Ação conjunta da Polícia Civil, Sema e Juvam resultou na prisão de três pessoas, apreensão de espécies proibidas e identificação de uma rede de armazenamento e comercialização ilegal na região metropolitana.

Uma operação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Juizado Volante Ambiental (Juvam), desarticulou um esquema de pesca predatória e comércio ilegal de pescado na região do Rio Cuiabá. A ação resultou na apreensão de aproximadamente 911 quilos de peixes de diversas espécies, na prisão de três pessoas e na coleta de provas que poderão ampliar as investigações sobre a atuação da organização criminosa.
As diligências tiveram início após uma série de denúncias apontarem a prática frequente de pesca ilegal nas proximidades da Ponte Sérgio Motta, incluindo o uso de redes e a comercialização clandestina de espécies nativas. A repercussão de imagens e vídeos nas redes sociais reforçou os indícios e levou as autoridades a intensificarem o monitoramento da área.
Durante a investigação, os policiais identificaram uma residência no bairro Praeirinho que funcionava como ponto de armazenamento e distribuição de pescado oriundo da pesca predatória. No local, foram encontrados dois suspeitos e mais de 232 quilos de peixes armazenados em freezers e tambores. Entre as espécies apreendidas estavam pintado, dourado, piraputanga, pacupeva, pacu e piranha, sendo que várias delas estão protegidas pela legislação estadual conhecida como Transporte Zero.
Além do pescado, as equipes recolheram equipamentos utilizados no beneficiamento dos produtos, balanças, materiais para confecção de redes de pesca, celulares e documentos com registros de compra e venda. As anotações encontradas indicavam uma movimentação comercial constante, sugerindo a existência de um esquema estruturado de comercialização ilegal.
A investigação avançou após a localização de notas fiscais em branco vinculadas a uma peixaria da Feira do Praeirinho. Com base nas evidências, as equipes realizaram fiscalização no estabelecimento, onde encontraram mais 678 quilos de pescado sem comprovação de origem e em desacordo com as normas ambientais. Entre os produtos apreendidos estavam exemplares de espécies protegidas, cortes diversos e bandas de pintado salgado.
As apurações apontaram que um pescador fornecia o pescado ao operador do esquema, responsável pela compra e revenda dos produtos para estabelecimentos comerciais. O proprietário da peixaria também foi preso em flagrante por envolvimento na comercialização dos peixes irregulares.
Os três suspeitos foram encaminhados à Delegacia Especializada do Meio Ambiente, onde foram autuados por pesca predatória. A autoridade policial arbitrou fiança de R$ 10 mil para o investigado apontado como responsável pela revenda habitual do pescado e de R$ 3 mil para os outros dois envolvidos.
Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar possíveis participantes da cadeia ilegal de transporte, armazenamento e comercialização de pescado proveniente da pesca predatória na região metropolitana de Cuiabá.


