Com maior retorno financeiro e forte demanda internacional, cultura avança no estado, embora enfrente desafios provocados pelo clima e pela produtividade.
A colheita do gergelim já está em andamento em Mato Grosso e confirma uma mudança no planejamento de muitos produtores rurais. Diante do aumento dos custos de produção do milho na segunda safra, agricultores têm ampliado as áreas destinadas ao gergelim, cultura que vem se destacando pela maior rentabilidade e pelo aquecido mercado de exportação.
Líder nacional na produção do grão, Mato Grosso responde por cerca de 65% da safra brasileira e envia praticamente toda a produção para o exterior. A China lidera as compras, seguida por Índia e Turquia, mercados que utilizam o gergelim na fabricação de óleo, tahine e diversos produtos alimentícios.
Em Tapurah, no norte do estado, a expansão da cultura reflete essa tendência. Produtores reduziram a área destinada ao milho para investir no gergelim, buscando um melhor retorno financeiro. Apesar da atratividade econômica, a colheita exige agilidade, já que as cápsulas se abrem naturalmente quando atingem a maturação, aumentando o risco de perdas das pequenas sementes caso a operação seja atrasada.
Embora a cultura utilize praticamente os mesmos equipamentos empregados na soja, pequenas adaptações nas colheitadeiras são necessárias para minimizar desperdícios durante a operação.
As condições climáticas, no entanto, limitaram o desempenho das lavouras nesta safra. O excesso de chuvas atrasou o plantio e também o período de colheita, reduzindo a produtividade em diversas regiões. Em algumas propriedades, a produção ficou em torno de 600 quilos por hectare, resultado inferior ao registrado no ciclo anterior.
Além do clima, especialistas apontam que doenças fúngicas e a perda da qualidade genética das sementes também impactaram a produção. O setor avalia que o desenvolvimento de novas cultivares e a adoção de sementes certificadas serão fundamentais para elevar a produtividade e reduzir perdas nas próximas safras.
Mesmo com uma leve retração nos preços em comparação ao ano passado, o mercado voltou a apresentar recuperação após a retomada das exportações para a China. Atualmente, o quilo do gergelim é negociado entre R$ 3,60 e R$ 3,80, mantendo a cultura como uma alternativa economicamente atrativa para os produtores mato-grossenses.
O crescimento da produção reforça o papel de Mato Grosso como principal fornecedor brasileiro de gergelim para o mercado internacional, consolidando uma cadeia que continua em expansão e que aposta na inovação tecnológica para ampliar ainda mais sua competitividade.

