Segunda fase da investigação da Polícia Civil cumpre mandados em Mato Grosso e Bahia para enfraquecer a estrutura econômica de organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a segunda fase da Operação Golden, voltada ao combate à estrutura financeira de uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais. A ofensiva cumpre 14 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e uma medida cautelar, com ações simultâneas em Várzea Grande, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e no município de Itabela, na Bahia.
Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão cinco mandados de busca e apreensão, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros, limitados a R$ 283,5 mil, além de uma medida cautelar diversa da prisão. As determinações foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias Polo de Cuiabá.
A operação é resultado das investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com apoio das delegacias regionais de Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil da Bahia.
Um dos principais alvos é um detento atualmente preso em São Paulo por determinação da Justiça de Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, ele possui extensa ficha criminal, com antecedentes por tráfico de drogas, homicídios e outros delitos, sendo apontado como integrante da organização investigada.
De acordo com a investigação, o foco desta nova etapa é atingir o fluxo financeiro da facção, desarticulando os mecanismos utilizados para ocultar, movimentar e lavar recursos obtidos com atividades ilícitas.
As apurações tiveram início após a prisão em flagrante de um casal suspeito de atuar no tráfico de drogas. A partir desse caso, os investigadores identificaram uma rede que utilizava contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para movimentar dinheiro de origem criminosa. Na primeira fase da Operação Golden, realizada em março de 2025, foram cumpridas prisões, buscas e bloqueios patrimoniais, além da apreensão de mais de R$ 692 mil em dinheiro e R$ 222 mil em cheques durante diligências em Cáceres.
O aprofundamento das investigações revelou ainda novos integrantes da organização criminosa e permitiu mapear um esquema de lavagem de dinheiro por meio de pessoas físicas e empresas de fachada. Conforme a Polícia Civil, uma empresa registrada em nome de um dos investigados, sem histórico empresarial relevante e com renda declarada incompatível, movimentou mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, sem justificativa econômica.
Os levantamentos também identificaram transferências financeiras entre investigados com antecedentes por tráfico de drogas e supostos integrantes da facção, reforçando as suspeitas de utilização de empresas e terceiros para ocultação de patrimônio.
Durante o cumprimento dos mandados desta quinta-feira, foram apreendidos celulares, computadores, documentos e outros materiais que passarão por perícia para ampliar a produção de provas e dar continuidade às investigações.
Segundo a Polícia Civil, o bloqueio de ativos busca impedir a ocultação de recursos supostamente provenientes do crime, preservar provas e garantir eventual reparação de danos e perda de bens ao término do processo judicial.
A Operação Golden integra a Operação Pharus, iniciativa prevista no planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, dentro do Programa Tolerância Zero, que concentra ações de enfrentamento às facções criminosas em todo o Estado.


