José Domingos afirma que articulações com prefeitos avançam, critica mudanças no estatuto e defende que entidade seja comandada por gestores em exercício
A eleição para a presidência da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) ganhou novos contornos nesta quarta-feira (26), após o prefeito de Nobres, José Domingos Fraga Filho, admitir que poderá liderar uma chapa de oposição na disputa marcada para 16 de setembro. Embora ainda não confirme oficialmente sua candidatura, o gestor afirmou que vem dialogando com prefeitos de diferentes regiões de Mato Grosso e que aceitará o desafio caso seu nome reúna o apoio da maioria dos gestores envolvidos nas articulações.
Em entrevista a jornalistas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), José Domingos afirmou que o movimento busca discutir os rumos da entidade e defendeu que a AMM seja novamente conduzida por prefeitos que estejam no exercício do mandato. Para ele, mudanças recentes no estatuto e a antecipação do processo eleitoral provocaram insatisfação entre parte dos gestores municipais.
“Estou conversando com alguns prefeitos para que a gente possa devolver a AMM para os verdadeiros prefeitos, ou seja, prefeitos que têm mandato”, afirmou.
O prefeito de Nobres questionou a assembleia que aprovou as alterações nas regras da entidade, alegando que houve baixa participação de prefeitos. Entre os pontos criticados estão a antecipação da eleição e a ampliação do período de permanência na presidência da associação.
Na avaliação de José Domingos, o estatuto deveria deixar claro que o presidente da AMM precisa permanecer no comando da entidade somente enquanto estiver no exercício do mandato de prefeito. Ele defendeu, inclusive, uma nova revisão das regras internas para adequá-las a esse entendimento.
As articulações para a formação de uma chapa de oposição, segundo o prefeito, já estão avançando. Ele afirmou que as conversas têm apresentado resultados positivos e que sua eventual candidatura dependerá do respaldo obtido junto aos prefeitos.
“As conversações estão andando, estão indo muito bem, estão fluindo e, se for a vontade da maioria dos prefeitos que nós estamos conversando, com certeza nós encaramos esse desafio”, declarou.
Além das mudanças estatutárias, José Domingos criticou a data definida para a eleição. Na avaliação dele, o pleito da AMM ocorrerá em um período inadequado, próximo às eleições gerais de 2026, quando os prefeitos estarão envolvidos nas articulações e campanhas para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
O gestor defendeu que o calendário seja revisto para permitir maior participação dos prefeitos e ampliar o período de diálogo entre os grupos que pretendem disputar o comando da entidade. Ele também fez um apelo ao atual presidente da AMM, Hemerson Máximo, o Maninho, para que avalie a possibilidade de adiar a eleição.
“Espero que tenha bom senso o atual gestor, Maninho, que é nosso amigo, no sentido de postergar as eleições para que a gente possa conversar, dialogar não só com o atual gestor, mas também com os prefeitos do Estado de Mato Grosso”, afirmou.
Durante a entrevista, José Domingos também fez críticas ao ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin, que deixou o comando da associação para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O prefeito de Nobres avaliou que Bortolin utilizou a projeção alcançada à frente da entidade para fortalecer seu projeto eleitoral.
Segundo José Domingos, parte dos prefeitos que apoiaram inicialmente a gestão de Bortolin teria se frustrado com os resultados alcançados. Apesar das críticas, ele afirmou torcer pela eleição do ex-presidente e reconheceu sua experiência como prefeito e dirigente da associação.
“Espero que ele se eleja, até porque foi prefeito, foi presidente da AMM e é municipalista, que possa aqui na Casa defender o interesse municipalista”, declarou.
José Domingos também ponderou que ocupar a presidência da AMM não garante, automaticamente, apoio eleitoral dos prefeitos. Segundo ele, muitos gestores municipais já possuem compromissos políticos estabelecidos com deputados estaduais, deputados federais e senadores.
Com a manifestação do prefeito de Nobres, a sucessão na AMM ganha uma disputa mais evidente entre grupos que defendem diferentes propostas para a condução da entidade. De um lado, está a atual direção, comandada por Maninho; de outro, um grupo de prefeitos que questiona as alterações estatutárias, a antecipação do pleito e defende que a associação seja comandada por gestores que estejam efetivamente à frente de suas prefeituras.
Por enquanto, José Domingos mantém cautela sobre uma candidatura formal, mas sinaliza disposição para entrar na disputa. A definição, segundo ele, dependerá da força das articulações e do apoio dos prefeitos à proposta de fortalecer a participação dos gestores com mandato no comando da AMM.


