Propostas apresentadas por Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko apostam em tecnologia, segurança, educação e medidas de proteção social
Os planos de governo apresentados por Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) para a disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026 trazem propostas distintas, mas têm entre os pontos em comum o uso da inteligência artificial na administração pública. As ideias também incluem medidas relacionadas à segurança, educação, saúde, combate às apostas eletrônicas e proteção de famílias de baixa renda.
Os documentos foram disponibilizados no sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, e apresentam diferentes abordagens para áreas consideradas estratégicas da administração estadual. A Justiça Eleitoral mantém o sistema como plataforma de divulgação de informações sobre candidaturas e propostas de governo.
No plano de Pivetta, a inteligência artificial aparece de forma abrangente, com previsão de aplicação em setores como Educação, Segurança Pública, administração e formação profissional. Entre as propostas está o Educa.AI, plataforma destinada a utilizar análise preditiva para identificar riscos de evasão escolar e acompanhar o desempenho dos estudantes. O documento também prevê o uso de IA na correção de redações e em ferramentas de escrita guiada.
Na Segurança Pública, a tecnologia seria utilizada para auxiliar na definição dos locais e horários de concentração do policiamento ostensivo. Na administração, a proposta inclui avisos automáticos aos cidadãos sobre vencimento de licenças, certidões e prazos tributários, além da ampliação de ferramentas de inteligência artificial no Portal do Servidor.
Wellington Fagundes também propõe ampliar o uso da tecnologia em diferentes áreas. Na Secretaria de Fazenda, a inteligência artificial seria utilizada para identificar possíveis fraudes e oferecer mecanismos de autorregularização aos contribuintes. Na Saúde, o plano prevê uma plataforma com prontuários, documentos médicos, histórico clínico e resultados de exames, com apoio de recursos de IA.
Na Educação, Wellington propõe a inclusão de conteúdos relacionados a tecnologia, robótica, inteligência artificial e pensamento computacional na rede estadual, além da capacitação de servidores. A tecnologia também seria empregada no monitoramento ambiental, com ferramentas capazes de acompanhar desmatamentos, alterações nos biomas e focos de incêndio em tempo real.
Já Natasha concentra suas propostas de inteligência artificial principalmente na Educação. O plano prevê uma plataforma estadual de aprendizagem voltada ao apoio dos professores no planejamento e na correção de atividades. A candidata também propõe capacitação dos profissionais da área e a criação de regras para orientar o uso responsável da inteligência artificial pelos estudantes.
Outro tema presente no plano de Pivetta é o combate às apostas eletrônicas. A proposta prevê campanhas educativas nas escolas sobre os riscos associados às bets e ações governamentais de enfrentamento ao que o documento classifica como uma “epidemia das bets”. O plano também cita a articulação da bancada federal de Mato Grosso para defender uma proposta de extinção das apostas eletrônicas, além de medidas relacionadas à educação financeira, defesa do consumidor e prevenção ao superendividamento e à dependência digital.
Na área de Segurança Pública, Pivetta também propõe a criação de parques fabris prisionais, com galpões industriais instalados nas áreas externas de grandes unidades penitenciárias. A proposta tem como objetivo ampliar o acesso dos presos aptos ao trabalho e à qualificação profissional.
Entre as propostas de caráter social, Natasha apresenta a criação de um sistema de cashback de ICMS destinado a famílias inscritas no Cadastro Único e com renda de até três salários mínimos. A ideia é devolver parte do imposto pago no consumo e antecipar, em Mato Grosso, um mecanismo relacionado à reforma tributária federal. O plano, contudo, não estabelece o percentual de devolução, o número de famílias beneficiadas, o limite anual por família nem o impacto financeiro estimado da medida.
Os três documentos também mencionam a realização de concursos públicos. No caso de Natasha, a previsão abrange áreas com déficit de servidores, como Saúde, Educação, Politec, Infraestrutura e as polícias Civil e Militar. Pivetta e Wellington também citam novos concursos, com ênfase principalmente na área educacional.
Outro ponto de diferenciação está nas propostas voltadas à população LGBTQIA+. Wellington prevê ações de combate à violência e à discriminação, além de iniciativas de inserção produtiva e geração de renda. Natasha propõe uma política estadual permanente para a população LGBTQIA+, com atenção específica a pessoas trans e travestis, incluindo qualificação profissional, estímulo à contratação, rede de acolhimento e acesso à Justiça.
As propostas refletem diferentes prioridades e estratégias apresentadas pelos três candidatos para a administração estadual. A análise acima é exclusivamente descritiva e baseada nas informações disponíveis nos planos e em fontes públicas; não constitui avaliação, comparação de mérito, ranking ou recomendação entre candidatos.

