O número de pessoas que se cadastraram no MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, para doar medula óssea aumentou de 387, de janeiro a maio de 2024, para 486, no mesmo período de 2025. Em todo o ano de 2024, foram cadastrados 1.139 voluntários, mais do que os 779 de 2022 e os 940 de 2023. O resultado é decorrente de uma série de ações promovidas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), como o IX Encontro de Conscientização sobre a Doação de Medula Óssea, que reuniu profissionais da saúde, em Cuiabá, em maio, e da solidariedade dos doadores. Contudo, ainda é necessário aumentar o número de cadastros para haver maior probabilidade de compatibilidade. Atualmente, constam 70.271 mato-grossenses cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Por meio deste cadastro, em 2024, foram detectadas 67 compatibilidades em Mato Grosso. “Quanto mais mato-grossenses procurarem o MT Hemocentro para se cadastrar no Redome, maiores as chances de compatibilidade com algum paciente que precisa do transplante para sobreviver em qualquer lugar do mundo”, destacou o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo. O diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, afirma que a equipe se empenha para conscientizar a população sobre a importância de fazer o cadastro e para doar em caso de compatibilidade. “As pessoas podem conhecer um pouco do serviço do MT Hemocentro para desmistificar, porque as pessoas têm um certo tipo de preconceito, medo mesmo, quando nós falamos de doação de medula óssea”, explicou. De acordo com Modolo, a unidade está preparada para orientar e tirar as dúvidas dos cidadãos a respeito do cadastro e da doação. “Você vai até a instituição, realiza o cadastro e coleta um tubo de 5 ml de sangue para exame de tipagem HLA [antígenos leucocitários humanos]. Com isso, você fica dentro do banco de dados do Redome e aguarda que o INCA [Instituto Nacional de Câncer] encontre algum paciente compatível que precise de transplante de medula óssea para ser convocado”, afirmou. O transplante de medula óssea é um tratamento indicado para pacientes com mais de 80 doenças, como leucemia, linfomas e alguns tipos de anemia e doenças hereditárias. A doação de medula óssea não é realizada em Mato Grosso. Normalmente, a doação ocorre na cidade onde o receptor faz o tratamento e, se for estrangeiro, a doação poderá ser feita em São Paulo ou no Rio de Janeiro, para onde o doador viaja sem custos. Segundo a médica hematologista Paloma Valk, o transplante é a substituição da medula óssea doente do paciente por uma medula óssea nova, para que ele fique curado. “Esse transplante pode acontecer de duas formas: autólogo, quando vem da própria pessoa. Então, um paciente doa uma medula antes do procedimento para ele mesmo depois; ou alogênico, quando a medula é proveniente de um doador”, explicou. A assistente fiscal Lorena Rosa de Araújo, de 24 anos, contou que fez seu cadastro no MT Hemocentro em 2020 e foi convocada em novembro de 2021. Ela realizou uma bateria completa de exames para verificar sua saúde e confirmar a compatibilidade com um paciente e, em janeiro de 2022, realizou a doação no Real Hospital Português, em Recife. “Durante o procedimento, fui submetida à anestesia geral e a medula foi coletada diretamente do osso da bacia. Todo o processo foi feito com segurança e fiquei em observação até estar liberada para alta. Me recuperei super bem. Não senti dores, nem tive desconforto”, disse. Segundo Lorena, a experiência de doar medula óssea foi extremamente positiva e gratificante. “Saber que pude ajudar uma pessoa com uma nova chance de vida foi muito emocionante. Todo o processo foi feito com muito cuidado, responsabilidade e respeito. Reforço a importância da conscientização sobre o cadastro no Redome e a doação de medula óssea. É um ato de solidariedade que pode transformar e salvar vidas.” Como se cadastrar para doar medula óssea? Para fazer o cadastro, é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde, não possuir doenças impeditivas, como hematológicas ou neoplásicas, além de doenças infecciosas ou do sistema imunológico, e apresentar documento oficial com foto. Quem se cadastrar permanece no Redome até os 60 anos e, até essa idade, poderá fazer a doação. A sede do MT Hemocentro está localizada na Rua 13 de Junho, 1.055, em Cuiabá. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h.
Etno Expo 2025 destaca culturas indígenas e impulsiona etnoturismo em Mato Grosso
A terceira edição da Etno Expo será realizada nos dias 27 e 28 de junho na Aldeia Wazare, em Campo Novo do Parecis, com a participação de oito comunidades indígenas e especialistas no segmento. A feira cultural e de negócios dedicada à valorização das culturas indígenas e ao fortalecimento do etnoturismo. Mais que uma celebração cultural, a Etno Expo é uma estratégia de desenvolvimento sustentável. O objetivo é promover as aldeias como destinos turísticos, apoiar as tradições dos povos originários e movimentar a economia local por meio do turismo de base comunitária. O evento é organizado pelo Sebrae com as prefeituras municipais de Campo Novo do Parecis e Sapezal. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), é um dos apoiadores do evento e deste segmento do turismo em Mato Grosso. Em 2024, iniciativas como os projetos Menanehaliti e Balatiponé foram destaques no Abeta Summit, maior evento de turismo de natureza e aventura do Brasil, realizado em Foz do Iguaçu. O reconhecimento nacional reforça o papel de Mato Grosso como referência em turismo étnico e sustentável. O etnoturismo é uma modalidade que promove o contato direto com os modos de vida dos povos tradicionais, por meio de atividades como imersão em aldeias, oficinas culturais, observação da fauna, pesca esportiva e vivências com as comunidades. Um mapeamento da Sedec em 2024 apontou que, em Mato Grosso, 19 etnias já desenvolvem atividades turísticas, consolidando o estado como referência nacional nesse tipo de turismo. “Mato Grosso tem um enorme potencial, e é com ações como essa que apoiamos e seguimos trabalhando para integrar turismo, cultura e economia”, enfatiza a secretária adjunta de Turismo, Maria Letícia Costa. Segundo o gerente regional do Sebrae-MT, Wlademir Alves da Silva, a feira é uma vitrine importante para alavancar o setor. “As tradições indígenas têm grande potencial de atração de turistas do Brasil e do mundo. A nossa missão é fazer de Campo Novo do Parecis a maior rota de etnoturismo do mundo”, afirma. A programação da Etno Expo 2025 incluirá apresentações culturais, rituais tradicionais, oficinas de artesanato e culinária indígena, além de palestras sobre empreendedorismo indígena e turismo em terras indígenas. Os visitantes terão a oportunidade de vivenciar experiências autênticas e fortalecer conexões com a rica diversidade cultural dos povos mato-grossenses. A Etno Expo 2025 é gratuita e aberta ao público, sendo uma oportunidade única para vivenciar a ancestralidade, conhecer novos destinos turísticos e contribuir com a geração de renda e valorização das culturas indígenas de Mato Grosso. *Sob supervisão de Débora Siqueira
Governo federal lança licitação de R$ 9,8 milhões para hospedagens da Presidência e gera questionamentos sobre prioridades
Edital prevê contrato de até 10 anos para viagens oficiais, mas escopo genérico e valores altos levantam dúvidas sobre transparência e controle dos gastos públicos O Governo Federal publicou nesta semana um edital para a contratação de uma agência de viagens especializada no fornecimento de serviços de hospedagem para a Presidência da República, com valor estimado em R$ 9,8 milhões. O contrato terá validade inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação por até dez anos, conforme justificativa apresentada pelo Executivo. De acordo com o edital, a contratação tem como objetivo atender as viagens oficiais da Presidência, secretarias e ministérios vinculados, em todo o território nacional. O documento cita a necessidade de garantir acomodação adequada para todos os envolvidos nas atividades programadas, dada a complexidade da logística das agendas presidenciais. Divisão de valores O investimento está dividido da seguinte forma: R$ 8,97 milhões para cobrir tarifas e taxas hoteleiras, incluindo possíveis alterações, remarcações ou cancelamentos; R$ 897 mil destinados aos serviços de agenciamento da empresa contratada, ou seja, à intermediação das reservas. A sessão pública para recebimento das propostas está marcada para o dia 4 de julho, às 9h30, conforme cronograma oficial divulgado no Diário Oficial da União. Contrato pode durar até 10 anos Embora a vigência inicial seja de apenas um ano, o contrato poderá ser prorrogado por mais nove anos consecutivos. A justificativa oficial afirma que, além de garantir maior estabilidade contratual, a extensão pode permitir a negociação de condições mais vantajosas com redes hoteleiras ao longo do tempo. No entanto, o edital não apresenta critérios objetivos de economia futura com essa eventual prorrogação, tampouco detalha metas de desempenho, relatórios periódicos ou indicadores de controle de qualidade para o serviço a ser prestado. Alta de gastos gera críticas A publicação do edital ocorre em meio a um cenário nacional de cobrança por redução de gastos públicos e racionalização administrativa. Por isso, o alto valor previsto e a amplitude do contrato chamaram atenção de parlamentares da oposição, que já começaram a questionar a real necessidade do investimento neste momento. O valor reservado para hospedagens – cerca de R$ 747 mil por mês, se considerado o total dividido por 12 meses – não especifica o número exato de viagens previstas, nem o volume de pessoas que será atendido pelo contrato, o que reforça a crítica à falta de transparência e clareza dos critérios. Além disso, 9% do valor total será destinado apenas ao serviço de agenciamento, percentual considerado elevado por especialistas em contratos administrativos, especialmente diante da ausência de contrapartidas técnicas que justifiquem a remuneração. Oposição promete reagir Líderes da oposição na Câmara dos Deputados já anunciaram que pretendem questionar o edital oficialmente, cobrando maior detalhamento e apresentando requerimentos para que o Ministério da Casa Civil explique a origem dos valores e os parâmetros utilizados para essa previsão de gastos. “O governo quer cortar onde é essencial e manter mordomias para cima. Hospedagem de quase R$ 10 milhões sem planejamento detalhado não é prioridade neste momento”, disse um deputado da oposição ouvido pela reportagem. E agora? Com a abertura das propostas marcada para o próximo dia 4, o governo terá a chance de detalhar, diante da sociedade, como pretende aplicar esse recurso. A expectativa é que o processo seja acompanhado de perto por órgãos de controle e pela imprensa, para garantir que o investimento seja proporcional, necessário e bem executado. Embora legalmente permitido, o contrato chama atenção pelo seu valor elevado, escopo pouco específico e falta de transparência nos critérios técnicos. Em um país que enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento, ações como essa precisam ser debatidas com profundidade e responsabilidade. No fim, a questão que fica é: o Brasil pode mesmo se dar ao luxo de gastar quase R$ 10 milhões com hospedagens oficiais sem garantir mais eficiência e clareza?
“Com o SER Família Habitação, eu tive um bom subsídio e conquistei minha casa”, afirma beneficiada
“Com o SER Família Habitação, eu tive um bom subsídio e conquistei minha casa”, afirma a cabeleireira Suzelaine Mendes, que hoje vive com o marido e os dois filhos pequenos em um lar definitivo. Ela conta que, há alguns anos, tentou financiar uma moradia, mas o valor da entrada foi um obstáculo, superado graças ao programa estadual. Idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, o SER Família Habitação vem se consolidando como o maior programa habitacional da história de Mato Grosso. Até agora, mais de 11.240 famílias foram atendidas com subsídios que chegam a R$ 20 mil, utilizados para facilitar a entrada no financiamento do imóvel. “Quando as famílias recebem a chave da casa, sinto que meu sonho também está sendo realizado. Eu sei como é importante morar no que é seu. Ter um teto é ter dignidade, segurança e a oportunidade de um recomeço cheio de esperança”, declara Virginia Mendes. No caso de Suzelaine, a casa com dois quartos permite que os filhos fiquem em um e o casal no outro. Ela já planejou a disposição dos móveis e sonha em comprar novos itens para tornar o espaço ainda mais aconchegante. O Residencial Hollywood conta com 135 casas, todas com dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e área na frente. As ruas são pavimentadas, possuem calçadas, iluminação pública e infraestrutura urbana completa. O Hollywood é apenas um dos diversos empreendimentos disponibilizados em Várzea Grande, que já ofertou cerca de 1.768 unidades habitacionais com apoio do Governo do Estado. De acordo com dados da MT Participações e Projetos (MT Par), responsável pela operacionalização da modalidade Entrada Facilitada, o perfil das famílias beneficiadas é composto por 55% com renda familiar de até 2 salários mínimos; 36% com renda de até R$ 4,7 mil; e, 9% com renda de até R$ 8,6 mil. Segundo o presidente da MT Par, Wener Santos, o programa atinge um público que antes não era atendido pelos programas habitacionais tradicionais. São pessoas com renda, mas que não conseguem juntar o valor necessário para a entrada. “O Governo de Mato Grosso conseguiu firmar parcerias em todas as esferas, e o resultado é colhido pela população. Hoje, as famílias conseguem acessar uma moradia com o auxílio do subsídio estadual, somado aos programas municipais e federais, e ainda garantir uma parcela acessível”, ressalta Santos. Entrada Facilitada Na modalidade Entrada Facilitada, o programa SER Família oferece até R$ 20 mil de subsídio por família. Quanto menor a renda, maior o valor do subsídio, escalonado da seguinte forma: Faixa 1 – Renda de até R$ 2.850: R$ 20 mil Faixa 2 – Renda entre R$ 2.850,01 e R$ 4,7 mil: R$ 15 mil Faixa 3 – Renda entre R$ 4.700,01 e R$ 8,6 mil: R$ 10 mil Faixa 4 – Renda entre R$ 8.600,01 e R$ 12 mil: R$ 8 mil Mais informações sobre o programa estão disponíveis no site: www.mtpar.mt.gov.br
Sema mobiliza sociedade para construção dos planos de gestão da Bacia do São Lourenço
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e o Comitê de Bacia Hidrográfica do São Lourenço iniciaram a mobilização para garantir a participação da sociedade na elaboração do Plano de Recursos Hídricos e Proposta de Enquadramento da Bacia do Rio São Lourenço, localizada na região sul do Estado. Os dois instrumentos de gestão são ferramentas essenciais para garantir o uso múltiplo, racional e sustentável da água. Para garantir o envolvimento da sociedade, foi criado um site (www.prh-p5.com.br) com informações sobre a importância e área de abrangência da bacia hidrográfica, cronograma de atuação e detalhes sobre os produtos que serão elaborados para a gestão da Bacia do Rio São Lourenço. Foi disponibilizado ainda canal de acesso via whatsapp (66) 99999-6957. Acesse aqui o vídeo explicativo sobre o assunto. O superintendente de Recursos Hídricos da Sema, Luiz Henrique Magalhães Noquelli, destaca que os instrumentos de gestão devem ser concluídos até 2026 e que ao longo do seu desenvolvimento serão realizados diversos eventos para apresentação dos estudos elaborados e para recebimento de contribuições. “Precisamos trazer os usuários, o poder público e a sociedade civil como um todo para a discussão da gestão de recursos hídricos para garantirmos o uso múltiplo, racional e sustentável das águas, prevenindo crises e conflitos hídricos e promovendo a saúde humana, bem como a proteção e recuperação dos ecossistemas aquáticos, em benefício das gerações presentes e futuras”, ressaltou. A presidente do Comitê da Bacia do São Lourenço, Milly Siqueira Almeida, explicou que a base hidrográfica do São Lourenço possui características marcantes e abrange 14 municípios.“O principal contribuinte da bacia é o Rio Vermelho, um rio turvo que possui bastante sedimento. Já o Rio São Lourenço mesmo, de onde ele nasce, na região de Campo Verde, Jaciara e Juscimeira é extremamente claro, de águas cristalinas. E quando os dois se encontram, o São Lourenço com o Rio Vermelho, já é característica de pantanal”. Segundo o consultor socioambiental, Flávio Ribeiro Rocha, a elaboração do plano de recursos hídricos e da proposta de enquadramento da Bacia do Rio São Lourenço foi dividida em cinco etapas: levantamento de informações, diagnóstico, prognóstico, enquadramento e plano de ações. Dos 12 Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs) já instalados em Mato Grosso, três (CBH Sepotuba, CBH Cabaçal e CBH Alto Paraguai Superior) já estão com os planos de bacias hidrográficas aprovados e outros dois, CBH Alto Cuiabá e do CBH São Lourenço, estão em desenvolvimento. Existem ainda os CBHs do Alto Rio das Mortes, Alto Araguaia, Arinos, Jauru e o Baixo, Médio e Alto Teles Pires.
A conta chegou: Abílio Brunini pede R$ 500 milhões ao Estado e escancara fragilidade da gestão municipal
Em visita institucional ao Governo, prefeito de Cuiabá admite que precisa de meio bilhão para pavimentar ruas — revelando um rombo entre discurso e gestão Em um gesto que evidenciou a dependência da Prefeitura de Cuiabá do Governo do Estado, o prefeito Abílio Brunini (PL) foi até o Palácio Paiaguás nesta semana para, oficialmente, apresentar uma demanda de R$ 500 milhões — ou meio bilhão de reais — ao governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos). O recurso seria, segundo Brunini, destinado à pavimentação de 100% das ruas e avenidas da Capital. A visita, que deveria simbolizar integração institucional, acabou revelando um ponto crítico: a gestão municipal não tem autonomia financeira nem planejamento suficiente para resolver problemas básicos de infraestrutura urbana. R$ 500 milhões: valor exorbitante e sem plano O valor solicitado equivale a cerca de 10% da arrecadação total prevista para Cuiabá em 2024. Segundo dados da Lei Orçamentária Anual (LOA), o município deve arrecadar aproximadamente R$ 5 bilhões este ano. A pergunta que fica é: se 10% são suficientes para pavimentar toda a cidade, o que está sendo feito com os outros 90%? A ausência de um plano técnico detalhado para justificar o meio bilhão requisitado também chama atenção. O pedido foi feito de maneira informal, sem protocolo público de projeto executivo, mapeamento de bairros prioritários, cronograma de obras ou estimativa de impacto social e econômico. Isso acende um alerta sobre falta de planejamento técnico e governança. “Quem ajudou a ganhar, precisa ajudar a governar” Durante o encontro, Abílio ainda declarou que espera o retorno do governador Mauro Mendes (União) para que este possa “anunciar de que forma vai ajudar Cuiabá”. A fala pode ser lida como um lembrete político: o grupo do governador apoiou, ainda que nos bastidores, a eleição do atual prefeito, em articulações que garantiram ao PL vitórias em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis — principais colégios eleitorais de Mato Grosso. Aparentemente, a fatura eleitoral está sendo cobrada: quem ajudou a eleger, agora precisa financiar a gestão. Blitze, maquiagem e arrecadação sem retorno social A fragilidade da gestão municipal também se revela em outras frentes. Nesta semana, uma mega operação da chamada “Lei Seca” foi realizada na Avenida Carmindo de Campos, em Cuiabá. O que deveria ser uma ação educativa acabou escancarando a lógica arrecadatória sem efetividade real na segurança pública. A operação mobilizou mais de 50 viaturas e 100 agentes públicos, e resultou em 91 autos de infração — sendo a maioria por documentação irregular, alcoolemia e direção sem CNH. Ao todo, 53 veículos foram removidos. Nenhuma apreensão relevante, nenhum flagrante de crime grave, nenhum resultado expressivo no combate à criminalidade. O evento, promovido pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), envolveu ainda o Detran, PM, Polícia Penal, Deletran, Guarda Municipal e até o Sistema Socioeducativo. Todo esse aparato tem custo elevado aos cofres públicos e levanta suspeitas: a operação teria sido mais voltada à arrecadação e à geração de gratificações do que à segurança da população. E o titular da Sesp? Estava em missão internacional com o governador em viagem à China e Coreia do Sul. A pergunta que fica: será que eles viram alguma blitz como essa por lá? Governar exige mais do que discurso O discurso fácil e as visitas institucionais não escondem mais a realidade de uma gestão fragilizada, que ainda não mostrou a que veio. Falta planejamento, sobra improviso. Falta transparência, sobra cobrança. Cuiabá precisa de soluções concretas — e não de um prefeito que terceiriza responsabilidades. A população cuiabana, que confiou nas urnas, agora espera respostas. Porque não basta ganhar. Tem que saber governar.
Câmara de Cuiabá vive crise institucional com denúncias de censura, racha político e desconfiança pública
A Câmara Municipal de Cuiabá vive um dos momentos mais turbulentos dos últimos anos. Sob o peso de denúncias graves, clima de tensão interna e questionamentos sobre a liberdade parlamentar, o Legislativo da capital está no centro de uma crise que mistura censura institucional, submissão ao Executivo e disputas de bastidores que vêm minando sua credibilidade diante da população. Vereador denuncia censura pública em plenário Durante a última sessão plenária, realizada nesta semana, o vereador Jeferson Siqueira (PSD) fez uma denúncia pública e direta contra a Secretaria de Comunicação (Secom) da Câmara de Cuiabá. Segundo o parlamentar, a pasta estaria bloqueando sistematicamente a divulgação de conteúdos dos vereadores de oposição, favorecendo apenas os aliados da base governista. “A Secretaria de Comunicação virou um instrumento de censura. Estão filtrando nossas matérias, silenciando nossas ações e manipulando o que vai para o site da Câmara. Isso é inadmissível, é um ataque direto à democracia”, disparou o vereador. Ainda em sua fala, Vereador Jeferson Siqueira afirmou que o atual secretário de Comunicação estaria subordinado politicamente ao Palácio Alencastro (Prefeitura de Cuiabá), e que a estrutura de comunicação da Casa, mantida com recursos públicos, não pode servir a interesses de grupo político algum. “A Secom deve dar voz a todos, não apenas a quem agrada o Executivo. Isso é um desrespeito com a função pública e com o povo que representamos”, concluiu. A denúncia, feita em plenário e registrada em vídeo, causou desconforto imediato entre os vereadores e já é considerada um marco na escalada de tensão institucional vivida na Casa. “Milícia digital” e clima de repressão política Nos bastidores, a denúncia de Jeferson Siqueira ganhou eco. Outros parlamentares, embora em off, confirmaram que ações comunicacionais têm sido filtradas ou editadas, reforçando a percepção de censura velada. Expressões como “milícia digital” e “puxadinho da Prefeitura” têm sido usadas para descrever o atual ambiente legislativo, onde a oposição afirma estar sufocada, impedida de se manifestar e alijada da visibilidade institucional. A denúncia pode, inclusive, desencadear uma investigação formal ou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação da Secom. Entre a maquiagem institucional e a realidade das ruas Enquanto a comunicação da Câmara tenta pintar um cenário de unidade, eficiência e avanços, a realidade da cidade é outra: serviços paralisados, falhas de gestão e demandas urgentes não atendidas. A imagem transmitida nas redes e nos canais oficiais não corresponde ao cotidiano vivido pelos cidadãos, o que acentua o descompasso entre a comunicação e os fatos. A Câmara, ao invés de representar a pluralidade de vozes da cidade, vem sendo criticada por funcionar como extensão do Executivo municipal, desvirtuando seu papel de fiscalizador e legislador independente. O risco de colapso institucional A independência entre os Poderes é cláusula basilar da democracia. No entanto, em Cuiabá, os sinais de submissão da Câmara à Prefeitura são cada vez mais visíveis. Projetos aprovados sem debate, obstrução de falas da oposição, uso seletivo da comunicação institucional e, agora, denúncias formais de censura, colocam em xeque a credibilidade da Casa. O que se vê é um Legislativo cada vez mais enfraquecido, desacreditado e afastado da população.
Morre aos 91 anos o ator Francisco Cuoco, ícone da teledramaturgia brasileira
O Brasil se despede de um dos maiores nomes da história da televisão. Francisco Cuoco, ator consagrado e eterno galã das novelas, faleceu nesta quinta-feira (19), aos 91 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, onde tratava complicações de saúde relacionadas à idade avançada. Embora a causa da morte não tenha sido oficialmente confirmada pela família, Cuoco lutava contra uma infecção decorrente de um ferimento. Uma trajetória marcada por grandes personagens Com mais de 60 anos de carreira, Francisco Cuoco fez história na televisão brasileira. Ele estreou na década de 1960 e rapidamente se consolidou como um dos galãs mais emblemáticos das telenovelas da TV Globo, ajudando a consolidar a teledramaturgia nacional como símbolo da cultura brasileira. Entre seus papéis mais memoráveis estão: “Pecado Capital” (1975) – como Carlão, um taxista que encontra uma mala de dinheiro “O Astro” (1977) – como Herculano Quintanilha, o misterioso vidente “Selva de Pedra” (1972) – como Cristiano Vilhena “O Sétimo Sentido” (1982) – ao lado de Regina Duarte Ao longo das décadas, Cuoco também participou de minisséries, filmes e peças de teatro, demonstrando sua versatilidade artística e presença cênica marcante. Um ator que atravessou gerações Francisco Cuoco não foi apenas um rosto da televisão: foi parte da formação da identidade cultural de milhões de brasileiros. Em sua fase mais recente, ele passou a fazer participações especiais e papéis pontuais, mas seguia sendo reverenciado por sua elegância, carisma e respeito à profissão. Sua última aparição de destaque foi na novela “Sol Nascente” (2016), na TV Globo. Desde então, manteve uma vida mais reservada, longe dos holofotes. Um legado eterno Francisco Cuoco deixa mais do que personagens inesquecíveis: deixa um legado de profissionalismo, talento e paixão pela arte de interpretar. Sua presença marcou diferentes gerações, e sua memória seguirá viva em cada reprise, em cada cena, em cada história contada na televisão brasileira.
Brasil participa do projeto do maior avião cargueiro do mundo para turbinas eólicas gigantes
Batizada de WindRunner, a nova aeronave promete entrar para a história da aviação mundial como o maior cargueiro já construído, tanto em comprimento quanto em envergadura. Com 108 metros de comprimento e 80 metros de envergadura, o avião será capaz de transportar até 80 toneladas — superando até mesmo modelos lendários como o Boeing 747. O projeto é liderado pela empresa americana Radia, mas o Brasil terá papel essencial na engenharia da aeronave. A missão de desenvolver a cabine pressurizada foi confiada à brasileira Akaer, referência nacional em tecnologia aeroespacial. Participação brasileira no projeto A cabine pressurizada será um dos principais sistemas de segurança do WindRunner. Caberá à Akaer projetar a estrutura capaz de proteger a tripulação e manter a integridade dos sistemas críticos da aeronave, mesmo sob condições extremas de altitude, temperatura e pressão. “Trata-se de um projeto extremamente desafiador e de alto nível de complexidade. É motivo de orgulho para o Brasil e para a Akaer participar de uma iniciativa que pode transformar a aviação e a logística global”, destacou o CEO da empresa, Cesar Silva. Um cargueiro pensado para o futuro da energia limpa O WindRunner foi desenvolvido com um objetivo claro: revolucionar a logística de transporte de componentes eólicos de grandes proporções. A aeronave será a primeira do mundo com capacidade para levar pás de turbinas eólicas com mais de 100 metros de comprimento — estruturas essenciais na geração de energia renovável. Hoje, o transporte terrestre dessas estruturas é um grande obstáculo para a expansão de parques eólicos em áreas remotas ou de difícil acesso, especialmente fora dos litorais e grandes centros logísticos. O WindRunner promete romper essas barreiras. Logística de ponta sem precisar de aeroporto Um dos diferenciais mais inovadores do WindRunner será sua capacidade de pousar em pistas não pavimentadas com apenas 1.800 metros de extensão, o que dispensa infraestrutura aeroportuária sofisticada. Essa autonomia operacional permitirá acesso direto a regiões isoladas, levando componentes gigantes diretamente ao local de instalação. Um marco para a engenharia e o meio ambiente Com lançamento previsto para os próximos anos, o WindRunner não é apenas uma façanha da engenharia aeroespacial, mas também uma solução estratégica para ampliar a produção de energia limpa no planeta. A aeronave deve permitir a instalação de turbinas maiores e mais eficientes em lugares onde hoje a logística é inviável, abrindo caminho para uma nova era na expansão da energia eólica terrestre.
Mato Grosso dá início à colheita da segunda safra nacional de milho
A colheita da segunda safra nacional de milho foi oficialmente aberta em Sorriso, nesta quarta-feira (18.6). O evento, que foi realizado na Fazenda Dois Irmãos, do Grupo ABF, e organizado pela Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e Canal Rural, contou com a participação do vice-governador Otaviano Pivetta e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Durante a solenidade, o vice-governador Otaviano Pivetta destacou a evolução do setor e o protagonismo mato-grossense na produção de alimentos. “Na virada do milênio, nosso Brasil já sinalizava ao mundo que seria um grande produtor de alimentos. Na época, o país inteiro produzia 100 milhões de toneladas. Este ano, 25 anos depois, acredito que Mato Grosso sozinho alcançará essa marca”, afirmou. A superintendente de Agronegócio e Energia da Sedec, Camila Bez Batti, também ressaltou o papel estratégico do estado no fortalecimento da cadeia do milho. “A Sedec atua de forma estratégica para fortalecer toda a cadeia produtiva do milho em Mato Grosso. Hoje, cerca de 30% da nossa produção já é destinada à agroindustrialização, e temos uma meta ambiciosa: dobrar esse volume até 2035. Para isso, seguimos trabalhando fortemente na concessão de incentivos fiscais, na atração de investimentos e na expansão dos mercados internacionais”, destacou. Mato Grosso, líder nacional na produção de milho, se prepara para colher uma safra estimada em 50,38 milhões de toneladas na temporada 2024/2025. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e indicam um crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior, que somou 48,7 milhões de toneladas. Além do volume expressivo, o desempenho da atual safra também é reflexo do aumento de área plantada e da boa produtividade. A área cultivada com milho nesta safra subiu para 7,13 milhões de hectares – um acréscimo de 4,85% em comparação com a safra passada. Já a produtividade média foi projetada em 117,74 sacas por hectare, crescimento de 1,86%. Segundo o Imea, o avanço se deve ao bom desenvolvimento das lavouras até o fim de maio, com destaque para as chuvas que favoreceram até mesmo as áreas semeadas fora da janela ideal. Presente no evento, o presidente da Aprosoja, Lucas Beber, ressaltou o papel sustentável da agricultura mato-grossense. “Nosso sistema de produção de soja e milho gera um saldo positivo de 1,9 tonelada de carbono retirada da atmosfera. Ou seja, além de ofertar alimento, nós também ajudamos a despoluir o meio ambiente”. Pivetta também reforçou o compromisso ambiental do estado. “Cada hectare que hoje ocupamos, fazemos um desfrute da terra melhor que qualquer outro país no mundo. Fazemos uma agricultura com alta produção, sem irrigação e gerando crédito de carbono”, completou. Camila acrescentou que a busca por inovação tecnológica e boas práticas ambientais é um dos pilares que sustentam a liderança de Mato Grosso. “O estado já é referência nacional e caminha para se consolidar como modelo internacional de produção sustentável, tecnológica e inovadora. Estamos avançando na diversificação da produção, sempre aliando desenvolvimento econômico à preservação ambiental. Trabalhamos de forma conjunta com o setor produtivo, a academia e diferentes instituições, por meio de câmaras técnicas, capacitação de produtores e agentes financeiros, além de investimentos em pesquisa e inovação”, afirmou. O município de Sorriso, sede da abertura da colheita, é o maior produtor de milho do Brasil, conforme a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do IBGE. Mato Grosso também abriga outros seis municípios entre os dez maiores produtores do país: Nova Ubiratã, Nova Mutum, Querência, Diamantino, Primavera do Leste e São Félix do Araguaia. Também estiveram no evento o Prefeito de Sorriso Alei Fernandes, o deputado estadual Xuxu Dal Molin, a deputada federal Coronel Fernanda, o senador Marcos Rogério, o presidente do Sindicato Rural de Sorriso Diogo Damiani e o presidente da Abramilho Paulo Bertolini.