Prefeito de Cuiabá reafirmou declarações sobre intenção de voto e disse que fala ocorreu durante comentário sobre pesquisas eleitorais
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a relacionar, nesta quarta-feira (16), eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a grupos criminosos e pessoas envolvidas com práticas consideradas ilegais. A nova manifestação ocorreu após a Justiça Eleitoral determinar a retirada de um vídeo publicado anteriormente pelo prefeito nas redes sociais, no qual fazia associação semelhante.
A decisão foi proferida pelo juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado. O magistrado determinou a remoção do conteúdo e estabeleceu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. Segundo a decisão, a publicação ultrapassou os limites de uma crítica política ou ideológica e adotou uma forma de associação coletiva considerada estigmatizante. O vídeo foi posteriormente retirado das redes sociais.
Ao comentar a determinação, Abilio manteve o teor de sua argumentação e afirmou que sua manifestação havia sido feita durante uma discussão sobre o desempenho do presidente Lula em pesquisas de intenção de voto. Segundo o prefeito, sua avaliação considerava grupos que, na visão dele, estariam envolvidos ou associados a situações de criminalidade, dependência química e outras questões sociais.
Abilio também citou vídeos que, segundo ele, mostram integrantes de facções criminosas no Rio de Janeiro orientando eleitores a votar em Lula e contra o senador Flávio Bolsonaro. A partir desses episódios, o prefeito questionou publicamente qual seria a preferência eleitoral de pessoas ligadas ao crime organizado, dependentes químicos e outros grupos mencionados por ele.
Na decisão, a Justiça Eleitoral considerou que o conteúdo não se restringia ao debate político, apontando que a associação entre determinados grupos sociais e a preferência eleitoral por um candidato poderia produzir uma generalização sobre o eleitorado. O episódio ocorre durante o período eleitoral de 2026, quando a Justiça Eleitoral de Mato Grosso reforça orientações relacionadas ao exercício do voto livre, à imparcialidade e ao respeito à diversidade.
Em sua manifestação mais recente, Abilio afirmou que não pretendia retirar a essência do argumento e reiterou que, em sua avaliação, determinados segmentos que considera ligados à criminalidade ou à marginalidade apresentariam preferência por Lula. A declaração mantém o embate em torno dos limites do discurso político nas redes sociais durante o período eleitoral.