em eleição proporcional, mudanças próximas do início da campanha alteram estratégias municipais, distribuição de apoios, dobradinhas e planejamento dos próprios candidatos.
O desafio do partido não será apenas eleger seus nomes.
Será fazer com que as diferentes candidaturas trabalhem de maneira coordenada para fortalecer a chapa inteira.
Wellington observa de fora a reorganização do adversário
Enquanto tudo isso acontece, Wellington Fagundes tem uma vantagem estratégica momentânea: não precisa reorganizar sua chapa por causa desses acontecimentos e pode concentrar o discurso diretamente no eleitor.
Hoje ele possui 34%, lidera o primeiro turno e aparece à frente também nas simulações de segundo turno.
Na minha leitura, existe espaço para crescimento caso a instabilidade do grupo governista continue ocupando o debate público.
Mas essa é uma hipótese eleitoral que precisará ser confirmada nas próximas pesquisas.
O maior risco para Pivetta talvez nem seja apenas um adversário crescendo.
É permitir que sua campanha fique ocupada explicando problemas internos enquanto Wellington tenta discutir o futuro do Estado.
Nas eleições, muitas vezes, o chamado “tiro pela culatra” acontece justamente quando uma grande estrutura política passa a gastar mais energia administrando suas próprias divergências do que enfrentando o adversário.
A próxima rodada de pesquisas poderá mostrar se os acontecimentos dos últimos dias foram apenas uma turbulência momentânea ou se começaram, de fato, a produzir efeito no eleitorado.
Por: Alex Rabelo
Jornalista e Estrategista Político


