Para o estrategista político Alex Rabelo, da ALX Comunicação, declarações polêmicas e confrontos públicos podem aumentar o desgaste do presidente. Do outro lado, Flávio aposta na mobilização de lideranças como Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas para buscar a vitória no dia 25 de outubro.
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News
A eleição presidencial de 2026 entra em sua última semana com um cenário de polarização, disputa voto a voto e estratégias de comunicação cada vez mais importantes para o resultado das urnas. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica o confronto com seu adversário e enfrenta repercussões negativas de declarações públicas. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta na mobilização de aliados e na força de lideranças políticas para ampliar sua votação.
Na avaliação do estrategista político e marqueteiro Alex Rabelo, CEO da ALX Comunicação, a reta final de uma eleição exige muito mais do que discursos fortes. É o momento em que cada declaração, gesto e decisão estratégica pode influenciar a percepção do eleitor.
Para Rabelo, Lula corre o risco de transformar a própria comunicação em um problema de campanha. As críticas à imprensa, as declarações controversas e a ampliação dos ataques ao adversário podem reforçar a imagem de um presidente pressionado pela disputa.
Essa é uma interpretação estratégica, não uma comprovação de que Lula esteja em desespero ou de que sua derrota seja inevitável. As pesquisas apontam uma eleição competitiva, ainda aberta.
Lula entra em confronto com a Globo e provoca nova polêmica
Um dos episódios mais recentes ocorreu na sexta-feira (16), quando Lula criticou a TV Globo após a divulgação de um encontro entre Flávio Bolsonaro e representantes da emissora.
O presidente afirmou que a Globo estaria com raiva dele, depois que o adversário participou de um almoço institucional ligado à emissora.
O episódio ganhou repercussão justamente na fase em que os candidatos tentam ampliar o diálogo com eleitores que ainda não definiram o voto.
Na análise de Alex Rabelo, confrontar veículos de comunicação pode servir para mobilizar apoiadores, mas também representa risco quando a campanha precisa apresentar propostas e conquistar a confiança de quem está fora de sua base eleitoral.
A estratégia de enfrentamento pode acabar desviando a atenção de temas como economia, saúde, emprego e custo de vida — assuntos com impacto direto na decisão do eleitor.
Além disso, a reação de Lula expõe um contraste: enquanto o presidente critica a aproximação institucional do adversário com a emissora, Flávio procura ampliar seus espaços de exposição pública.
Declarações polêmicas voltam a pesar sobre a imagem do presidente
Outro episódio que ajuda a compreender os riscos da comunicação presidencial ocorreu em abril de 2023, quando Lula utilizou a expressão “desequilíbrio de parafuso” ao falar de pessoas com questões de saúde mental.
A fala foi criticada por entidades da área de saúde mental e por representantes de pessoas com deficiência, que consideraram a declaração inadequada e estigmatizante.
Após a repercussão, Lula reconheceu o erro e pediu desculpas publicamente, afirmando que não se deve associar violência a pessoas com deficiência ou transtornos mentais.
Embora a declaração não seja recente, o episódio ilustra um dos desafios de comunicação do presidente: falas improvisadas podem produzir desgaste, exigir retratações e deslocar o debate político para controvérsias que poderiam ser evitadas.
Na visão estratégica de Rabelo, há uma diferença importante entre falar com espontaneidade e perder o controle da mensagem. Quanto mais acirrada a eleição, maior o custo potencial de uma declaração mal formulada.
Redes sociais mostram Lula mais ofensivo e Flávio concentrado no pedido de voto
Um levantamento do g1, divulgado neste domingo (18), analisou 2.129 publicações dos perfis oficiais de Lula e Flávio Bolsonaro no Instagram, entre janeiro e 14 de outubro.
Os dados mostram uma mudança significativa na comunicação dos dois candidatos.
No período de pré-campanha, Lula praticamente não mencionava seu adversário nas legendas. Já no segundo turno, o nome Bolsonaro passou a aparecer em 26% das publicações do presidente, enquanto Flávio foi mencionado em 20%.
No caso de Flávio Bolsonaro, o movimento foi diferente. A proporção de postagens que citam Lula diminuiu em relação à pré-campanha, enquanto as mensagens com pedidos de voto e referências à vitória permaneceram entre as mais frequentes.
ESTRATÉGIAS NO INSTAGRAM — SEGUNDO TURNO
Lula
26%
das publicações citam “Bolsonaro”
Flávio Bolsonaro
54%
das publicações usam “vote”
O levantamento também mostrou que Lula lidera em volume e engajamento total durante a campanha, enquanto Flávio mantém forte desempenho de visualizações por vídeo.
Fonte: levantamento do g1 com publicações até 14 de outubro de 2026, presente no material de referência.
Para o estrategista, os dados mostram uma diferença relevante de posicionamento: Lula ampliou a estratégia de confronto, enquanto Flávio mantém o pedido de voto como elemento central de suas publicações.
Isso não significa que Flávio tenha abandonado os ataques. Algumas de suas publicações de maior alcance também adotam linguagem agressiva contra o presidente. O contraste está principalmente na frequência das referências ao adversário e no foco das mensagens digitais.
Nikolas Ferreira se consolida como uma das principais forças de mobilização da direita
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se tornou uma peça estratégica para a campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente pela capacidade de mobilizar eleitores jovens e transformar discursos políticos em conteúdos de grande circulação nas redes sociais.
Reeleito com a maior votação para deputado federal em Minas Gerais, Nikolas representa um importante reforço para a campanha no segundo maior colégio eleitoral do país.
Na avaliação de Alex Rabelo, a presença de Nikolas vai além de um simples apoio político. Sua comunicação direta, o domínio dos vídeos curtos e a facilidade de repercussão digital permitem que mensagens de campanha alcancem públicos que nem sempre acompanham a propaganda eleitoral tradicional.
A participação do parlamentar também contribui para manter a militância engajada nas ruas e nas plataformas digitais, especialmente em uma disputa na qual a mobilização pode fazer diferença.
Tarcísio de Freitas amplia força política da campanha de Flávio
Outro nome importante na reta final é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reeleito em primeiro turno.
Sua participação oferece à campanha de Flávio Bolsonaro uma liderança com experiência administrativa, projeção nacional e capacidade de articulação política.
A estratégia do PL prevê utilizar a popularidade de Tarcísio também fora de São Paulo, buscando ampliar o apoio ao presidenciável em estados decisivos.
Para Rabelo, Nikolas e Tarcísio desempenham funções complementares: enquanto o deputado mineiro possui forte capacidade de mobilização digital, o governador paulista pode ajudar a transmitir uma imagem de experiência de gestão e articulação institucional.
Os dois participaram de mobilizações em apoio a Flávio, inclusive em Vitória, no Espírito Santo, neste sábado (17).
Flávio tenta ampliar diálogo enquanto Lula intensifica confronto
Um dos movimentos observados na campanha de Flávio Bolsonaro é a tentativa de ampliar seu alcance para além dos eleitores tradicionalmente identificados com o bolsonarismo.
Durante uma mobilização no Espírito Santo, no sábado (17), o candidato afirmou que pretende governar também para quem votou em Lula.
Esse tipo de mensagem procura reforçar a ideia de união nacional, embora a campanha de Flávio também continue recorrendo a ataques duros contra o adversário em outras ocasiões.
Na leitura do estrategista Alex Rabelo, o desafio de Flávio nesta última semana é transformar a força de sua militância e de suas lideranças em votos adicionais, especialmente entre os eleitores menos identificados com os dois campos políticos.
Para Lula, o desafio é diferente: utilizar a estrutura e as realizações do governo para defender sua permanência no cargo, sem permitir que polêmicas e conflitos comprometam a comunicação com os indecisos.
Pesquisas mostram disputa apertada e resultado ainda indefinido
A uma semana da eleição, os levantamentos apresentam um cenário competitivo.
Pesquisa Ipespe/Abrapel, divulgada em 17 de outubro, apontou Flávio Bolsonaro com 51,2% dos votos válidos e Lula com 48,8%. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, configurando empate técnico.
Já levantamento Vox Brasil, divulgado em 18 de outubro, apresentou Lula com 51% dos votos válidos e Flávio com 49%, também indicando uma disputa muito próxima.
Os resultados demonstram que não há uma vitória assegurada para nenhum dos candidatos. Além da comunicação, fatores como comparecimento às urnas, rejeição, alianças regionais e mobilização territorial poderão influenciar o desfecho.
Análise de Alex Rabelo: eleição pode ser decidida pela capacidade de conquistar confiança
Na avaliação do estrategista político Alex Rabelo, CEO da ALX Comunicação, a campanha presidencial chega ao momento em que o controle emocional, a coerência da mensagem e a capacidade de ampliar alianças ganham importância ainda maior.
Os episódios recentes envolvendo Lula representam riscos à comunicação do presidente, principalmente quando o debate público se concentra em declarações controversas em vez de propostas e resultados de governo.
Por outro lado, a campanha de Flávio procura aproveitar o apoio de lideranças com forte presença política e digital para ampliar sua mobilização eleitoral. A participação de Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas pode contribuir para esse objetivo, mas o impacto efetivo desses apoios dependerá da resposta dos eleitores.
O principal risco de Lula nesta reta final, segundo essa análise, é permitir que a própria comunicação produza desgastes desnecessários. Já o desafio de Flávio é demonstrar que consegue ir além de sua base tradicional, apresentando uma alternativa capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade.
A eleição do próximo domingo, 25 de outubro, será decidida nas urnas. Até lá, cada aparição pública, debate e mobilização poderá alterar o ambiente político de uma disputa que permanece aberta.
Alex Rabelo Jornalista e estrategista em marketing político CEO da ALX Comunicação | MT Urgente News


