Levantamento mostra que somente três dos oito deputados conseguiram transformar propostas de autoria própria em projetos aprovados; cinco parlamentares não tiveram nenhuma aprovação no período
Os oito deputados federais que representam Mato Grosso apresentaram centenas de propostas ao longo da atual legislatura, mas poucas conseguiram avançar até a aprovação.
De acordo com levantamento publicado pela Gazeta Digital, apenas quatro projetos de autoria dos parlamentares mato-grossenses foram aprovados nos últimos quatro anos.
A análise considerou projetos de lei, projetos de lei complementar e propostas de emenda à Constituição. Projetos apenas subscritos pelos deputados — quando eles apoiam uma proposta, mas não são seus autores — foram contabilizados separadamente.
Dos oito integrantes da bancada, somente Coronel Fernanda (PL), Coronel Assis (PL) e José Medeiros (PL) conseguiram aprovar projetos próprios. Os outros cinco não tiveram nenhuma proposta de autoria própria aprovada no período analisado.
Coronel Fernanda lidera com dois projetos aprovados
A deputada Coronel Fernanda aparece com o melhor resultado da bancada. Desde 2023, ela apresentou 31 projetos de lei e conseguiu aprovar dois.
Uma das propostas institui o Dia Nacional da Mulher Rural.
A outra estabelece um protocolo para a atuação das autoridades em casos de estupro, determinando procedimentos e prazos para a realização do exame de corpo de delito, aplicação de medicamentos preventivos, preservação de provas e audiência de custódia.
Com dois projetos aprovados, Coronel Fernanda responde por metade das propostas de autoria da bancada que avançaram no período.
Coronel Assis aprova projeto contra o “Domínio de Cidades”
O deputado Coronel Assis apresentou 45 projetos de lei e um projeto de lei complementar.
Entre suas propostas, uma foi aprovada em 2025. O texto altera o Código Penal e a Lei de Crimes Hediondos para tipificar o chamado “Domínio de Cidades”.
A prática envolve ações criminosas nas quais grupos fortemente armados bloqueiam ruas, rodovias ou a atuação das forças de segurança para cometer assaltos e outros crimes.
Além do projeto próprio aprovado, Assis também aparece como subscritor de outras três propostas que avançaram.
José Medeiros tem o maior número de projetos apresentados
José Medeiros é o parlamentar da bancada com o maior volume de propostas. Foram apresentados 231 projetos de lei e 19 projetos de lei complementar.
Apesar da quantidade, apenas um projeto de sua autoria foi aprovado.
A proposta inscreve o nome do ex-senador por Mato Grosso Roberto Campos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Medeiros, que disputa uma vaga no Senado nestas eleições, também teve um projeto rejeitado e outros dois aprovados como subscritor.
Cinco deputados não aprovaram projetos próprios
Os outros cinco integrantes da bancada não conseguiram aprovar projetos de autoria própria durante o período analisado.
Emanuelzinho (PSD) apresentou 22 projetos de lei e dois projetos de lei complementar. Embora não tenha aprovado nenhuma proposta própria, participou como subscritor de diversos projetos, incluindo propostas de emenda à Constituição.
Juarez Costa (Republicanos) apresentou 12 projetos de lei e um projeto de lei complementar. Nenhum projeto próprio foi aprovado, mas o parlamentar foi subscritor de duas matérias que avançaram.
Nelson Barbudo (Podemos) apresentou 27 projetos de lei e dois projetos de lei complementar, sem aprovações de autoria própria. Ele assumiu o mandato em junho de 2023, após a morte da deputada Amália Barros, e também ficou afastado durante um período para tratamento contra o câncer.
Fábio Garcia (União Brasil) apresentou quatro projetos. O deputado afastou-se do mandato em agosto de 2023 para assumir a Casa Civil do Governo de Mato Grosso e retornou à Câmara Federal em abril deste ano.
Rodrigo da Zaeli (PL) assumiu o mandato em fevereiro de 2025, na vaga deixada por Abilio Brunini, eleito prefeito de Cuiabá. Desde então, apresentou 12 projetos de lei e um projeto de lei complementar, mas ainda não conseguiu aprovar nenhuma proposta própria.
Apresentar projetos não significa conseguir aprová-los
Os números mostram uma diferença significativa entre a quantidade de propostas apresentadas e aquelas que efetivamente avançaram.
José Medeiros, por exemplo, apresentou 250 projetos entre propostas ordinárias e complementares, mas teve somente uma aprovação de autoria própria. Coronel Assis apresentou 46 e aprovou uma. Coronel Fernanda apresentou 31 e conseguiu aprovar duas.
O levantamento também demonstra que apresentar um projeto é apenas o primeiro passo. Para que uma proposta seja aprovada, o parlamentar precisa construir apoio político, negociar com lideranças e bancadas, vencer as comissões, avançar no plenário e, dependendo do caso, conseguir a aprovação do Senado e a sanção presidencial.
Atuação parlamentar vai além dos projetos
A quantidade de projetos aprovados é um indicador relevante, mas não pode ser utilizada isoladamente para avaliar todo o trabalho de um deputado federal.
A atuação parlamentar também envolve a destinação de emendas, a fiscalização do governo, a participação em comissões, a relatoria de propostas, os debates em plenário, a defesa de pautas regionais e a articulação de recursos para os municípios.
Também é preciso considerar que alguns parlamentares assumiram o mandato depois do início da legislatura ou permaneceram afastados por motivos políticos, administrativos ou de saúde.
Ainda assim, os dados levantam uma pergunta importante: o trabalho realizado pela bancada corresponde ao que Mato Grosso esperava de seus representantes?
ANÁLISE — Em ano eleitoral, eleitor precisa avaliar além do discurso
Não podemos esquecer que estamos em período eleitoral. Muitos dos atuais deputados voltarão às ruas para pedir votos, apresentar promessas e defender a continuidade de seus mandatos.
É justamente neste momento que o eleitor precisa deixar de analisar apenas o discurso de campanha e verificar o que cada candidato fez quando teve a oportunidade de representar Mato Grosso.
Quantos projetos apresentou? Quantos conseguiu aprovar? De quais comissões participou? Quais recursos destinou? Que resultados entregou aos municípios? Como votou nos assuntos importantes? Esteve presente e atuante ou apareceu somente às vésperas da eleição?
A aprovação de projetos não é o único critério para medir um mandato, mas também não pode ser ignorada. Um deputado federal precisa apresentar propostas, construir acordos, fiscalizar o poder público e transformar sua atuação em resultados concretos para a população.
Antes de escolher, pesquise, compare e analise a trajetória de cada candidato. Não vote apenas por amizade, influência, propaganda ou promessa.
O voto define quem falará em nome de Mato Grosso nos próximos quatro anos. Por isso, eleitor, avalie com responsabilidade quem realmente merece receber a sua confiança e o seu voto.
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News