Estado concentra 32,2% da produção brasileira estimada para 2026, impulsionado principalmente pelo milho de segunda safra e pelo algodão
Mato Grosso ampliou sua estimativa de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 114,17 milhões de toneladas em 2026 e mantém a liderança nacional do setor. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), com referência a setembro.
A nova projeção representa um aumento de 930 mil toneladas em relação à estimativa de agosto, uma alta de aproximadamente 0,82%. Com esse volume, o Estado responde por cerca de 32,2% das 354,5 milhões de toneladas previstas para o Brasil, o equivalente a quase um terço de toda a produção nacional estimada.
O milho de segunda safra foi o principal responsável pela revisão positiva. A previsão para a cultura passou de 57,08 milhões para 57,84 milhões de toneladas, um acréscimo de aproximadamente 762 mil toneladas, correspondente a 1,33%. O avanço representa cerca de 82% do aumento total registrado na estimativa estadual.
Outro destaque foi o algodão, cuja projeção subiu para 6,65 milhões de toneladas, com incremento de aproximadamente 274 mil toneladas em comparação com o levantamento anterior. A variação positiva de cerca de 4,3% reforça o peso da cotonicultura na economia mato-grossense, que reúne uma ampla estrutura de cultivo, beneficiamento, armazenamento e comercialização da fibra.
Já a soja, uma das principais culturas do Estado e importante produto da pauta de exportações, permaneceu estável, com estimativa de 50,66 milhões de toneladas. Mesmo sem alteração expressiva na projeção mensal, o grão continua sendo um dos pilares da produção agrícola estadual, ao lado do milho.
A força dessas culturas está ligada à dimensão das áreas cultivadas, à mecanização e à estrutura de armazenamento e transporte que sustenta o escoamento da produção. O milho também abastece cadeias como a avicultura, a suinocultura e a fabricação de rações, além de servir de matéria-prima para a produção de etanol. O algodão, por sua vez, movimenta diferentes segmentos, desde o fornecimento de insumos até os serviços de logística e comercialização.
No cenário nacional, Mato Grosso permanece à frente do Paraná, segundo colocado na estimativa de produção agrícola. A posição evidencia a relevância do Estado para o abastecimento interno e para o comércio exterior, especialmente diante da necessidade de infraestrutura para transportar grandes volumes de grãos até os mercados consumidores e os corredores de exportação.
A atualização do IBGE, no entanto, não significa necessariamente aumento proporcional da renda dos produtores ou da arrecadação pública. O desempenho financeiro do setor também depende dos preços das commodities, dos custos de produção, do câmbio, da demanda e das despesas logísticas.
O LSPA é atualizado periodicamente e considera informações sobre área plantada, área colhida, rendimento médio e produção das principais culturas agrícolas brasileiras. Por isso, as estimativas podem sofrer novas revisões conforme são incorporados dados sobre o desenvolvimento das lavouras e os resultados das colheitas.
Com a projeção de setembro, Mato Grosso reafirma seu protagonismo no agronegócio brasileiro, sustentado principalmente pela produção de milho e soja e pelo avanço da estimativa do algodão.