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Campanhas ao Governo de MT têm poucas doações e dependem de recursos públicos dos partidos

Wellington Fagundes lidera em arrecadação, seguido por Natasha Slhessarenko e Otaviano Pivetta; dois candidatos ainda não informaram recursos à Justiça Eleitoral

A menos de um mês do primeiro turno das eleições, os candidatos ao Governo de Mato Grosso seguem com baixa participação de doações feitas por pessoas físicas. A maior parte do dinheiro disponível para as campanhas foi repassada pelos próprios partidos e pelas siglas que integram as alianças eleitorais.

Os dados constam na plataforma DivulgaCand, sistema da Justiça Eleitoral responsável por apresentar informações sobre candidaturas, receitas e despesas de campanha. O levantamento considera os números atualizados até sexta-feira (4).

Nas eleições deste ano, cada candidato ao Governo de Mato Grosso pode gastar até R$ 7.115.522,46 durante o primeiro turno.

Wellington lidera em recursos

Wellington Fagundes (PL) possui a maior arrecadação entre os candidatos que disputam o Palácio Paiaguás. Até o momento analisado, sua campanha recebeu aproximadamente R$ 5,4 milhões.

Desse total, R$ 5 milhões foram repassados pelos diretórios nacional e estadual do PL. O valor representa cerca de 92,5% de tudo o que entrou na campanha.

Wellington também recebeu R$ 250 mil em doações realizadas por três pessoas físicas. O restante corresponde a outras receitas declaradas na prestação de contas.

Natasha recebe quase todo o dinheiro do PSD

Natasha Slhessarenko (PSD) aparece na segunda colocação em volume de recursos, com aproximadamente R$ 4,6 milhões disponíveis para sua campanha.

A direção nacional do PSD repassou R$ 4,55 milhões, o equivalente a quase 99% da arrecadação informada.

Além da verba partidária, Natasha destinou R$ 52 mil de recursos próprios para financiar sua candidatura.

Pivetta recebe recursos de partidos aliados

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição e dono do maior patrimônio declarado entre os concorrentes ao Governo de Mato Grosso, informou ter recebido aproximadamente R$ 4,52 milhões.

Embora ainda não constasse repasse direto do Republicanos no levantamento, partidos aliados já destinaram valores expressivos à campanha.

O Cidadania repassou R$ 2 milhões, enquanto o União Brasil transferiu R$ 1 milhão. Juntos, os dois partidos foram responsáveis por cerca de 66,3% do total arrecadado.

Pivetta também aplicou R$ 500 mil do próprio bolso na campanha. Outras duas pessoas físicas fizeram doações que, somadas, chegaram a R$ 300,2 mil.

Rafael Milas recebe R$ 100 mil do partido

Rafael Milas (Missão) declarou o recebimento de R$ 102.914.

Desse total, R$ 100 mil foram enviados pela direção nacional do partido. O valor corresponde a mais de 97% de toda a arrecadação da campanha.

Duas pessoas físicas fizeram doações que somam R$ 2.914.

Dois candidatos ainda não declararam recursos

Maurício Coelho (Mobiliza) e Sargento Laudicério (Agir) ainda não haviam informado o recebimento de recursos de campanha até a atualização consultada.

A ausência de valores declarados pode indicar que os candidatos ainda não receberam dinheiro ou que os dados aguardavam registro e processamento no sistema da Justiça Eleitoral.

De onde vem o dinheiro das campanhas?

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, foi criado em 2017, após o Supremo Tribunal Federal proibir que empresas realizassem doações diretamente a candidatos.

Em 2026, quase R$ 5 bilhões foram disponibilizados para financiar as campanhas eleitorais no país.

A maior parte do dinheiro é distribuída conforme o tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados e a votação obtida pelas siglas na eleição anterior. Outra parcela considera a representação no Senado, enquanto 2% do total são divididos igualmente entre todos os partidos.

Após receberem os recursos, as direções partidárias definem como o dinheiro será distribuído entre seus candidatos, respeitando as regras estabelecidas pela legislação eleitoral.

ANÁLISE — Campanhas milionárias ainda têm pouca participação direta do eleitor

Os números mostram que as principais candidaturas ao Governo de Mato Grosso dependem muito mais das decisões das cúpulas partidárias do que das contribuições espontâneas dos eleitores.

Wellington Fagundes, Natasha Slhessarenko e Otaviano Pivetta já movimentam campanhas milionárias, mas grande parte dos recursos veio dos partidos ou das siglas aliadas. As doações de pessoas físicas ainda representam uma parcela pequena.

Isso não significa, necessariamente, falta de apoio eleitoral. No Brasil, a proibição das doações empresariais e a criação do Fundo Eleitoral transformaram os partidos nos principais financiadores das campanhas.

Entretanto, a concentração do dinheiro nas direções partidárias aumenta o poder das cúpulas na escolha de quem terá estrutura, visibilidade e condições de disputar uma eleição competitiva.

Também chama atenção o caso de Pivetta. Mesmo sendo o candidato mais rico da disputa estadual, ele aplicou R$ 500 mil de recursos próprios e recebeu a maior parte do dinheiro declarado por meio de partidos aliados.

Em período eleitoral, o eleitor precisa observar não apenas quanto cada candidato recebeu, mas também de onde veio o dinheiro e como ele está sendo utilizado. A prestação de contas é pública e pode ser consultada no sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral.

Mais do que acompanhar propagandas, é importante fiscalizar quem financia as campanhas e quais compromissos políticos podem existir por trás desses apoios.

Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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