Categoria quer mudar enquadramento no Simples Nacional e reduzir uma carga que, em determinadas situações, começa em 15,5%; em Mato Grosso, setor reúne 18,8 mil profissionais e empresas ativas Os representantes comerciais voltaram a pressionar o Congresso Nacional por uma mudança que pode ter impacto direto no bolso de milhares de profissionais e empresas em todo o país: a redução da carga tributária dentro do Simples Nacional. A principal reivindicação é permitir que a atividade de representação comercial seja enquadrada de forma mais favorável no regime simplificado, aproximando-a do Anexo III, cuja primeira faixa nominal começa em 6%, em vez da tributação mais pesada associada ao Anexo V, que inicia em 15,5%. A discussão não é nova, mas ganhou novo peso com a Reforma Tributária e com a necessidade de adaptação de pequenos e médios negócios às novas regras. Em Mato Grosso, o tema interessa diretamente a uma categoria numerosa. Dados do Core-MT mostram que o Estado chegou, em agosto de 2026, a 18.870 profissionais e empresas ativas ligados à representação comercial. Só no segundo trimestre deste ano, foram registrados 372 novos cadastros. Projeto foi aprovado no Senado Uma das principais iniciativas legislativas sobre o tema é o antigo PLS 5/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O projeto altera a Lei Complementar nº 123, que trata do Simples Nacional, para mudar o enquadramento tributário das atividades de representação comercial e de intermediação de negócios. A proposta foi aprovada pelo Senado em julho de 2022, por 70 votos favoráveis e apenas um contrário. Depois disso, seguiu para a Câmara dos Deputados, onde passou a tramitar como PLP 99/2022 e foi apensado ao PLP 30/2021. Wellington Fagundes teve papel central na relatoria O senador mato-grossense Wellington Fagundes (PL) teve participação direta em duas etapas importantes da tramitação. Em 2015, ele foi designado relator ad hoc na Comissão de Assuntos Econômicos, que aprovou parecer favorável ao projeto. Em 2022, Wellington voltou a atuar na matéria, desta vez como relator no Plenário do Senado. Na ocasião, apresentou parecer favorável a três emendas e contrário a uma. O texto acabou aprovado e enviado à Câmara. A participação de Wellington, portanto, não foi apenas política ou discursiva. Ela está registrada formalmente na tramitação do Senado. O que a categoria quer mudar A reivindicação dos representantes comerciais passa principalmente pela forma como o Simples Nacional trata a atividade. Hoje, dependendo da estrutura de folha e faturamento, a empresa pode ficar sujeita ao Anexo V. Uma das dificuldades apontadas pela categoria é a chamada regra do Fator R, que leva em conta a proporção entre folha de pagamento e receita bruta. Na prática, isso pode penalizar o representante que trabalha sozinho ou com estrutura muito pequena. Esse profissional muitas vezes possui gastos elevados com: combustível; veículo; manutenção; hospedagem; alimentação; viagens; telefone; tecnologia; e deslocamento constante entre cidades. Mesmo assim, essas despesas não necessariamente ajudam a atingir o percentual exigido pelo Fator R. É justamente por isso que a categoria defende um enquadramento mais direto e previsível. A diferença pode ser expressiva A discussão chama atenção porque a diferença entre as tabelas é relevante. No Anexo V, a alíquota nominal inicial é de 15,5%. No Anexo III, ela começa em 6%. Isso não significa que todos os representantes passariam automaticamente a pagar 6% em qualquer situação, pois a tributação varia conforme faturamento e demais regras do Simples. Mas significa uma mudança importante na forma como a atividade seria tratada. Para quem trabalha com margens apertadas, comissão, viagens constantes e altos custos operacionais, essa diferença pode representar maior capacidade de investimento e manutenção do negócio. Categoria ajuda a movimentar a economia A representação comercial funciona como uma ponte entre indústria e mercado. É o representante quem visita empresas, apresenta produtos, abre clientes, fecha pedidos e leva marcas para diferentes regiões. Em Mato Grosso, essa atuação se espalha por áreas como: confecções; calçados; alimentos; bebidas; autopeças; máquinas; implementos; materiais de construção; papelaria; medicamentos; agronegócio; e diversos outros segmentos. Por isso, quando a categoria vende, vários setores da economia são movimentados ao mesmo tempo. A indústria produz. A transportadora entrega. O comércio recebe. O consumidor compra. E o Estado arrecada. Câmara ainda precisa decidir Apesar da aprovação no Senado, a mudança ainda não virou lei. Na Câmara, o PLP 99/2022 continua apensado ao PLP 30/2021 e está sujeito à apreciação do Plenário em regime de urgência. Ou seja: a categoria já conseguiu uma vitória importante no Senado, mas ainda depende de decisão dos deputados federais para transformar a proposta em legislação. Uma pauta que volta a ganhar força Com as mudanças tributárias em andamento no país, sindicatos, conselhos e entidades ligadas aos representantes comerciais voltaram a defender que a categoria não seja penalizada no novo cenário fiscal. Em Mato Grosso, Sirecom-MT, Core-MT e entidades nacionais acompanham essa discussão e mantêm a pauta ativa em Brasília. Para os profissionais, a questão é simples: menos peso tributário pode significar mais fôlego para trabalhar, investir e continuar gerando negócios. ANÁLISE | Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político A representação comercial é uma categoria que muitas vezes aparece pouco no debate público, embora esteja presente todos os dias na movimentação da economia. Quem já trabalhou no comércio sabe disso. Existe sempre alguém por trás daquele produto que chegou até a loja. Alguém apresentou. Alguém negociou. Alguém abriu o cliente. Alguém percorreu quilômetros para transformar catálogo em venda. Por isso, a discussão sobre tributação não pode ser vista apenas como uma reivindicação corporativa. Ela tem reflexos sobre comércio, indústria, circulação de mercadorias e geração de negócios. Nesse contexto, a atuação de Wellington Fagundes como relator merece ser registrada de forma objetiva: ele não foi o autor da proposta, mas teve papel relevante na tramitação e no momento em que o Senado aprovou o texto por ampla maioria. O desafio agora é transformar essa conquista legislativa parcial em resultado definitivo. Porque, enquanto o projeto não virar lei, a categoria continua enfrentando a mesma incerteza tributária. E para Mato Grosso, que possui quase
Espetáculo em Cuiabá transforma memórias da infância em reflexão sobre saúde emocional
“Memória, Alice, Realidade, Rosa” será apresentado nos dias 17 e 18 de setembro, com entrada gratuita, e propõe ao público uma viagem entre lembranças, afetos e conflitos Matéria O palco do Cine Teatro Cuiabá recebe, nos dias 17 e 18 de setembro, às 20h, o espetáculo “Memória, Alice, Realidade, Rosa”, montagem que utiliza o teatro para abordar lembranças da infância, relações afetivas e os impactos que experiências do passado podem provocar na vida adulta. Com entrada gratuita, a peça tem texto e dramaturgia baseados na obra de Flávia Pires e direção de Nariel Iatskiu. A história acompanha Alice, uma mulher adulta que retorna às próprias lembranças na tentativa de compreender acontecimentos que marcaram sua trajetória. Nesse percurso, ela se depara com Memória e Realidade, personagens que representam diferentes dimensões de sua experiência interior, enquanto Rosa surge como uma figura simbólica ligada à imagem materna construída pela protagonista. A narrativa conduz o público por situações que misturam passado e presente e podem despertar diferentes formas de identificação. Relações familiares, ausências, afetos e conflitos aparecem como elementos capazes de provocar reflexões sobre a maneira como cada pessoa constrói vínculos, enfrenta dificuldades e interpreta a própria história. A montagem também integra as ações relacionadas ao Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre a valorização da vida e aos cuidados com a saúde emocional. Em vez de apresentar respostas definitivas, o espetáculo busca abrir espaço para que o público reflita sobre sentimentos que, muitas vezes, permanecem guardados ou são enfrentados em silêncio. “O que ainda carregamos da criança que fomos e de que maneira essas experiências influenciam a pessoa que nos tornamos?”, questiona a diretora Nariel Iatskiu. No desenvolvimento da trama, Alice passa a perceber que algumas lembranças podem ter sido modificadas, idealizadas ou silenciadas ao longo do tempo. O confronto entre aquilo que ela acredita ter vivido e novas possibilidades de interpretação do passado faz com que a personagem reveja certezas e procure compreender como essas experiências continuam repercutindo em sua vida. Para Nariel, revisitar a própria história não significa permanecer preso ao passado. “Alice nos lembra que não precisamos apagar o passado, mas podemos encontrar novas formas de compreendê-lo, sem permitir que ele determine todo o nosso futuro”, afirma. A concepção visual reforça essa dimensão subjetiva. Elementos do teatro fantástico dividem o palco entre os universos de Memória e Realidade, enquanto um gazebo representa simbolicamente Rosa. Iluminação, música, figurinos e objetos cênicos ajudam a construir uma atmosfera que alterna entre sonho, lembrança e realidade. Com 50 minutos de duração e classificação indicativa livre, a peça é uma realização do Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT) e da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). No elenco estão Danielle Souziel, como Alice; Jasmyne Vitória, como Memória; e Eli Poema, como Realidade. A direção e encenação são de Nariel Iatskiu, com direção de arte de Déa Okamura, iluminação de Priscila Freitas e trilha sonora e sonoplastia de RabeCaju. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Sympla. A apresentação ocorre no Cine Teatro Cuiabá, nos dias 17 e 18 de setembro, às 20h. ServiçoEspetáculo: “Memória, Alice, Realidade, Rosa”Data: 17 e 18 de setembro de 2026Horário: 20hLocal: Cine Teatro CuiabáDuração: 50 minutosClassificação: LivreEntrada: GratuitaIngressos: Sympla – www.sympla.com.br/evento/memoria-alice-realidade-rosa/3507586
Carne de MT busca novos mercados após queda nas compras da China
Rússia, Filipinas e Estados Unidos ampliaram as importações em agosto, enquanto retração chinesa derrubou o volume e a receita das exportações mato-grossenses Mato Grosso ampliou, em agosto, as exportações de carne bovina para mercados como Rússia, Filipinas e Estados Unidos, em um movimento de diversificação diante da forte retração das compras chinesas. Os dados constam em levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 7 de setembro. Na comparação com julho, os embarques destinados à Rússia cresceram 80,62%. As Filipinas registraram alta de 57,11%, enquanto os Estados Unidos aumentaram as compras em 55,23%. O avanço desses mercados ocorre em um cenário de mudanças no comércio internacional e de busca por alternativas para absorver a produção brasileira. A China, que permanece como o principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso, reduziu de forma significativa as compras em agosto. Segundo o Imea, os embarques para o país asiático caíram 75,56% no mês, em razão do limite da cota de importação e da cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassam esse limite. A retração chinesa teve impacto direto no desempenho geral do estado. Mato Grosso exportou 72,30 mil toneladas equivalentes de carcaça (TEC) de carne bovina em agosto, volume 11,75% inferior ao registrado em julho. A receita também diminuiu, passando de US$ 402,46 milhões para US$ 351,34 milhões. O cenário, entretanto, muda quando a China é retirada da análise. De acordo com o levantamento, os demais mercados compradores elevaram em 31,11% a aquisição de carne bovina mato-grossense na comparação mensal. O resultado indica uma maior dispersão dos destinos e ajuda a reduzir os efeitos da queda nas vendas para o mercado chinês. Entre os países que vêm ampliando a participação, os Estados Unidos aparecem como um possível destino para parte da produção que antes seria direcionada à China. O Imea avalia que a ampliação temporária da cota norte-americana para entrada de carne bovina sem tarifa adicional pode favorecer novos embarques brasileiros. Outro fator que aumenta a necessidade de diversificação é a suspensão das compras de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia, medida que afeta segmentos como as carnes bovina, suína e de frango. Embora o bloco represente menos de 5% dos destinos internacionais da carne brasileira, trata-se de um mercado considerado estratégico pelo elevado número de consumidores e pela possibilidade de maior remuneração em determinados produtos. Para o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, a variedade de destinos atendidos pelo Brasil pode contribuir para amenizar os efeitos das restrições impostas por alguns mercados. Atualmente, a carne brasileira é comercializada em mais de 130 países, o que permite às empresas buscar alternativas quando há redução ou interrupção das compras em determinados destinos. Com a mudança no comportamento dos principais compradores, o setor pecuário mato-grossense passa a acompanhar de perto a capacidade de outros mercados de absorver os volumes que deixaram de ser destinados à China, em um cenário marcado por barreiras comerciais e alterações nas regras de importação.
Refis 2026 oferece até 80% de desconto e facilita regularização de dívidas em VG
Programa permite quitar dívidas tributárias com abatimento sobre juros e multas e oferece alternativas de parcelamento; atendimento ocorre de forma presencial e virtual A Prefeitura de Várzea Grande mantém aberto o Programa de Regularização Fiscal (Refis 2026), iniciativa que possibilita a pessoas físicas e jurídicas colocar em dia débitos tributários com o Município, com descontos que chegam a 80% sobre juros e multas para pagamentos realizados à vista. A medida abrange obrigações cujo fato gerador tenha ocorrido até 31 de dezembro de 2025. Entre os principais tributos contemplados estão o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Alvará de Funcionamento e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Além da quitação em parcela única, o programa estabelece condições diferenciadas para quem precisa parcelar os débitos. O contribuinte pode obter redução de 60% sobre juros e multas ao dividir o débito em até 12 parcelas. Para pagamentos em até 24 vezes, o desconto é de 40%. Já o parcelamento em até 36 parcelas garante abatimento de 20% e é destinado exclusivamente a débitos cujo valor total seja superior a 16.500 UPF/VG (Unidades Padrão Fiscal do Município de Várzea Grande). Os interessados podem realizar o atendimento presencial no Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC), instalado no Paço Municipal, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com exceção de feriados e pontos facultativos. Também há atendimento na unidade avançada da Subprefeitura do Cristo Rei e na Procuradoria-Geral do Município. Outra alternativa é utilizar o atendimento remoto pelo WhatsApp, no número (65) 98404-6296, facilitando o acesso aos serviços para contribuintes que não podem comparecer presencialmente. Segundo a secretária municipal de Gestão Fazendária, Lucineia Ribeiro, o programa permite que os contribuintes aproveitem as condições estabelecidas pela legislação para regularizar suas pendências e, ao mesmo tempo, contribui para o fortalecimento das receitas municipais. “O Refis 2026 oferece condições para que os contribuintes regularizem seus débitos e aproveitem os benefícios previstos em lei. A regularização também fortalece a arrecadação do Município, que é fundamental para garantir a continuidade e a ampliação dos serviços públicos”, destacou.
Após decisão eleitoral, Abilio volta a relacionar eleitores de Lula à criminalidade
Prefeito de Cuiabá reafirmou declarações sobre intenção de voto e disse que fala ocorreu durante comentário sobre pesquisas eleitorais O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a relacionar, nesta quarta-feira (16), eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a grupos criminosos e pessoas envolvidas com práticas consideradas ilegais. A nova manifestação ocorreu após a Justiça Eleitoral determinar a retirada de um vídeo publicado anteriormente pelo prefeito nas redes sociais, no qual fazia associação semelhante. A decisão foi proferida pelo juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado. O magistrado determinou a remoção do conteúdo e estabeleceu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. Segundo a decisão, a publicação ultrapassou os limites de uma crítica política ou ideológica e adotou uma forma de associação coletiva considerada estigmatizante. O vídeo foi posteriormente retirado das redes sociais. Ao comentar a determinação, Abilio manteve o teor de sua argumentação e afirmou que sua manifestação havia sido feita durante uma discussão sobre o desempenho do presidente Lula em pesquisas de intenção de voto. Segundo o prefeito, sua avaliação considerava grupos que, na visão dele, estariam envolvidos ou associados a situações de criminalidade, dependência química e outras questões sociais. Abilio também citou vídeos que, segundo ele, mostram integrantes de facções criminosas no Rio de Janeiro orientando eleitores a votar em Lula e contra o senador Flávio Bolsonaro. A partir desses episódios, o prefeito questionou publicamente qual seria a preferência eleitoral de pessoas ligadas ao crime organizado, dependentes químicos e outros grupos mencionados por ele. Na decisão, a Justiça Eleitoral considerou que o conteúdo não se restringia ao debate político, apontando que a associação entre determinados grupos sociais e a preferência eleitoral por um candidato poderia produzir uma generalização sobre o eleitorado. O episódio ocorre durante o período eleitoral de 2026, quando a Justiça Eleitoral de Mato Grosso reforça orientações relacionadas ao exercício do voto livre, à imparcialidade e ao respeito à diversidade. Em sua manifestação mais recente, Abilio afirmou que não pretendia retirar a essência do argumento e reiterou que, em sua avaliação, determinados segmentos que considera ligados à criminalidade ou à marginalidade apresentariam preferência por Lula. A declaração mantém o embate em torno dos limites do discurso político nas redes sociais durante o período eleitoral.
MT PODE CRIAR LISTA DE FORAGIDOS PRIORITÁRIOS PARA MIRAR LÍDERES DE FACÇÕES E CRIMINOSOS DE ALTO RISCO
Proposta prevê integração entre forças de segurança, inteligência e tecnologia para concentrar esforços na localização de criminosos considerados estratégicos para organizações criminosas O enfrentamento ao crime organizado em Mato Grosso pode ganhar uma nova frente: priorizar a localização e captura de foragidos considerados de maior risco para a sociedade. A ideia é criar uma política estadual permanente para organizar esforços das forças de segurança na busca por pessoas que já possuem mandados de prisão expedidos pela Justiça, mas continuam foragidas. A proposta foi apresentada pelo candidato a deputado estadual Sargento Casarin (Podemos) e está incluída entre as medidas de segurança pública divulgadas oficialmente por sua campanha. Casarin é policial militar e concorre à Assembleia Legislativa pelo número 20190. O objetivo seria estabelecer uma lista estadual de foragidos prioritários, formada a partir de critérios técnicos definidos pelos órgãos competentes. Entre os perfis que poderiam receber prioridade estariam: lideranças de organizações criminosas, autores de crimes violentos, indivíduos de alta periculosidade e foragidos que continuem exercendo influência dentro de estruturas criminosas. NÃO SERIA UMA LISTA DE “QUALQUER FORAGIDO” A principal diferença da proposta está justamente na palavra prioridade. O Estado continuaria responsável pelo cumprimento dos mandados judiciais existentes, mas passaria a identificar quais foragidos representam maior risco ou possuem papel estratégico dentro do crime organizado. A lógica é concentrar recursos de inteligência, investigação e operação nos alvos com maior potencial de impacto na segurança pública. Isso ganha relevância principalmente quando se considera que recursos humanos, tecnológicos e operacionais das forças policiais são limitados. A proposta oficial apresentada por Casarin descreve justamente a criação de uma política permanente para localizar e cumprir mandados contra foragidos prioritários, principalmente lideranças e integrantes estratégicos de organizações criminosas. INFORMAÇÃO COMPARTILHADA ENTRE AS POLÍCIAS Outro ponto previsto é ampliar a integração entre os órgãos de segurança. A política busca fortalecer o compartilhamento de informações entre: Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e estruturas de inteligência. Na prática, o objetivo seria evitar que dados importantes sobre determinado foragido fiquem fragmentados em sistemas ou órgãos diferentes. Informações sobre localização, vínculos, veículos, movimentação financeira, contatos e atuação criminosa poderiam ser trabalhadas de forma coordenada, respeitando as atribuições legais de cada instituição. TECNOLOGIA PODE TER PAPEL CENTRAL A proposta também prevê maior uso de bancos de dados e ferramentas tecnológicas já disponíveis no Estado. O foco seria transformar informação em ação operacional. Isso pode envolver cruzamento de dados, sistemas de inteligência e outras ferramentas legalmente disponíveis para auxiliar na localização de criminosos procurados. A ideia não é necessariamente criar uma nova estrutura imediatamente. A prioridade seria aproveitar unidades especializadas, grupos integrados e sistemas já existentes. Somente diante de eventual insuficiência operacional poderia ser avaliada uma estrutura específica para esse tipo de atuação. FOCO NAS LIDERANÇAS DO CRIME ORGANIZADO Esse talvez seja o ponto mais relevante da proposta. Organizações criminosas não dependem apenas de quem executa delitos nas ruas. Existe uma estrutura de comando. Existem responsáveis por decisões. Existem pessoas ligadas ao financiamento, articulação e organização das atividades criminosas. Por isso, um indivíduo pode estar foragido e, ainda assim, continuar exercendo influência sobre uma facção. A política proposta tenta direcionar esforços justamente para esses alvos. A lógica é que a prisão de integrantes considerados estratégicos possa provocar impacto maior na capacidade operacional de organizações criminosas. COMO OS NOMES ENTRARIAM NA LISTA? Segundo a proposta, a seleção deveria ocorrer por critérios técnicos e objetivos. Entre os elementos que poderiam ser considerados estão: nível de periculosidade; gravidade dos crimes; importância dentro da organização criminosa; risco à sociedade; existência e validade do mandado judicial. A lista também teria de passar por atualizações periódicas. Isso seria necessário porque a situação judicial de uma pessoa pode mudar e porque novos alvos podem ganhar relevância para as investigações. NÃO BASTA PRENDER EM FLAGRANTE A proposta parte de uma discussão importante sobre segurança pública. Grande parte das operações policiais está ligada a crimes em andamento ou investigações recentes. Mas existe também uma quantidade de pessoas que já tiveram prisão determinada pela Justiça e ainda não foram localizadas. Nesse cenário, buscar criminosos procurados passa a ser uma frente complementar às operações ostensivas e investigativas. Ou seja: uma coisa é prender quem está cometendo um crime naquele momento. Outra é localizar quem já deveria estar preso, mas continua foragido. QUAL É O PAPEL DA ASSEMBLEIA? Um deputado estadual não comanda diretamente as polícias. A gestão operacional das forças de segurança cabe ao Executivo e às próprias instituições. Mas a Assembleia Legislativa possui instrumentos importantes para atuar na área. Deputados podem: discutir políticas públicas; fiscalizar ações do Governo; destinar recursos por meio do orçamento; apresentar projetos dentro das competências estaduais; cobrar estrutura e investimentos. Por isso, uma proposta dessa natureza depende de diálogo com Governo, forças de segurança e órgãos de Justiça. PROPOSTA PRECISARIA DE REGRAS CLARAS A ideia também exige alguns cuidados. Uma lista de foragidos prioritários precisaria ter: critérios transparentes; atualização constante; respeito às decisões judiciais; proteção de dados sensíveis; definição clara sobre quem decide as prioridades. Sem isso, a ferramenta poderia perder eficiência ou gerar questionamentos jurídicos. Por isso, a implantação dependeria de regulamentação e participação técnica das instituições de segurança. SEGURANÇA NÃO É APENAS MAIS POLICIAIS NAS RUAS O debate sobre segurança costuma se concentrar no tamanho do efetivo. Esse é um ponto importante. Mas não é o único. Inteligência, investigação, tecnologia, integração entre órgãos e capacidade de localizar criminosos procurados também influenciam os resultados. A proposta apresentada por Casarin tenta justamente atuar nesse outro lado. Em vez de olhar apenas para o número total de prisões, a ideia é perguntar: quem está sendo preso? Qual é a importância daquele criminoso dentro de uma organização? A captura dele pode enfraquecer uma estrutura criminosa maior? UMA POLÍTICA PERMANENTE, E NÃO APENAS OPERAÇÕES PONTUAIS Esse é o principal diferencial defendido na proposta. Em vez de depender exclusivamente de operações específicas, a intenção é criar uma política permanente, com critérios definidos e acompanhamento contínuo. A proposta consta oficialmente no programa divulgado pela campanha de Sargento Casarin, que também apresenta outras iniciativas nas
QUASE MEIO BILHÃO SOB PRESSÃO: Pivetta nega irregularidade, mas não detalha R$ 491,9 milhões da Natural Pork
Governador foi questionado ao vivo no MT1 sobre benefícios fiscais concedidos à empresa na qual declarou participação societária em 2022; disse que tudo ocorreu “dentro das regras”, mas não explicou como os incentivos chegaram a quase R$ 492 milhões A denúncia feita pelo senador e candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) colocou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) diante de uma das perguntas mais delicadas desta campanha eleitoral. Nesta quarta-feira (16), durante entrevista ao MT1, da TV Centro América, Pivetta foi questionado diretamente sobre os R$ 491,9 milhões em renúncias fiscais atribuídos à Natural Pork Alimentos S.A. entre 2019 e 2025. A empresa chama atenção porque Pivetta declarou à Justiça Eleitoral, em 2022, quando já ocupava a Vice-Governadoria, possuir participação acionária na companhia. A resposta do governador foi categórica em um ponto: ele negou qualquer irregularidade. Mas deixou outra pergunta sem uma explicação detalhada: como uma empresa historicamente ligada a ele chegou a acumular quase meio bilhão de reais em benefícios fiscais do Estado? PERGUNTA FOI FEITA DIRETAMENTE NO MT1 Durante a entrevista, o apresentador Cleto Kipper colocou os números na mesa. Ele mencionou aproximadamente R$ 492 milhões em renúncias fiscais, lembrou que Pivetta havia declarado participação na Natural Pork e perguntou se existiria alguma irregularidade na concessão desses benefícios. Pivetta iniciou a resposta dizendo que períodos eleitorais costumam trazer acusações contra candidatos. “Em época de política sempre vêm esses assuntos, sempre vêm mentiras, calúnias”, afirmou. O governador então passou a defender sua trajetória empresarial. Segundo ele, seus empreendimentos mantêm mais de 1,5 mil empregos e recolhem cerca de R$ 150 milhões em impostos anualmente. “Eu sou um empreendedor, nós temos negócio no Mato Grosso, temos negócio no Piauí, e o que nós fizemos é legal, é dentro das regras”, declarou. “NENHUMA IRREGULARIDADE” Pivetta também afirmou que não administra suas empresas desde 2016. “Eu não participo de administração de empresa minha nenhuma desde 2016”, disse. Diante da resposta, Cleto Kipper voltou ao ponto central e perguntou se o governador estava afirmando, portanto, que não havia qualquer irregularidade. Pivetta respondeu: “Absolutamente nenhuma irregularidade, nada.” A negativa foi clara. O detalhamento dos R$ 491,9 milhões, entretanto, não apareceu na resposta. Pivetta não explicou durante a entrevista quais critérios específicos levaram a Natural Pork a receber os benefícios, quais contrapartidas foram exigidas ou como os valores evoluíram até alcançar o montante apresentado. DE ONDE SURGIU O NÚMERO DE R$ 491,9 MILHÕES? A cifra foi colocada no centro da campanha um dia antes. Na terça-feira (15), Wellington Fagundes participou da mesma rodada de entrevistas do MT1 e apresentou o caso. Segundo Wellington, os números seriam oficiais. O candidato foi além e lançou um desafio público: “Isso são dados oficiais. Pegue esses dados e confirme. Se isso não for verdade, eu renuncio a minha candidatura.” Levantamento publicado pelo Deixa Que Eu Te Conto, com base em dados atribuídos à Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso, identificou 29 registros de benefícios fiscais relacionados à Natural Pork. Os registros envolveriam incentivos associados ao Prodeic e reduções da base de cálculo do ICMS. A soma apresentada chega a R$ 491,9 milhões entre 2019 e 2025. Somente em 2025, segundo o levantamento, sete registros atingiriam aproximadamente R$ 94,2 milhões. MAS O QUE SIGNIFICA RENÚNCIA FISCAL? Esse ponto é fundamental para entender o caso. Renúncia fiscal não significa que o Governo do Estado transferiu R$ 491,9 milhões diretamente para a conta da empresa. O termo se refere a impostos ou receitas que o Estado deixa de arrecadar integralmente em razão de incentivos previstos em políticas tributárias. Programas como o Prodeic existem justamente para estimular industrialização, investimentos e geração de empregos. Portanto, receber incentivo fiscal, por si só, não caracteriza irregularidade. A questão levantada agora é outra: Por que o benefício alcançou esse volume? Quais investimentos foram realizados em contrapartida? Quantos empregos foram gerados? Quanto a empresa recolheu aos cofres públicos durante o mesmo período? Quais critérios foram utilizados para calcular os incentivos? São essas respostas que ajudam a população a avaliar o tamanho e a justificativa econômica da renúncia. A LIGAÇÃO DE PIVETTA COM A NATURAL PORK A relação de Pivetta com o empreendimento não surgiu nesta eleição. Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2022, ele informou possuir R$ 1 mil em ações da Natural Pork. Naquele momento, Pivetta já era vice-governador. O material consultado, porém, não permite afirmar que ele continue acionista da empresa em 2026. A ligação empresarial é ainda mais antiga. Em 2013, Pivetta presidia a Intercoop, cooperativa envolvida em operação de transferência de ativos produtivos para a Natural Pork, incluindo passivos e obrigações. Esse histórico é o que tornou a discussão politicamente sensível. WELLINGTON FEZ ACUSAÇÃO MAIS GRAVE Durante sua sabatina, Wellington não se limitou a questionar o volume dos incentivos. Ele utilizou a expressão “tráfico de influência” ao tratar do episódio. Até o momento, contudo, essa acusação não está comprovada. Não há, no material apresentado, demonstração de que Pivetta tenha interferido pessoalmente na concessão dos benefícios. O próprio governador rejeitou categoricamente qualquer irregularidade. Essa distinção é importante. Uma coisa é a existência dos incentivos fiscais. Outra, completamente diferente, seria comprovar interferência indevida na concessão. O PONTO QUE FICOU SEM RESPOSTA DETALHADA A entrevista desta quarta-feira respondeu uma questão: Pivetta afirma que considera os benefícios legais. Mas não esclareceu outra: por que a Natural Pork acumulou R$ 491,9 milhões em renúncias fiscais e quais contrapartidas justificaram esse volume? E esse é exatamente o ponto que mantém o assunto vivo na campanha. Porque quando se fala em quase meio bilhão de reais em impostos que deixaram de ser integralmente arrecadados, a discussão não precisa se limitar a saber se algo era permitido por lei. Também envolve transparência sobre o retorno entregue à sociedade. QUASE MEIO BILHÃO VAI VIRAR TEMA DE CAMPANHA? Tudo indica que sim. Wellington transformou o assunto em linha de confronto direto com o governador. Pivetta respondeu negando irregularidade e defendendo sua trajetória empresarial. Agora, os próximos debates podem migrar da simples acusação para uma discussão mais
CÂMARA ESCAPA DAS MÃOS? Abílio admite temor com avanço de Ilde Taques
Prefeito admite preocupação com eventual vitória de Ilde Taques; dificuldade para manter Paula Calil no comando muda correlação de forças no Legislativo cuiabano A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novos contornos e começa a expor uma dificuldade política para o prefeito Abilio Brunini (PL). Nesta quarta-feira (16), Abilio voltou a demonstrar preocupação com uma eventual vitória do vereador Ilde Taques (Podemos) na eleição da próxima Mesa Diretora. O prefeito afirmou que não considera Ilde, isoladamente, uma ameaça, mas classificou como problemático o grupo político que sustenta sua candidatura. “Não acredito que seja ele a ameaça. O grupo que está com ele é um problema, porque é um grupo de oposição”, declarou Abilio. Na sequência, o prefeito reforçou a avaliação: “Um grupo de oposição tomando a presidência da Câmara é um prejuízo para a nossa gestão, com certeza.” A declaração mostra que a eleição da Mesa deixou de ser apenas uma disputa interna do Legislativo e passou a representar uma preocupação direta para o Palácio Alencastro. Revés no TJMT dificultou plano governista O principal problema para o grupo de Abilio está na tentativa de manter a atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL), no comando da Casa. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a exigência de dois terços dos votos dos vereadores para alterações no Regimento Interno. Na prática, são necessários 18 dos 27 votos para modificar a regra que atualmente impede a recondução consecutiva ao mesmo cargo da Mesa Diretora. O Órgão Especial do TJMT também formou maioria contra a liminar buscada pela Prefeitura. Reportagem recente registrou placar de 11 a 0 pela manutenção da rejeição do pedido. Com isso, a candidatura de Paula continua cercada de incerteza jurídica. Aliados trabalham com a possibilidade de ela disputar sub judice e afirmam contar atualmente com 13 votos, tentando chegar ao 14º apoio. Ilde cresce no espaço aberto pela indefinição É nesse cenário que a candidatura de Ilde Taques passa a ganhar maior importância. Com Paula enfrentando um obstáculo jurídico e o grupo governista ainda buscando consolidar maioria, o bloco independente e de oposição encontrou espaço para ampliar articulações. Abilio reconhece publicamente que uma vitória desse grupo mudaria a relação política entre Executivo e Legislativo. A fala do prefeito, portanto, reforça a percepção de que a eleição da Mesa pode alterar a correlação de forças dentro da Câmara. Contradição sobre interferência também pesa Outro elemento entrou nessa disputa nesta semana. O vereador Kassio Coelho (Podemos) afirmou ter conversado diretamente com Abilio sobre a eleição e declarou que o grupo iria “montar uma estratégia” para o processo. A declaração chamou atenção porque Abilio vinha afirmando publicamente que não pretendia interferir diretamente na escolha da Mesa. Agora, além das articulações reveladas por Kassio, o próprio prefeito admite que pretende apoiar a permanência de Paula e reconhece preocupação com uma eventual vitória da oposição. Isso aumenta o peso político da disputa e coloca o Executivo ainda mais próximo do processo. Plano B já aparece nos bastidores Diante da dificuldade para viabilizar Paula, nomes alternativos passaram a circular entre os governistas. Kassio Coelho, Kero Kero, Marcus Brito Jr. e Eduardo Magalhães aparecem nas articulações como possíveis alternativas, caso a atual presidente não consiga permanecer na corrida. Ao mesmo tempo, Ilde Taques mantém sua candidatura, enquanto Dilemário Alencar (União Brasil) também se coloca na disputa. O cenário, portanto, permanece aberto. Abilio está perdendo força? Ainda é cedo para afirmar que o prefeito perdeu o controle político da Câmara. Abilio continua contando com uma base relevante e seus aliados afirmam possuir 13 votos. Mas é possível dizer que o cenário ficou mais difícil. O grupo governista sofreu um revés no Judiciário, sua principal candidata enfrenta obstáculos para disputar novamente e a oposição passou a ocupar um espaço político que antes parecia mais restrito. Mais do que uma derrota consolidada, o que aparece neste momento é uma redução da margem de conforto do prefeito dentro da Câmara. ANÁLISE | Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político A eleição da Mesa Diretora pode se transformar em um dos primeiros grandes testes políticos da gestão Abilio Brunini. Até agora, o prefeito vinha construindo uma imagem de força e capacidade de articulação dentro do Legislativo. O problema é que a disputa pela presidência começa a mostrar que essa base não é completamente homogênea. O revés no TJMT é importante porque retirou do grupo governista uma solução que poderia simplificar o processo: manter Paula Calil no comando com uma alteração regimental. Sem essa saída, a disputa volta para a matemática política. E matemática na Câmara significa voto por voto. Se o grupo de Abilio realmente possui 13 vereadores, está muito perto da maioria, mas ainda não chegou lá. É justamente essa diferença que abre espaço para Ilde Taques e para os demais grupos. Outro aspecto importante é o discurso. Quando o próprio prefeito afirma que uma vitória do grupo de oposição seria “prejuízo” para sua administração, ele reconhece publicamente o peso político da eleição. Isso também aumenta a responsabilidade sobre o resultado. Se um nome ligado ao bloco independente ou oposicionista vencer, a leitura política será inevitável: Abilio terá perdido uma disputa considerada estratégica para a governabilidade. Se conseguir manter um aliado no comando, mostrará capacidade de reorganizar sua base mesmo depois de um revés judicial. Por isso, o que está em jogo não é apenas quem ocupará a presidência da Câmara. Está em jogo quem demonstra maior capacidade de articulação política dentro do Legislativo de Cuiabá. E, neste momento, a oposição percebe que existe espaço para disputar. A eleição da Mesa ainda está aberta, mas uma coisa já mudou: o grupo de Abilio deixou de aparentar domínio absoluto do cenário. A pergunta agora é: o prefeito conseguirá recompor sua base e manter o comando da Câmara próximo ao Executivo, ou essa disputa marcará o início de uma oposição mais forte em Cuiabá? Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News
Max mobiliza profissionais da saúde e servidores em mega reuniões por Cuiabá
O deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e candidato à reeleição, reuniu cerca de 2 mil pessoas durante encontros realizados em diferentes regiões de Cuiabá, na noite desta terça-feira (15). As reuniões ocorreram no Boa Esperança, Jardim Florianópolis, Bela Vista e no Comitê 20000, na Avenida Jurumirim. Entre os participantes estavam profissionais da saúde, servidores públicos, trabalhadores da iniciativa privada e moradores da capital. Durante os encontros, Max destacou ações construídas a partir da participação direta da população na Assembleia. Entre elas, ganhou destaque o trabalho da Câmara Setorial Temática (CST) da Enfermagem, criada para transformar as demandas da categoria em propostas e políticas públicas. “Quando você monta uma CST, você dá visibilidade, traz para dentro da Assembleia os profissionais, os jovens e a população de maneira geral. Você dá voz”, afirmou Max. Max destacou que a CST da Enfermagem ampliou o debate sobre algumas das principais reivindicações da categoria em Mato Grosso. Entre as pautas estão a aplicação do piso salarial, o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), a jornada de 30 horas semanais, a saúde mental e melhores condições de trabalho. Outra frente foi a segurança dos profissionais. A CST participou das articulações para ampliar o Vigia Mais Saúde MT, iniciativa que integra unidades de saúde aos sistemas de monitoramento e resposta da Segurança Pública. Max também é autor da legislação que instituiu o Maio Verde Esmeralda, iniciativa que nasceu das discussões da CST e busca fortalecer a valorização de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. “Quando a gente começa a escutar, surgem propostas e projetos de lei. A enfermagem tem papel fundamental na saúde pública e precisa ser valorizada e ouvida. Suas pautas precisam ser priorizadas”, destacou o deputado. No encontro realizado no Boa Esperança, a enfermeira Kellen Cristina dos Santos Maria destacou essa atuação. “O Max é muito confiável e tem ação por nós da enfermagem. Eu vejo que o povo sente isso também. A enfermagem sempre foi muito desvalorizada, e ele é uma das pessoas que abraçou essa causa e nos ajudou”, afirmou. Max também citou outras Câmaras Setoriais Temáticas criadas para aproximar segmentos da sociedade do Parlamento. Entre os exemplos estão os trabalhos voltados aos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, à mineração e à saúde indígena. As reuniões também contaram com a participação dos candidatos a deputado federal Neri Geller e Katiuscia Mantelli, além do candidato a suplente de senador Elson Ramos, todos do Podemos.
Bombeiros controlam incêndio em carreta carregada com algodão em Cuiabá
Equipe combateu as chamas e realizou o rescaldo; não houve registro de feridos O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, na manhã desta quarta-feira (16.09), um incêndio em uma carreta carregada com algodão, no Distrito Industrial, em Cuiabá. A equipe foi acionada por volta das 6h15 para atender à ocorrência de incêndio no veículo, na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Ao chegar ao local, os bombeiros iniciaram o combate às chamas. Segundo informações, populares tentaram retirar o cavalo mecânico, e o condutor do veículo não foi localizado. Após controlar o incêndio, a equipe realizou o trabalho de rescaldo, eliminando os focos remanescentes e evitando uma possível reignição. Até o momento, não há informações sobre as causas do incêndio. Não houve registro de feridos.