Equipes atuaram por dois dias em rios de Juara e Matupá, utilizando mergulho e técnicas especializadas de busca até localizar as vítimas desaparecidas. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso concluiu, neste domingo (19), duas operações de busca aquática que resultaram na localização de três vítimas de afogamento nos municípios de Juara e Matupá. As ações mobilizaram equipes especializadas desde o sábado (18), com emprego de mergulhadores, varreduras fluviais e técnicas de busca em rios da região. Em Juara, o trabalho foi realizado no Rio Arinos, após o desaparecimento de um casal. Durante o primeiro dia de buscas, os bombeiros localizaram apenas a embarcação das vítimas, encontrada à deriva. As buscas foram retomadas nas primeiras horas da manhã de domingo e, após informações repassadas por pescadores, os militares encontraram o primeiro corpo. Pouco depois, a segunda vítima também foi localizada nas proximidades. Após o resgate, a área foi preservada pelo Corpo de Bombeiros até a chegada da Polícia Judiciária Civil, responsável pelos procedimentos legais e pela apuração das circunstâncias do ocorrido. Já em Matupá, os bombeiros atenderam a uma ocorrência de afogamento no Rio Peixotinho envolvendo um homem de 35 anos. Segundo relatos de testemunhas, a vítima possuía deficiência em um dos braços, não sabia nadar e entrou no rio para banho, momento em que acabou se afogando. As buscas subaquáticas começaram ainda na tarde de sábado e se estenderam até a manhã de domingo, quando o corpo foi localizado a cerca de 3,5 metros de profundidade. Após a retirada da vítima, a Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram acionadas para realizar os procedimentos periciais. As ocorrências reforçam o alerta do Corpo de Bombeiros para que banhistas redobrem os cuidados em rios e áreas de banho, especialmente durante o período de férias, evitando entrar na água sem saber nadar, respeitando as condições do local e adotando medidas preventivas para reduzir o risco de acidentes.
TRE multa Otaviano Pivetta em R$ 5 mil por descumprir decisão judicial e manter vídeo no Facebook
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reconheceu que o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) descumpriu parcialmente uma decisão liminar da Justiça Eleitoral e determinou a aplicação de uma multa de R$ 5 mil, além de aumentar a penalidade para R$ 10 mil por dia caso a ordem judicial volte a ser desrespeitada. A decisão foi proferida pela juíza Glenda Moreira Borges, no âmbito de uma representação eleitoral ajuizada pelo Partido Liberal (PL), que questiona a divulgação de um vídeo considerado irregular durante o período de pré-campanha. Entenda o caso A controvérsia teve início após o PL ingressar com uma representação na Justiça Eleitoral alegando que um vídeo publicado por Otaviano Pivetta nas redes sociais continha conteúdo incompatível com as regras que disciplinam a propaganda eleitoral antecipada. Ao analisar o pedido, a Justiça concedeu uma tutela de urgência (liminar) determinando que o governador retirasse o material das redes sociais até o julgamento definitivo da ação. A ordem judicial determinava que o conteúdo fosse removido de forma integral, abrangendo todas as plataformas em que estivesse publicado. O que motivou a multa? Após o prazo concedido pela Justiça, o PL informou ao TRE que a decisão não havia sido totalmente cumprida. Para verificar a situação, a Justiça utilizou registros da plataforma Verifact, ferramenta empregada para conferir a existência e disponibilidade de conteúdos publicados na internet. A análise demonstrou que: o vídeo foi retirado do Instagram; porém, continuava disponível no Facebook. Diante dessa constatação, a juíza concluiu que houve cumprimento apenas parcial da decisão judicial, uma vez que a determinação previa a retirada completa do conteúdo. Na decisão, a magistrada destacou que não bastava excluir a publicação de apenas uma rede social, pois a obrigação era eliminar integralmente o vídeo dos canais indicados na representação. Multa aplicada Como a decisão liminar já previa multa diária em caso de descumprimento, a Justiça aplicou a penalidade correspondente a um dia, fixando o valor em R$ 5 mil. Segundo a magistrada, o fato de parte do conteúdo permanecer disponível caracteriza o descumprimento da ordem judicial, tornando obrigatória a incidência da multa prevista anteriormente. Justiça endurece a punição Além da multa aplicada, a juíza concedeu um novo prazo de 24 horas para que Pivetta cumpra integralmente a decisão. No entanto, diante do descumprimento verificado, a magistrada decidiu majorar a multa diária, que passa de R$ 5 mil para R$ 10 mil por dia caso o vídeo continue disponível após o novo prazo estabelecido. Na prática, isso significa que cada novo dia em que a ordem judicial permanecer descumprida poderá gerar uma nova penalidade financeira ao governador. Facebook poderá remover o conteúdo A decisão também prevê uma medida adicional caso a determinação continue sendo ignorada. Se Otaviano Pivetta não retirar voluntariamente o vídeo dentro do prazo estabelecido, o próprio Facebook poderá ser oficialmente notificado pelo Tribunal Regional Eleitoral para remover a publicação diretamente da plataforma, garantindo o cumprimento da decisão judicial. O que significa a decisão? Embora o processo ainda não tenha julgamento definitivo sobre o mérito da representação eleitoral, a decisão reforça um princípio importante da Justiça Eleitoral: as decisões liminares possuem cumprimento imediato e devem ser observadas integralmente pelas partes. Neste caso, o TRE não julgou, nesta etapa, se Pivetta praticou ou não irregularidade eleitoral de forma definitiva. O que foi analisado foi o cumprimento da ordem judicial expedida anteriormente. Como o vídeo permaneceu ativo em uma das plataformas, a Justiça concluiu que houve descumprimento parcial da liminar, aplicando a multa prevista e endurecendo as consequências para eventual novo descumprimento. A representação eleitoral segue tramitando no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, onde ainda será analisado o mérito da ação proposta pelo Partido Liberal. Por: Alex Rabelo – Jornalista e estrategista político | MT Urgente News
Carros chineses aceleram no Brasil, elevam padrão de qualidade e obrigam montadoras tradicionais a reagirem
Venda de veículos chineses praticamente dobra em um ano, amplia concorrência e provoca queda nos preços de carros novos e seminovos O mercado automotivo brasileiro vive uma transformação histórica. Os carros chineses deixaram de ser vistos apenas como uma alternativa de menor custo e passaram a disputar espaço entre os modelos mais tecnológicos, sofisticados e competitivos do país. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram 140,8 mil veículos chineses emplacados no Brasil, praticamente o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando foram vendidos cerca de 71 mil automóveis. O crescimento é impulsionado principalmente pelas fabricantes BYD e GWM, que, além das importações, já ampliam seus investimentos em fábricas, centros de distribuição e concessionárias em território brasileiro. Mais tecnologia pelo mesmo preço O principal diferencial das montadoras chinesas está na relação entre preço e equipamentos. Modelos vendidos na faixa dos R$ 150 mil a R$ 250 mil já oferecem itens que, até poucos anos atrás, eram exclusivos de veículos considerados premium. Entre os equipamentos mais comuns estão: Painel 100% digital; Central multimídia de grandes dimensões; Bancos em couro; Câmera 360°; Piloto automático adaptativo; Frenagem automática de emergência; Assistente de permanência em faixa; Sensores inteligentes; Iluminação Full LED; Atualizações remotas de software. Enquanto isso, muitos veículos produzidos pelas montadoras tradicionais ainda oferecem parte desses equipamentos apenas nas versões mais caras. Acabamento mudou completamente Durante muitos anos, veículos chineses sofreram resistência do consumidor brasileiro devido ao acabamento simples e à percepção de baixa qualidade. Esse cenário mudou. Hoje, grande parte dos modelos apresenta: Materiais macios no painel; Excelente isolamento acústico; Design moderno; Bancos ergonômicos; Iluminação ambiente; Excelente montagem interna; Alto nível de conforto. Especialistas do setor afirmam que diversos modelos chineses já competem diretamente com veículos de categorias superiores em acabamento e tecnologia. Economia também pesa na decisão Outro fator que impulsiona as vendas é o consumo. Os veículos híbridos e elétricos chineses oferecem baixo custo de utilização, menor necessidade de manutenção e autonomia cada vez maior. Diversos modelos já superam 500 quilômetros de autonomia, tornando o uso diário cada vez mais viável para o consumidor brasileiro. Além disso, motores turbo modernos entregam bom desempenho aliado a menor consumo de combustível. Garantia maior gera confiança Se antes a maior dúvida dos consumidores era a assistência técnica, hoje esse cenário começa a mudar rapidamente. As fabricantes chinesas aceleraram a expansão no Brasil. Além da abertura de centenas de concessionárias, muitas oferecem: Garantia de até sete anos; Estoque nacional de peças; Centros de distribuição próprios; Assistência técnica especializada; Rede de atendimento em constante expansão. Esse movimento reduz uma das principais barreiras para quem ainda tinha receio de adquirir um veículo chinês. Concorrência derruba preços A chegada dessas marcas obrigou praticamente todas as montadoras tradicionais a rever suas estratégias comerciais. Nos últimos meses, aumentaram: descontos; bônus na troca do usado; financiamentos com taxas reduzidas; revisões gratuitas; ampliação das garantias. O efeito também chegou ao mercado de seminovos. Com veículos novos sendo vendidos com descontos maiores, muitos usados passaram a sofrer desvalorização, criando oportunidades para quem pretende trocar de carro. ANÁLISE | A indústria brasileira terá que acelerar ou perder mercado Por Alex Rabelo — Jornalista e Analista de Mercado O crescimento das montadoras chinesas representa muito mais do que a chegada de novas marcas ao Brasil. Estamos diante de uma mudança de comportamento do consumidor e, possivelmente, de uma das maiores transformações da indústria automotiva nas últimas décadas. Durante muitos anos, comprar um carro era uma decisão baseada principalmente na tradição da marca. Hoje, esse cenário mudou. O consumidor pesquisa, compara e faz contas. Ele quer tecnologia, segurança, economia, acabamento de qualidade e garantia. Nesse novo contexto, as fabricantes chinesas entenderam rapidamente o que o mercado procura. Elas chegaram oferecendo veículos completos, com design moderno, alto nível de tecnologia embarcada, excelente acabamento interno, motores eficientes e garantias de até sete anos. Além disso, investem pesado na abertura de concessionárias, na ampliação da rede de assistência técnica e na disponibilidade de peças, reduzindo um dos principais receios que existiam em relação às marcas chinesas. Enquanto isso, parte das montadoras tradicionais ainda mantém estratégias baseadas apenas na força histórica de suas marcas. O desafio agora é claro. As fabricantes instaladas no Brasil precisarão acelerar investimentos em inovação, elevar o padrão de acabamento, ampliar os equipamentos de série, rever preços e oferecer garantias mais competitivas. Caso contrário, a tendência é que a participação das marcas chinesas continue crescendo em ritmo acelerado. O consumidor brasileiro mudou. Hoje ele compra valor, não apenas uma marca. Quem entregar mais tecnologia, mais conforto, maior autonomia, melhor garantia e um custo-benefício superior terá vantagem na disputa. A concorrência sempre beneficia o consumidor. E, neste momento, ela está obrigando toda a indústria automotiva a evoluir. Por Alex RabeloJornalista • Analista de Mercado • CEO da ALX Comunicação
Quanto vale ser campeão do mundo? Espanha e Argentina disputam título e prêmio de R$ 263 milhões neste domingo
Além da taça, final da Copa do Mundo de 2026 coloca em jogo a maior premiação da história do torneio organizada pela Fifa A decisão da Copa do Mundo de 2026, entre Espanha e Argentina, neste domingo, vai muito além da disputa pela taça mais importante do futebol mundial. Além da glória esportiva e da oportunidade de entrar para a história, as duas seleções também disputam uma premiação milionária. A Fifa pagará ao campeão US$ 51,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 263,5 milhões, tornando esta a maior premiação já oferecida na história das Copas do Mundo. Quem ficar com o vice-campeonato também receberá uma quantia expressiva: US$ 34,5 milhões, cerca de R$ 176,5 milhões. Premiação aumenta a cada fase da competição O modelo adotado pela Fifa prevê que cada seleção receba valores maiores conforme avança no torneio. Ou seja, mesmo quem foi eliminado antes da decisão já garantiu uma premiação milionária. Confira quanto cada fase rendeu às seleções: 🥇 Campeão US$ 51,5 milhões (R$ 263,5 milhões) 🥈 Vice-campeão US$ 34,5 milhões (R$ 176,5 milhões) 🥉 3º colocado US$ 30,5 milhões (R$ 156 milhões) 🏅 4º colocado US$ 28,5 milhões (R$ 146 milhões) Eliminados nas quartas de final Cada seleção recebeu: US$ 20,5 milhões (R$ 105 milhões) Entre elas: Noruega Bélgica Marrocos Suíça Eliminados nas oitavas de final Cada equipe recebeu: US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões) Neste grupo está o Brasil, eliminado pela Noruega por 2 a 1, além de: Paraguai Egito Canadá Portugal Estados Unidos Colômbia México Eliminados nos 16 avos Cada seleção garantiu: US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões) Eliminados ainda na fase de grupos Cada participante recebeu: US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões) Brasil também faturou alto Mesmo eliminado nas oitavas de final, a Seleção Brasileira encerrou sua participação na Copa com uma premiação de aproximadamente R$ 84 milhões, valor pago pela Fifa apenas pela campanha realizada no torneio. Muito além do dinheiro Embora a premiação financeira seja histórica, conquistar uma Copa do Mundo representa muito mais do que o prêmio em dinheiro. O título garante prestígio internacional, valorização dos atletas, aumento das receitas com patrocínios e direitos comerciais, além de consolidar uma geração na história do futebol mundial. Neste domingo, Espanha e Argentina entram em campo sabendo que, além da taça mais cobiçada do planeta, estará em jogo uma recompensa financeira recorde de R$ 263 milhões, a maior já distribuída pela Fifa em uma edição da Copa do Mundo.
Polícia Civil apreende mais de 6 mil litros de combustível que seriam levados para garimpo ilegal em Mato Grosso
Motorista foi preso em flagrante após ser flagrado transportando diesel e gasolina sem documentação fiscal e sem autorização para o transporte Mais de 6 mil litros de combustível que seriam levados para um garimpo ilegal foram apreendidos pela Polícia Civil na noite desta sexta-feira (17), durante uma operação realizada no município de Conquista D’Oeste, a 571 quilômetros de Cuiabá. Além da carga, um caminhão foi apreendido e o motorista, de 43 anos, acabou preso em flagrante após não apresentar a documentação obrigatória para o transporte dos combustíveis. Operação mira abastecimento de garimpos ilegais A apreensão ocorreu durante a Operação Protetor das Divisas e Fronteiras, ação permanente das forças de segurança que tem como foco combater atividades ilegais e promover a desocupação da Terra Indígena Sararé, uma das áreas que vêm sofrendo com a exploração clandestina de garimpo em Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, as equipes identificaram um intenso fluxo de máquinas, combustíveis e outros insumos utilizados para abastecer garimpos ilegais instalados na região. Diante das informações, os policiais montaram uma barreira de fiscalização em um dos acessos à área. Caminhão transportava diesel, gasolina e alimentos Durante a abordagem, os investigadores vistoriaram um caminhão e encontraram uma grande quantidade de combustível. No compartimento de carga estavam: Seis contêineres carregados com óleo diesel; Dois tambores de gasolina; Grande quantidade de alimentos que também seriam destinados ao garimpo. Ao ser questionado, o motorista informou que havia sido contratado apenas para realizar o transporte da carga até um garimpo localizado na região. Sem notas fiscais e sem licença Durante a fiscalização, os policiais constataram que o condutor não possuía a documentação exigida para transportar combustíveis. Segundo a Polícia Civil, ele não apresentou: Notas fiscais da carga; Licença obrigatória para o transporte dos produtos; Documentação que comprovasse a origem regular do combustível. Diante da irregularidade, o caminhão e toda a carga foram apreendidos. Motorista foi preso em flagrante O condutor foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Pontes e Lacerda, onde prestou depoimento. Ele foi autuado em flagrante por crime previsto na legislação ambiental relacionado ao transporte irregular de substâncias consideradas perigosas ao meio ambiente e à saúde pública. Após os procedimentos legais, o caso seguirá sendo investigado pela Polícia Civil, que busca identificar a origem do combustível e os responsáveis pelo garimpo que receberia a carga. Combate ao garimpo ilegal A Terra Indígena Sararé tem sido alvo constante de operações das forças de segurança devido ao avanço do garimpo ilegal. Além dos danos ambientais, a atividade clandestina costuma movimentar uma extensa logística envolvendo transporte de combustíveis, alimentos, máquinas e equipamentos utilizados na exploração mineral irregular. Segundo a Polícia Civil, ações de fiscalização continuarão sendo realizadas para interromper o abastecimento dessas áreas e responsabilizar os envolvidos na atividade ilegal.
Levantamento aponta que R$ 92,4 bilhões em crédito rural foram destinados a propriedades com alertas ambientais; Mato Grosso aparece entre os estados com maior volume
Estudo do MapBiomas cruzou dados do Banco Central com informações ambientais e identificou operações em imóveis que possuem sobreposição com áreas sensíveis Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (16) pelo MapBiomas aponta que o Brasil concedeu R$ 92,4 bilhões em crédito rural público, distribuídos em cerca de 831 mil operações, para propriedades rurais que possuem algum tipo de sobreposição com áreas consideradas ambientalmente sensíveis entre 2019 e 2025. Entre os estados com maior volume de recursos aparece Mato Grosso, que registrou aproximadamente R$ 13,3 bilhões em financiamentos enquadrados nesse levantamento, ficando atrás apenas de Tocantins. O que isso significa? O estudo não afirma que os financiamentos foram concedidos de forma irregular. Na prática, o levantamento mostra que as propriedades financiadas possuem algum tipo de cruzamento geográfico com informações ambientais, como: alertas de desmatamento; áreas com degradação da vegetação nativa; embargos ambientais; terras indígenas; unidades de conservação; comunidades quilombolas; florestas públicas. Esse cruzamento foi realizado utilizando dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor), administrado pelo Banco Central. Ou seja, a pesquisa aponta que esses imóveis apresentam sobreposição com áreas monitoradas, mas cada situação depende de análise individual, já que a existência da sobreposição, por si só, não comprova irregularidade. Mato Grosso entre os maiores volumes O levantamento mostra que os maiores volumes financeiros identificados foram: Tocantins — R$ 13,9 bilhões Mato Grosso — R$ 13,3 bilhões Rondônia — R$ 13 bilhões Já em quantidade de operações, o estado do Piauí lidera o ranking nacional, com aproximadamente 336 mil contratos. Maioria dos recursos foi para investimentos e pecuária Segundo o estudo, cerca de 68% das operações tiveram como finalidade investimentos nas propriedades rurais. A pecuária concentrou 58% dos financiamentos, enquanto: 23% foram destinados à compra de animais; 27% tiveram bovinos como principal atividade financiada. Cinco bancos concentram a maior parte dos financiamentos Embora mais de 400 instituições financeiras operem crédito rural no Brasil, cinco delas concentram aproximadamente 60% dos recursos liberados: Banco do Brasil; Banco do Nordeste; Banco da Amazônia; Sicredi; Banrisul. O levantamento aponta ainda que o Banco do Nordeste concentrou a maior quantidade de operações envolvendo imóveis com sobreposição ambiental, enquanto o Banco do Brasil respondeu pelo maior volume financeiro dessas operações. Mais transparência Segundo o pesquisador do MapBiomas, Paulo Teixeira, esta edição do monitor ampliou significativamente a capacidade de análise ao incorporar dados do Cadastro Ambiental Rural. Com isso, passou a ser possível identificar um número muito maior de operações e acompanhar com mais precisão onde os recursos públicos do crédito rural estão sendo aplicados. O levantamento divulgado pelo MapBiomas deve ser interpretado com cautela. É importante destacar que o estudo não afirma que houve fraude ou concessão ilegal de crédito. O que ele revela é que milhares de financiamentos estão vinculados a propriedades que apresentam algum tipo de sobreposição com bases de dados ambientais. Esse tipo de informação reforça a necessidade de aprimorar os mecanismos de fiscalização e de transparência, principalmente porque o crédito rural é um dos principais instrumentos de incentivo à produção agropecuária brasileira. Para Mato Grosso, maior produtor de grãos e um dos líderes nacionais na pecuária, o desafio continua sendo conciliar crescimento econômico, segurança jurídica ao produtor e preservação ambiental. O debate, portanto, não é apenas sobre liberar ou restringir crédito, mas garantir que os recursos públicos cheguem a quem produz dentro da legislação ambiental vigente, fortalecendo tanto o agronegócio quanto a credibilidade do sistema de financiamento rural brasileiro. Por: Alex RabeloJornalista e Analista Político | MT Urgente News
Carne bovina escapa do tarifaço de Trump e Mato Grosso evita impacto no principal produto exportado aos EUA
Estado exportou quase US$ 190 milhões em carne bovina no primeiro semestre; governo americano isentou mais de 2 mil produtos brasileiros da nova tarifa A carne bovina, principal produto exportado por Mato Grosso para os Estados Unidos, ficou de fora da nova tarifa de 25% anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A decisão representa um alívio para o setor, já que o Estado tem no mercado americano um dos seus principais destinos para a proteína animal. A nova política comercial dos Estados Unidos entra em vigor no dia 22 de julho e prevê a cobrança de uma tarifa adicional sobre diversos produtos brasileiros. No entanto, uma lista com 2.126 itens foi excluída da medida, entre eles a carne bovina. Carne lidera exportações de Mato Grosso para os EUA Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que Mato Grosso exportou US$ 209,5 milhões para os Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano. Desse total, US$ 189,2 milhões correspondem apenas às exportações de carne bovina, consolidando o produto como o principal item vendido pelo Estado ao mercado norte-americano. Além da carne, Mato Grosso também exporta para os Estados Unidos: Sebo bovino – US$ 10,7 milhões Madeiras tropicais perfiladas – US$ 4,4 milhões Ouro em barras – US$ 2,1 milhões Gelatinas e derivados – US$ 1,7 milhão Castanha-do-pará sem casca – US$ 549 mil O que muda na prática? Na prática, a carne bovina continuará entrando no mercado norte-americano sem sofrer a nova tarifa adicional de 25%. A isenção evita que o produto brasileiro perca competitividade diante de concorrentes internacionais e reduz o risco de impactos imediatos sobre as exportações do setor. Além da carne bovina, também ficaram fora do tarifaço produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, como: Café; Laranja e suco de laranja; Peixes; Couros; Produtos de madeira; Medicamentos; Insumos farmacêuticos. Por que Trump criou a nova tarifa? Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a medida faz parte de uma investigação aberta em 2025 sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil. O governo americano afirma que determinadas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e questões ambientais criariam barreiras para empresas dos Estados Unidos. Brasil vai recorrer O governo brasileiro informou que pretende contestar a decisão. Entre as medidas anunciadas estão o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica, além de um recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Palácio do Planalto também afirmou que pretende ampliar a abertura de novos mercados internacionais para reduzir a dependência comercial e minimizar eventuais impactos aos setores afetados. Etanol está entre os produtos atingidos Enquanto a carne bovina foi preservada, o mesmo não aconteceu com o etanol. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) criticou a inclusão do biocombustível entre os produtos tarifados e defendeu a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos, argumentando que a decisão aumenta a insegurança comercial e prejudica a cooperação entre os dois países. Nova fábrica em Mato Grosso Em meio ao cenário comercial, Mato Grosso recebeu uma notícia positiva. A empresa norte-americana Sukup Manufacturing confirmou a instalação de uma fábrica de silos em Lucas do Rio Verde. O anúncio foi feito durante reunião entre representantes da empresa e o Governo do Estado, reforçando os investimentos estrangeiros no setor agrícola mato-grossense. Entenda rapidamente Como era? A expectativa era de que diversos produtos brasileiros fossem atingidos pela nova tarifa de 25%. Como ficou? A carne bovina foi incluída na lista de exceções e continuará sendo exportada aos Estados Unidos sem a nova sobretaxa. Quem ganha? Mato Grosso, que tem na carne bovina seu principal produto exportado para o mercado americano. Esse formato facilita a compreensão do leitor ao explicar primeiro o impacto direto para Mato Grosso, depois os motivos da decisão dos Estados Unidos e, por fim, as reações do governo brasileiro e do setor produtivo.
Vai acontecer de novo? Histórico de 2022 faz crescer dúvidas sobre futuro da pré-candidatura de Natasha ao Governo
Mesmo com apoio declarado de aliados, movimentações de Emanuel Pinheiro dentro do PSD reacendem debate sobre uma possível mudança de rumo na disputa estadual A pré-candidata ao Governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD), afirmou que não vê motivos para preocupação diante das articulações do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), que também busca espaço para disputar o Palácio Paiaguás. Em entrevista, Natasha disse confiar na palavra do presidente estadual do partido, senador Carlos Fávaro, e dos partidos que compõem a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), que, segundo ela, mantêm o compromisso de apoiar sua candidatura. “Não perco um minuto de sono com essa questão. Tenho o compromisso e a palavra do senador Carlos Fávaro de que serei a candidata ao Governo”, afirmou. Apesar da tranquilidade demonstrada por Natasha, os movimentos internos no PSD chamam atenção dos bastidores políticos. Nos últimos dias, Emanuel Pinheiro intensificou conversas dentro da legenda e passou a ser citado como uma alternativa para disputar o Governo do Estado. Paralelamente, declarações de lideranças do partido, como o deputado estadual Wilson Santos, que evitou confirmar o nome de Natasha como candidata, aumentaram as especulações sobre uma possível disputa interna. Histórico alimenta questionamentos As dúvidas em torno da candidatura de Natasha também são alimentadas pelo que ocorreu nas eleições de 2022. Naquele ano, ela era a escolhida para disputar uma vaga ao Senado pela oposição. No entanto, durante as negociações políticas, acabou abrindo mão da candidatura para que o grupo lançasse Neri Geller. A decisão ocorreu após uma ampla articulação política que envolveu lideranças nacionais, incluindo o então presidente nacional do PSB, Geraldo Alckmin, que participou das conversas para unificar o grupo. Agora, diante das movimentações dentro do PSD, parte dos bastidores políticos volta a levantar uma pergunta: o roteiro de 2022 pode se repetir? Federação mantém apoio público Enquanto isso, lideranças da Federação Brasil da Esperança têm reafirmado publicamente apoio ao nome de Natasha. Entre os que já defenderam sua pré-candidatura estão Rosa Neide, Valdir Barranco e Lúdio Cabral, todos do PT. Segundo Natasha, esse respaldo reforça a segurança do projeto político construído até aqui. Análise política O cenário ainda está distante de uma definição definitiva. Em pré-campanhas majoritárias, é comum que partidos mantenham mais de um nome em discussão enquanto avaliam pesquisas, alianças e o ambiente político antes das convenções. No caso do PSD, Natasha afirma contar com o apoio da direção estadual e da federação. Ao mesmo tempo, a movimentação de Emanuel Pinheiro demonstra que o debate interno ainda não está completamente encerrado. O histórico de 2022 naturalmente faz com que qualquer nova articulação seja acompanhada com atenção pelos bastidores políticos. No entanto, até o momento, não há anúncio oficial de mudança no projeto do partido, e Natasha segue se apresentando como a pré-candidata do PSD ao Governo de Mato Grosso. Essa abordagem informa o leitor sobre o contexto, relembra o precedente de 2022 e apresenta a dúvida como uma questão em discussão nos bastidores, sem afirmar que haverá uma nova “puxada de tapete”.
Lei que paga R$ 100 por javali abatido é aprovada em Santa Catarina; entenda como vai funcionar
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou um projeto de lei que cria um programa de incentivo financeiro para ampliar o controle populacional do javali-europeu, espécie considerada invasora e responsável por prejuízos ambientais, econômicos e sanitários em diversas regiões do Brasil. Pela proposta, pessoas físicas e jurídicas autorizadas poderão receber R$ 100 por cada javali abatido legalmente, desde que cumpram todos os requisitos previstos na legislação ambiental e nas futuras regras de regulamentação do programa. A medida foi aprovada pelo plenário da Assembleia e agora segue para a sanção do governador do Estado. Como surgiu a proposta? O projeto é de autoria do deputado estadual Camilo Martins (PL). Segundo a justificativa apresentada pelo parlamentar, o objetivo não é estimular a caça indiscriminada, mas sim auxiliar no custeio das operações de controle de uma espécie invasora, já autorizadas pela legislação brasileira. O javali-europeu (Sus scrofa) provoca grandes prejuízos ao meio rural, destruindo lavouras, atacando animais, degradando áreas de preservação e representando risco sanitário para rebanhos comerciais, especialmente da suinocultura. Quem terá direito ao pagamento? O benefício não será aberto à população em geral. Receberão o incentivo apenas: pessoas físicas ou empresas devidamente cadastradas; autorizadas pelos órgãos ambientais competentes; que realizarem o manejo dentro das normas federais e estaduais; que comprovarem oficialmente o controle realizado. Além disso, quando a ação ocorrer em propriedade particular, será obrigatória a autorização do proprietário, possuidor ou arrendatário da área. Como funcionará o pagamento? O valor será de R$ 100 por animal controlado. Segundo o projeto, esse recurso possui caráter indenizatório, ou seja, não é tratado como remuneração, mas como uma forma de compensar parte dos custos envolvidos na atividade, como: combustível; deslocamentos; equipamentos; insumos utilizados no manejo. A comprovação de cada animal abatido deverá seguir critérios que ainda serão definidos na regulamentação da lei pelo Poder Executivo. O Estado poderá definir áreas prioritárias Outro ponto importante da legislação é que o governo poderá estabelecer regiões prioritárias para o controle populacional, levando em consideração o grau de infestação dos javalis. Também está prevista a possibilidade de convênios com municípios, associações e entidades para ampliar as ações de controle. O controle de javalis já era permitido A novidade não é a autorização para o manejo. Santa Catarina já possui legislação permitindo o controle populacional do javali, justamente por se tratar de uma espécie exótica invasora. A nova lei acrescenta um incentivo financeiro para ampliar a participação de controladores autorizados e aumentar a eficiência das ações de combate à proliferação do animal. Por que o javali preocupa? Especialistas apontam que a espécie causa diversos impactos: destruição de plantações; prejuízos econômicos aos produtores rurais; danos à vegetação nativa; competição com espécies silvestres; transmissão potencial de doenças que podem atingir animais domésticos e rebanhos comerciais; riscos à segurança de moradores em áreas rurais. Por apresentar alta capacidade de reprodução e poucos predadores naturais, o javali é considerado um dos animais invasores de maior preocupação ambiental no país. Análise | Mato Grosso pode discutir uma medida semelhante? Mato Grosso convive há anos com relatos de prejuízos provocados por javalis em diversas regiões produtoras. Os danos à agricultura, à pecuária e ao meio ambiente são frequentemente apontados por produtores rurais e entidades do setor. Diante desse cenário, a iniciativa adotada por Santa Catarina pode abrir espaço para um debate semelhante no estado. No entanto, qualquer proposta precisaria ser baseada em estudos técnicos, critérios ambientais rigorosos e fiscalização dos órgãos competentes, para garantir que o controle populacional ocorra de forma responsável e dentro da legislação. Uma eventual experiência em Mato Grosso poderia ser avaliada inicialmente em regiões com maior incidência da espécie, por período determinado e com monitoramento constante dos resultados, permitindo verificar se o incentivo financeiro realmente contribui para reduzir os prejuízos ao campo sem comprometer o equilíbrio ambiental.
Defensoria cobra medidas para destravar regularização ambiental de pequenos produtores em Mato Grosso
Durante audiência na ALMT, instituição defende reforço técnico, capacitação e flexibilização de procedimentos para garantir acesso ao CAR, crédito rural e segurança jurídica às famílias do campo. A Defensoria Pública de Mato Grosso defendeu a adoção de medidas que acelerem a regularização ambiental de pequenas propriedades rurais durante a primeira audiência da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A instituição apresentou propostas voltadas à ampliação do acesso dos agricultores familiares ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), considerado etapa indispensável para a regularização dos imóveis e para a obtenção de crédito e outros benefícios. Representando a Defensoria, a coordenadora do Núcleo de Regularização Fundiária, defensora pública Silvia Maria Ferreira, destacou que é necessário ampliar a estrutura de atendimento aos pequenos produtores. Entre as sugestões apresentadas estão a criação de uma equipe técnica especializada, com profissionais suficientes para atender à elevada demanda de processos, além da oferta permanente de capacitação para que os agricultores consigam utilizar o sistema eletrônico do CAR. Segundo a defensora, muitos produtores enfrentam dificuldades para regularizar suas propriedades por limitações técnicas e burocráticas, situação que acaba impedindo o acesso a financiamentos e comprometendo a manutenção da atividade rural e da renda das famílias. Outro ponto levantado foi a necessidade de que as penalidades ambientais aplicadas aos pequenos produtores sejam proporcionais à capacidade financeira dessas famílias. A Defensoria argumenta que multas elevadas dificultam ainda mais a regularização e podem inviabilizar a permanência dos agricultores na atividade. A audiência também debateu a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, normas que estabelecem procedimentos simplificados para regularização ambiental e licenciamento de agricultores familiares e pequenos produtores rurais. As discussões buscaram alternativas para conciliar a preservação ambiental, a segurança jurídica e o fortalecimento da produção agrícola no Estado. A legislação prevê tratamento diferenciado para propriedades de até quatro módulos fiscais que desenvolvem atividades agrossilvipastoris, além de criar um regime simplificado de licenciamento ambiental para empreendimentos que atendam aos critérios de sustentabilidade definidos pelo órgão ambiental estadual. Entre as exigências para adesão ao novo modelo estão a inscrição e regularidade do imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a inexistência de embargos ambientais vigentes e a apresentação de declaração de conformidade ambiental, documento pelo qual o proprietário assume responsabilidade administrativa e civil em caso de danos ao meio ambiente. Com essas medidas, a expectativa é tornar mais célere a regularização das propriedades sem comprometer as normas de proteção ambiental.