Prefeito admite que poderá deixar temporariamente o comando da Capital para reforçar candidatura de Samantha Iris; discussão sobre sucessão familiar ganha força em Mato Grosso
A confirmação do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de que poderá se licenciar do cargo por até 20 dias para participar da campanha da esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), reacendeu um debate cada vez mais presente na política mato-grossense: até que ponto o mandato conquistado nas urnas deve ser utilizado para fortalecer projetos políticos familiares?
Abilio afirmou que pretende escolher o período mais estratégico da campanha para acompanhar a esposa em agendas pelo interior do Estado. Segundo ele, a administração municipal continuará funcionando normalmente durante sua ausência.
Caso a licença seja confirmada, a vice-prefeita Vânia Rosa (MDB) seria a primeira na linha sucessória. Entretanto, como também é pré-candidata à Assembleia Legislativa, poderá optar por não assumir a Prefeitura. Nesse cenário, a presidência do Executivo poderá ser exercida pela presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL).
Um cenário que se repete
O episódio ocorre em um momento em que Mato Grosso presencia diversos movimentos políticos envolvendo candidaturas de familiares.
Em diferentes regiões do Estado, prefeitos apoiam esposas, vereadores trabalham para eleger irmãos e outras lideranças utilizam seu capital político para fortalecer candidaturas dentro do próprio núcleo familiar.
Embora a legislação permita candidaturas de parentes, especialistas observam que esse tipo de estratégia costuma gerar discussões sobre sucessão política, renovação de lideranças e prioridades durante o exercício do mandato.
Gestão ou projeto político?
A confirmação da possível licença de Abilio também ocorre em meio a um período de forte movimentação política em Cuiabá.
Nas últimas semanas, o prefeito esteve no centro de debates envolvendo a tentativa de alterar regras da Câmara Municipal, embates com vereadores da base e declarações que repercutiram em todo o Estado.
Agora, a possibilidade de se afastar do cargo para participar diretamente da campanha da esposa amplia o debate sobre o equilíbrio entre a administração da cidade e a participação em projetos eleitorais.
Análise | Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político
A política brasileira sempre conviveu com famílias tradicionais ocupando espaços de poder. Isso, por si só, não configura irregularidade nem impede que parentes disputem eleições.
A questão que começa a surgir no imaginário do eleitor é outra.
Qual passa a ser a prioridade de quem foi eleito?
Governar bem para entregar resultados à população?
Ou utilizar a visibilidade e a estrutura política conquistadas no mandato para impulsionar uma nova candidatura dentro da própria família?
Essa é uma reflexão que vale para todos os partidos e para todas as regiões do Estado.
Quando um prefeito anuncia que pretende interromper temporariamente sua gestão para atuar na campanha da esposa, é natural que parte da população passe a fazer perguntas.
Será que a prioridade continua sendo administrar a cidade?
Ou o foco já está voltado para o próximo projeto eleitoral?
Outro ponto que merece atenção é um fenômeno que tem se repetido em Mato Grosso: irmãos trabalhando para eleger irmãos, prefeitos liderando campanhas de esposas, vereadores fortalecendo candidaturas de familiares.
Tudo isso é permitido pela legislação.
Mas a política não é julgada apenas pela lei.
Ela também é julgada pela percepção da sociedade.
E talvez a pergunta mais importante que o eleitor precise responder nas urnas seja:
O mandato está sendo usado para transformar a vida das pessoas ou para ampliar o poder político da própria família?
No fim, a decisão continuará sendo exclusivamente do eleitor, que terá a oportunidade de avaliar não apenas discursos e promessas, mas também quais lideranças demonstraram compromisso com a gestão pública e quais priorizaram seus projetos políticos familiares. Esse é um debate legítimo em uma democracia e tende a ganhar ainda mais força à medida que a eleição se aproxima.
Por: Alex Rabelo
Jornalista e Estrategista Político | MT Urgente News


