Rússia, Filipinas e Estados Unidos ampliaram as importações em agosto, enquanto retração chinesa derrubou o volume e a receita das exportações mato-grossenses
Mato Grosso ampliou, em agosto, as exportações de carne bovina para mercados como Rússia, Filipinas e Estados Unidos, em um movimento de diversificação diante da forte retração das compras chinesas. Os dados constam em levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 7 de setembro.
Na comparação com julho, os embarques destinados à Rússia cresceram 80,62%. As Filipinas registraram alta de 57,11%, enquanto os Estados Unidos aumentaram as compras em 55,23%. O avanço desses mercados ocorre em um cenário de mudanças no comércio internacional e de busca por alternativas para absorver a produção brasileira.
A China, que permanece como o principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso, reduziu de forma significativa as compras em agosto. Segundo o Imea, os embarques para o país asiático caíram 75,56% no mês, em razão do limite da cota de importação e da cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassam esse limite.
A retração chinesa teve impacto direto no desempenho geral do estado. Mato Grosso exportou 72,30 mil toneladas equivalentes de carcaça (TEC) de carne bovina em agosto, volume 11,75% inferior ao registrado em julho. A receita também diminuiu, passando de US$ 402,46 milhões para US$ 351,34 milhões.
O cenário, entretanto, muda quando a China é retirada da análise. De acordo com o levantamento, os demais mercados compradores elevaram em 31,11% a aquisição de carne bovina mato-grossense na comparação mensal. O resultado indica uma maior dispersão dos destinos e ajuda a reduzir os efeitos da queda nas vendas para o mercado chinês.
Entre os países que vêm ampliando a participação, os Estados Unidos aparecem como um possível destino para parte da produção que antes seria direcionada à China. O Imea avalia que a ampliação temporária da cota norte-americana para entrada de carne bovina sem tarifa adicional pode favorecer novos embarques brasileiros.
Outro fator que aumenta a necessidade de diversificação é a suspensão das compras de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia, medida que afeta segmentos como as carnes bovina, suína e de frango. Embora o bloco represente menos de 5% dos destinos internacionais da carne brasileira, trata-se de um mercado considerado estratégico pelo elevado número de consumidores e pela possibilidade de maior remuneração em determinados produtos.
Para o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, a variedade de destinos atendidos pelo Brasil pode contribuir para amenizar os efeitos das restrições impostas por alguns mercados. Atualmente, a carne brasileira é comercializada em mais de 130 países, o que permite às empresas buscar alternativas quando há redução ou interrupção das compras em determinados destinos.
Com a mudança no comportamento dos principais compradores, o setor pecuário mato-grossense passa a acompanhar de perto a capacidade de outros mercados de absorver os volumes que deixaram de ser destinados à China, em um cenário marcado por barreiras comerciais e alterações nas regras de importação.