Investigação apura suspeitas de pagamento de propina para facilitar aprovações de projetos, emissão de licenças e processos administrativos entre 2017 e 2026. Justiça determinou afastamentos de agentes públicos e bloqueios patrimoniais que podem chegar a R$ 80 milhões.
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (28), a segunda fase da Operação Mãos à Obra, em Sinop, no norte de Mato Grosso. A ação investiga suspeitas de corrupção envolvendo servidores públicos, engenheiros, arquitetos e empresários em procedimentos relacionados a obras e empreendimentos imobiliários no município, no período de 2017 a 2026.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão contra alvos da investigação. A operação também resultou no afastamento cautelar de seis agentes públicos, na suspensão das atividades de uma empresa e na imposição de medidas patrimoniais e financeiras contra investigados. Os bloqueios de bens podem alcançar R$ 80 milhões, além de outras restrições e do sequestro de imóveis.
Entre os presos preventivamente estão os engenheiros civis Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, ambos servidores da Prefeitura de Sinop. Também foram detidos os servidores públicos Agnaldo Rael da Silva e Valdinei Monteiro da Silva, este último já citado na primeira fase da operação. Completa a relação Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, empresária e sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda., que também está entre os alvos da investigação.
As ordens de busca e apreensão atingiram ainda Antônio Benedito Rodrigues, as arquitetas Bruna Maia de Freitas e Grazielly Stolarski, o fiscal de obras Samuel de Sousa Vieira e os engenheiros civis Charles Correia da Costa, Laércio Ronei Schorr e Roni de Souza. Este último também atua como empresário e agente penitenciário.
No segmento empresarial, a investigação alcança Danielle da Silva Otaviano Garcia e Felipe Gabriel Russo, além da própria Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda. As medidas fazem parte da apuração sobre possíveis irregularidades em procedimentos administrativos ligados ao setor imobiliário e à execução de obras em Sinop.
De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, o esquema suspeito envolveria o pagamento de propina para acelerar trâmites administrativos, obter pareceres favoráveis, aprovar projetos e viabilizar a emissão de licenças e certificados. A apuração também busca esclarecer possíveis interferências em fiscalizações relacionadas à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.
Um dos pontos que chamou a atenção durante o cumprimento das medidas foi a localização de malas, bolsas e sacos de lixo contendo milhares de cédulas de dinheiro na residência de um dos alvos. Até o momento, o valor total encontrado não havia sido informado.
A segunda fase da Operação Mãos à Obra busca aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos e representantes do setor privado nas irregularidades investigadas. As medidas judiciais incluem restrições pessoais, administrativas e patrimoniais, enquanto as responsabilidades individuais deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação.


