Candidato afirmou que dar entrevistas diariamente é “desconfortável” e “estranho”; declaração chama atenção porque campanha eleitoral exige diálogo, apresentação de propostas e prestação de contas
Uma resposta dada por Otaviano Pivetta (Republicanos) durante uma coletiva de imprensa em Cuiabá provocou questionamentos sobre sua disposição para participar da rotina de entrevistas e debates da campanha eleitoral.
Ao ser perguntado sobre o que mais o incomodava, Pivetta respondeu:
— Dar entrevista. Todo dia tem que dar entrevista. É desconfortável, é algo bem exótico, estranho.
Na sequência, o jornalista perguntou do que ele gostava. Pivetta declarou:
— Eu gosto é de dormir, comer, beber e dormir.
Embora a resposta possa ter sido dada em tom descontraído, a declaração chama atenção por ter ocorrido justamente durante o período eleitoral, momento em que entrevistas, debates e encontros públicos são fundamentais para que a população conheça os candidatos.
Campanha exige diálogo com a população
Dar entrevistas diariamente pode ser cansativo, mas faz parte do processo eleitoral. É por meio das perguntas feitas por jornalistas que o candidato pode explicar suas propostas, responder a críticas e apresentar soluções para problemas que atingem diretamente a população.
Também é durante a campanha que o eleitor tem a oportunidade de conhecer melhor o comportamento, o preparo e as prioridades de quem pretende comandar o Estado.
Por isso, quando um candidato afirma que considera desconfortável conceder entrevistas todos os dias, surge uma pergunta inevitável: se o contato com a imprensa incomoda durante a campanha, como será a relação com os jornalistas e com a população depois da eleição?
Entrevistas não são apenas obrigação de campanha
A necessidade de prestar esclarecimentos não termina quando a votação acaba. Quem assume o Governo de Mato Grosso precisa explicar decisões, apresentar resultados, responder sobre problemas e enfrentar cobranças relacionadas à saúde, educação, segurança, infraestrutura e aos gastos públicos.
O governador também precisa viajar pelo estado, receber prefeitos, conversar com representantes de diferentes setores e manter um canal permanente de diálogo com a sociedade.
Nesse contexto, entrevistas e coletivas não devem ser vistas apenas como compromissos desconfortáveis. Elas fazem parte da transparência esperada de qualquer governante.
Uma frase que pode repercutir na campanha
A fala de Pivetta pode ter sido uma brincadeira ou uma manifestação de cansaço diante da intensa agenda eleitoral. Ainda assim, declarações de candidatos ao governo ganham peso porque ajudam o eleitor a avaliar não somente as propostas, mas também a postura de quem pretende ocupar o cargo.
Mais do que discutir se o candidato gosta de dormir, a questão central é saber como ele pretende manter uma rotina de trabalho, diálogo e prestação de contas à sociedade.
No período eleitoral, comparecer a entrevistas e debates não representa um favor à imprensa. É uma oportunidade para conversar com a população e mostrar por que merece receber o voto.
Análise do MT Urgente
Uma frase isolada não é suficiente para concluir se alguém está ou não preparado para governar Mato Grosso. No entanto, candidatos precisam compreender que entrevistas, debates e cobranças fazem parte da democracia.
O eleitor tem o direito de perguntar. A imprensa tem o dever de questionar. E quem deseja governar tem a responsabilidade de responder.
Pivetta poderá esclarecer se falou em tom de brincadeira e explicar como pretende manter o diálogo com a sociedade. Até que isso aconteça, permanece uma pergunta provocada pela própria declaração: se dar entrevistas todos os dias já causa desconforto, como o candidato pretende enfrentar as pressões e cobranças diárias do Governo de Mato Grosso?
Em uma eleição, não basta querer ocupar o cargo. É preciso demonstrar disposição para trabalhar, ouvir críticas, apresentar propostas e prestar contas à população.
O MT Urgente deixa o espaço aberto para manifestação de Otaviano Pivetta e de sua assessoria.