Ação nacional identificou 13 crianças e adolescentes entre as vítimas; em Santa Cruz do Xingu, alojamento foi interditado por falta de higiene, segurança e condições mínimas de dignidade
Uma operação nacional de combate ao trabalho análogo à escravidão resgatou 479 trabalhadores em todo o país, entre eles 13 crianças e adolescentes. Em Mato Grosso, dois trabalhadores foram retirados de uma propriedade rural no município de Santa Cruz do Xingu, onde a fiscalização encontrou condições consideradas degradantes.
Os dados fazem parte da Operação Resgate VI, coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com fiscalizações realizadas entre os dias 1º e 31 de agosto.
Entre os trabalhadores resgatados em todo o país, 66 eram migrantes oriundos da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
ALOJAMENTO EM MT TINHA FEZES DE ROEDORES E RISCO DE CHOQUE
Em Mato Grosso, os dois trabalhadores encontrados pela fiscalização estavam em uma propriedade rural de Santa Cruz do Xingu.
Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, os trabalhadores estavam alojados em uma construção de madeira com quatro quartos e um banheiro coletivo, instalada ao lado de um curral.
A fiscalização apontou condições consideradas incompatíveis com padrões mínimos de higiene, segurança e dignidade.
No local foram encontrados:
- sujeira em nível crítico;
- presença de insetos;
- restos de alimentos;
- fezes de roedores no chão e nas camas;
- forte odor proveniente do curral;
- colchões velhos e sujos;
- pedaços de espuma usados como travesseiros;
- ausência de roupas de cama e armários individuais;
- ventilação inadequada;
- instalações elétricas improvisadas.
O banheiro coletivo também foi considerado inadequado, com presença de moscas e falta de condições mínimas de limpeza e higiene.
A avaliação técnica apontou ainda risco grave e iminente à saúde e à segurança dos trabalhadores.
ALOJAMENTO FOI INTERDITADO
Diante da situação, os auditores fiscais determinaram a interrupção imediata das atividades.
Os trabalhadores foram retirados do alojamento e levados provisoriamente para um hotel da região enquanto as providências legais eram adotadas.
O empregador também foi notificado para regularizar e rescindir os contratos de trabalho, pagar as verbas trabalhistas devidas, fazer os recolhimentos legais e garantir, quando necessário, o retorno dos trabalhadores aos locais de origem.
O alojamento continuará interditado até que todos os problemas sejam corrigidos e a Inspeção do Trabalho autorize formalmente sua reutilização.
Entre as exigências estão limpeza e desinfecção do espaço, controle de pragas, reforma da estrutura, adequação da rede elétrica, melhorias no banheiro e fornecimento de camas, colchões, roupas de cama e armários individuais.
SUDESTE CONCENTROU MAIOR NÚMERO DE RESGATES
No balanço nacional da Operação Resgate VI, a região Sudeste concentrou o maior número de trabalhadores resgatados.
Foram 267 pessoas, sendo 208 somente em Minas Gerais.
As fiscalizações ocorreram principalmente no meio rural, responsável por 57,5% das ações e por 292 trabalhadores resgatados.
No meio urbano, foram resgatadas 178 pessoas.
Já no trabalho doméstico, 14 empregadores foram fiscalizados e nove trabalhadores foram retirados de situações consideradas análogas à escravidão.
QUAIS ATIVIDADES CONCENTRARAM MAIS CASOS
Entre as atividades econômicas com maior número de trabalhadores encontrados nessas condições estão:
- construção em geral: 85 resgatados;
- cultivo de café: 53;
- cultivo de cebola: 47;
- cultivo de batata-inglesa: 44;
- outras lavouras temporárias: 43;
- coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas: 29.
Segundo o MTE, os dados mostram uma concentração importante de ocorrências em atividades ligadas à agricultura e ao extrativismo.
Do total de trabalhadores resgatados, 84,4% eram homens e 15,6% eram mulheres.
DENÚNCIAS PODEM SER FEITAS PELO DISQUE 100
Casos suspeitos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados por meio do Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos.
A Operação Resgate VI contou com a participação de auditores fiscais do trabalho, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União.
O caso de Santa Cruz do Xingu reforça um alerta importante: mesmo em pleno 2026, ainda existem trabalhadores submetidos a condições que ferem direitos básicos de dignidade, segurança e proteção.
Fonte: Primeira Página, com informações do Ministério do Trabalho e Emprego.
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