Durante sabatina na TV Centro América, candidato do PL afirmou que a Natural Pork acumulou R$ 491,97 milhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025; valor chama atenção e coloca transparência dos incentivos do Estado no centro do debate eleitoral A disputa pelo Governo de Mato Grosso ganhou nesta terça-feira (15) um dos temas mais sensíveis da campanha até agora. Durante sabatina no MT1, da TV Centro América, o candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL) afirmou que a empresa Natural Pork Alimentos S.A., historicamente ligada ao governador e adversário Otaviano Pivetta (Republicanos), teria acumulado R$ 491,97 milhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025. O número, por si só, chama atenção. Estamos falando de quase meio bilhão de reais em benefícios tributários ao longo de sete anos. E é justamente aí que está o peso político da denúncia apresentada por Wellington. O QUE WELLINGTON DISSE Durante a entrevista, o candidato do PL apresentou os números como informações oficiais e desafiou publicamente que fossem conferidos. “Isso são dados oficiais. Pegue esses dados e confirme. Se isso não for verdade, eu renuncio a minha candidatura”, afirmou Wellington Fagundes. Segundo os dados apresentados pelo candidato, os benefícios destinados à empresa teriam sido os seguintes: 2019: R$ 35,2 milhões 2020: R$ 62,38 milhões 2021: R$ 73,18 milhões 2022: R$ 74,61 milhões 2023: R$ 76,39 milhões 2024: R$ 75,96 milhões 2025: R$ 94,23 milhões A soma chega a R$ 491,97 milhões. O crescimento também chama atenção: o valor informado para 2025 é muito superior ao registrado no início da série, em 2019. MAS O QUE SIGNIFICA RENÚNCIA FISCAL? Aqui está um ponto que precisa ficar claro para o leitor. Renúncia fiscal não significa que o Governo transferiu R$ 491 milhões diretamente para a conta da empresa. Na prática, significa que o Estado deixou de arrecadar parte de determinados impostos porque a empresa estava enquadrada em programas de incentivo tributário. Esses mecanismos existem para estimular investimentos, industrialização, geração de emprego e desenvolvimento econômico. Ou seja: o Estado abre mão de parte da arrecadação esperando receber de volta outros benefícios para a sociedade, como: mais empregos; novas indústrias; mais produção; crescimento econômico; e aumento da atividade empresarial. O problema político levantado por Wellington é outro. Quanto o Estado deixou de arrecadar, quem recebeu esses benefícios e qual retorno foi entregue à sociedade? É essa a discussão. POR QUE R$ 491,97 MILHÕES É UM NÚMERO POLITICAMENTE PESADO? Porque não se trata de um benefício pequeno ou pontual. O montante apresentado se aproxima de meio bilhão de reais. Em qualquer discussão sobre orçamento público, esse é um valor significativo. E quando uma empresa beneficiada possui ligação histórica com quem ocupa o comando do Estado, a necessidade de transparência se torna ainda maior. Isso não significa automaticamente irregularidade. Mas significa que o assunto merece explicação. A pergunta que naturalmente surge é: a empresa recebeu os benefícios seguindo exatamente os mesmos critérios disponíveis para outras empresas do setor? E há outras: Qual investimento foi realizado em contrapartida? Quantos empregos foram gerados? Quanto a empresa recolheu em outros tributos? Quais critérios foram utilizados para concessão dos incentivos? Houve participação direta de Pivetta em alguma decisão relacionada à empresa? São respostas importantes para entender se estamos diante de uma política econômica comum ou de uma situação que merece maior investigação. NATURAL PORK E A LIGAÇÃO COM PIVETTA A relação de Otaviano Pivetta com o empreendimento é anterior à sua chegada ao Governo. Segundo as informações apresentadas na reportagem-base, Pivetta foi presidente da Intercoop, estrutura empresarial que posteriormente passou a operar como Natural Pork Alimentos. Ainda segundo a publicação, em 2022, já ocupando a Vice-Governadoria, Pivetta declarou à Justiça Eleitoral participação na Natural Pork. Também teria declarado valores expressivos relacionados a outras empresas do setor. É justamente essa relação empresarial anterior que Wellington utiliza para questionar os benefícios tributários concedidos pelo Estado. O PONTO CENTRAL NÃO É A EXISTÊNCIA DO INCENTIVO Esse cuidado é fundamental. Empresas receberem incentivos fiscais não significa, por si só, que existe irregularidade. Programas como o Prodeic foram criados justamente para conceder tratamento tributário diferenciado a empresas que atendam determinados requisitos. Segundo os dados apresentados, grande parte dos benefícios recebidos pela Natural Pork estaria ligada ao Prodeic. Somente em 2025, dos R$ 94,23 milhões registrados, cerca de R$ 80,67 milhões seriam relacionados ao programa. Outros R$ 13,55 milhões estariam vinculados a regras do RICMS. Portanto, a questão correta não é perguntar simplesmente: “Por que a empresa recebeu incentivo?” A pergunta mais importante é: “Por que recebeu esse volume de incentivo e qual foi o retorno econômico e social entregue ao Estado?” WELLINGTON AMPLIA A CRÍTICA Durante a sabatina, Wellington também tentou ampliar o debate. Segundo ele, a discussão não envolve apenas uma empresa. O candidato afirma que existe uma concentração de benefícios fiscais em grandes grupos econômicos. Ele resumiu sua crítica assim: “Mato Grosso é um estado muito rico, só que essa riqueza está ficando para poucos.” A estratégia política é clara. Wellington tenta construir uma narrativa de que o modelo econômico do atual grupo político beneficia grandes empresas enquanto pequenos e médios empresários enfrentam impostos, burocracia e dificuldades para crescer. Ao mesmo tempo, o candidato afirma não ser contra incentivos fiscais. A proposta defendida por ele é ampliar o acesso aos benefícios e exigir maior transparência sobre resultados. OS NÚMEROS DO ESTADO TAMBÉM CHAMAM ATENÇÃO A reportagem-base aponta que, entre 2019 e 2025, a renúncia fiscal total de Mato Grosso teria alcançado aproximadamente R$ 65,5 bilhões. Em 2023, segundo dados citados do Tribunal de Contas, 30 beneficiários teriam concentrado R$ 4,6 bilhões, equivalentes a 43,3% das renúncias daquele ano. Os dez maiores teriam recebido cerca de R$ 2,9 bilhões. Se esses dados forem considerados em conjunto, a discussão deixa de envolver apenas Pivetta ou a Natural Pork. Passa a ser uma discussão sobre o próprio modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo Estado. POR QUE ISSO PODE PESAR NA ELEIÇÃO? Porque economia costuma decidir eleição. Até agora, boa parte da campanha para o Governo tem girado em torno de
FALA DE VEREADOR CONTRADIZ ABILIO E REACENDE DEBATE SOBRE INTERFERÊNCIA NA ELEIÇÃO DA MESA
Prefeito dizia que não iria interferir na disputa da Câmara, mas Kassio Coelho afirmou ter conversado com ele para “montar uma estratégia” para a eleição A disputa pela próxima Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (15) e colocou novamente o prefeito Abilio Brunini (PL) no centro das articulações políticas do Legislativo. O motivo é uma declaração do vereador Kassio Coelho (Podemos), integrante da base governista, que afirmou ter conversado diretamente com o prefeito sobre a eleição da Mesa e sobre a construção de uma estratégia para a disputa. “Eu até falei com o prefeito ontem, né? A gente vai montar uma estratégia para a eleição”, declarou Kassio. A fala chama atenção porque contrasta com declarações anteriores de Abilio, que vinha afirmando publicamente que não pretendia interferir na escolha do comando da Câmara. Na prática, a declaração do vereador reacende uma pergunta que já circulava nos bastidores: o prefeito está apenas dialogando com sua base ou entrou de vez na articulação para definir quem comandará o Legislativo? ABILIO VINHA NEGANDO INTERFERÊNCIA Em entrevistas anteriores, Abilio sustentou que não pretendia se envolver diretamente na eleição da Mesa Diretora. O prefeito dizia que a escolha caberia aos vereadores e que sua relação com os parlamentares deveria se concentrar em pautas de interesse do município. Esse posicionamento funcionava como uma tentativa de afastar a imagem de ingerência do Palácio Alencastro sobre o Legislativo. Agora, porém, a própria fala de Kassio Coelho coloca esse discurso sob questionamento. Se há uma estratégia sendo discutida diretamente com o prefeito para a eleição da Mesa, a narrativa de que o Executivo está distante do processo passa a enfrentar uma evidente dificuldade política. REVÉS NO TJMT MUDOU O JOGO A nova articulação acontece depois que o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso negou pedido do Executivo em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. A ação buscava alterar trechos da Lei Orgânica e abrir caminho para mudanças no Regimento Interno da Câmara, o que poderia facilitar juridicamente uma nova candidatura da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL). Com a negativa do Tribunal, a situação de Paula ficou mais incerta. E é justamente a partir daí que surgem nomes alternativos dentro da base. BASE JÁ TRABALHA COM OUTROS NOMES Kassio Coelho confirmou que, caso Paula não consiga superar as barreiras regimentais, o grupo governista possui outras opções para a disputa. Entre os nomes citados estão: Kassio Coelho, Marcos Brito e Kero Kero. O próprio vereador admitiu que esses nomes vêm sendo discutidos como possíveis substitutos. “Ventilou o nome do Kero Kero e Marcos Brito, são dois colegas nossos que estão preparados para também substituir aí a Paula, caso ela não consiga ser candidata”, afirmou. Isso mostra que a base governista já trabalha com cenários alternativos para tentar manter influência sobre o comando da Câmara. TRÊS GRUPOS SE MOVIMENTAM Além do grupo ligado à atual presidente e da base que busca alternativas, outros vereadores também se movimentam. As chapas lideradas por Ilde Taques (Podemos) e Dilemário Alencar (União Brasil) entram nessa disputa e ajudam a formar um cenário de divisão dentro da Casa. Na prática, três blocos começam a disputar espaço: o grupo que tenta viabilizar a continuidade de Paula Calil; o grupo governista que admite trabalhar com nomes alternativos; e os vereadores que constroem candidaturas próprias. ONDE TERMINA O DIÁLOGO E COMEÇA A INTERFERÊNCIA? Esse é o ponto que deve dominar o debate nos próximos dias. Prefeitos dialogarem com vereadores é algo normal na política. Executivo e Legislativo precisam conversar sobre orçamento, projetos, prioridades e governabilidade. Mas a eleição da Mesa Diretora é uma decisão interna da Câmara. É aí que surge a discussão. Se Abilio apenas conversa com aliados, isso pode ser visto como articulação política. Se participa da definição de nomes, estratégias e movimentos para controlar o comando da Casa, a percepção muda. A fala de Kassio não prova, sozinha, nenhuma irregularidade. Mas politicamente coloca o prefeito numa posição desconfortável porque contradiz a imagem que ele vinha tentando passar de neutralidade. “NÃO VOU INTERFERIR” X “VAMOS MONTAR UMA ESTRATÉGIA” Essa é a contradição central. De um lado, Abilio afirmou que não iria interferir. Do outro, um vereador de sua própria base diz que conversou com ele para montar uma estratégia para a eleição. As duas falas agora passam a coexistir no mesmo cenário. E isso abre espaço para uma leitura política inevitável: o prefeito está mais envolvido do que admitia publicamente? Essa resposta ainda não está dada. Mas o debate já está aberto. A DISPUTA VAI ALÉM DA PRESIDÊNCIA A eleição da Mesa Diretora não é apenas uma disputa por cargo. Quem preside a Câmara tem influência sobre a pauta de votações, condução das sessões, organização dos trabalhos e relação institucional com o Executivo. Por isso, o comando da Casa é estratégico para qualquer prefeito. Ter uma presidência alinhada facilita diálogo e governabilidade. Ter uma presidência independente pode aumentar o nível de cobrança. É exatamente por isso que cada movimento nessa eleição ganha peso político. O QUE DEVE ACONTECER AGORA Com a candidatura de Paula ainda cercada de dúvidas jurídicas e com outros nomes sendo ventilados, a tendência é de que as articulações se intensifiquem. Os vereadores precisarão decidir se seguem a orientação de grupos políticos ou se constroem acordos internos. Abilio, por sua vez, terá de administrar um novo problema de discurso: continuar dizendo que não interfere enquanto sua própria base admite que existe estratégia sendo discutida com ele. No fim, a pergunta que fica é simples: se o prefeito não interfere, por que a eleição da Mesa está sendo discutida diretamente com ele? Os próximos dias devem mostrar até onde vai essa participação. Fonte: Gazeta Digital MT Urgente NewsPolítica | Cuiabá
Sine-MT oferta 2,1 mil vagas de emprego em Mato Grosso; Cuiabá e VG concentram 589 oportunidades
Região metropolitana reúne 456 vagas para o público geral e outras 133 destinadas a pessoas com deficiência; oportunidades abrangem diferentes áreas e níveis de escolaridade O Sistema Nacional de Emprego de Mato Grosso (Sine-MT) disponibiliza, nesta semana, 2.128 vagas de trabalho em diferentes municípios do Estado. As oportunidades contemplam diversas áreas profissionais e níveis de escolaridade, incluindo funções como auxiliar de linha de produção, promotor de vendas, carpinteiro, eletricista, farmacêutico, motorista, atendente de padaria, pintor industrial, entre outras. Na região metropolitana, Cuiabá e Várzea Grande concentram 456 oportunidades destinadas ao público em geral. O maior número de vagas é para auxiliar de linha de produção, com 227 postos disponíveis. Também se destacam as oportunidades para promotor de vendas, com 29 vagas; auxiliar geral de conservação de vias permanentes, com 12; instrutor de aprendizagem e treinamento industrial, com oito; carpinteiro e estoquista, com sete vagas cada. O mercado também oferece oportunidades para ajudante de carga e descarga de mercadorias, orientador de tráfego para estacionamento, repositor de mercadorias, eletricista, auxiliar de limpeza e instalador de sistemas eletroeletrônicos de segurança, entre outras funções. Há ainda vagas para motorista entregador, borracheiro, jardineiro, operador de vendas, atendente de lojas, farmacêutico, montador de estruturas metálicas, técnico agropecuário e auxiliar administrativo. Para pessoas com deficiência (PCD), Cuiabá e Várzea Grande contam com outras 133 vagas. Entre os postos disponíveis estão 57 para auxiliar de linha de produção, 15 para auxiliar administrativo, sete para promotor de vendas, sete para motorista de caminhão e sete para auxiliar geral de conservação de vias permanentes. Também há oportunidades para operador de máquinas, ajudante de carga e descarga, auxiliar de expedição, técnico em segurança do trabalho, auxiliar de cobrança e monitor de sistemas eletrônicos de segurança. No interior do Estado, Cáceres reúne 186 vagas nesta semana, com destaque para as funções de vendedor de serviços, operador de produção, auxiliar de linha de produção, trabalhador agropecuário, operador de processo de produção e operador de caixa. Também estão disponíveis oportunidades para vendedor interno, instrumentista de precisão, eletricista de instalações, mecânico de manutenção de máquinas industriais, controlador de pragas, operador de empilhadeira e atendente de lojas e mercados. Em Barra do Garças, são 115 vagas, principalmente para operador de caixa, operador de processo de produção, desossador e repositor de mercadorias. O município também possui oportunidades para magarefe, açougueiro, atendente de padaria, mecânico de automóveis e caminhões, encarregado de expedição, recepcionista, auxiliar administrativo, eletricista e coordenador pedagógico. Rondonópolis aparece com 108 oportunidades, incluindo 17 vagas para servente de obras, 15 para mecânico de veículos automotores e 10 para operador de caixa. A lista também contempla postos para vendedor interno, vaqueiro, auxiliar de limpeza, pintor industrial, motorista entregador, vigilante patrimonial, técnico de planejamento de obras e auxiliar de faturamento. A relação completa das oportunidades da Rede Sine pode ser consultada diariamente no Portal Emprega Brasil e na plataforma Empregos MT. A oferta é atualizada continuamente, conforme novos postos são cadastrados pelas empresas e empregadores. Além da intermediação de mão de obra, as unidades do Sine-MT oferecem serviços como habilitação do seguro-desemprego e orientação para utilização da Carteira de Trabalho Digital. Para atendimento presencial, os candidatos devem apresentar os documentos pessoais e consultar a disponibilidade das vagas no momento do atendimento. Na região metropolitana, as unidades do Ganha Tempo Ipiranga, CPA I e Pedra 90 funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Já a unidade do Sine localizada no Centro Estadual de Cidadania do Várzea Grande Shopping atende o público das 10h às 17h30. Pela plataforma Empregos MT, os trabalhadores podem buscar oportunidades compatíveis com seus perfis, acompanhar o andamento das candidaturas e receber notificações sobre as etapas dos processos seletivos. O sistema também auxilia os empregadores na identificação de profissionais que correspondam aos requisitos das vagas cadastradas.
Coligação de Lula aciona TSE contra Abilio por declarações sobre eleitores do presidente
Representação aponta suposta propaganda eleitoral negativa e pede retirada de conteúdo das redes sociais, além de multa de até R$ 30 mil. A coligação que reúne partidos de esquerda em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), por declarações feitas contra o petista e seus eleitores. O grupo pede a retirada das publicações das redes sociais e a aplicação de multa por suposta propaganda eleitoral negativa irregular. A iniciativa ocorreu após declarações feitas por Abilio no dia 7 de setembro, quando o prefeito afirmou que, entre os principais eleitores de Lula, estariam “presidiários, faccionados, drogados” e dependentes químicos. Na mesma manifestação, ele também relacionou apoiadores do presidente a pessoas que, segundo ele, defendem aborto, prostituição e “promiscuidade”. Na representação, a coligação formada por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede sustenta que as declarações extrapolam os limites da crítica política e caracterizam uma tentativa de atingir negativamente a imagem do presidente e de seu eleitorado durante o período eleitoral. Os advogados de Lula afirmam ainda que o conteúdo foi reproduzido por Abilio em seu perfil no Instagram, que possui cerca de 1,7 milhão de seguidores. Para a defesa, o alcance da página amplia o potencial de disseminação das declarações e justifica o pedido de aplicação da multa no valor máximo previsto, de até R$ 30 mil. Segundo a ação, a publicação teria associado diretamente o voto em Lula à criminalidade organizada e à marginalidade social. A defesa argumenta que a manifestação procurou “desumanizar, rotular e agredir” eleitores do presidente, sem apresentar dados ou evidências capazes de sustentar as afirmações. A coligação também afirma que Abilio teria utilizado a reprodução de um conteúdo jornalístico como instrumento de propaganda eleitoral negativa, com o objetivo de ampliar o alcance das declarações e provocar desgaste político à candidatura de Lula. Agora, caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados na representação e decidir sobre os pedidos formulados pela coligação.
Saúde vira desafio central para candidatos ao Governo de Mato Grosso
Propostas para reduzir filas, regionalizar atendimentos e ampliar serviços do SUS divergem entre os seis candidatos, mas ainda enfrentam questionamentos sobre recursos, profissionais e prazos Reduzir as filas por consultas, exames e cirurgias, ampliar a oferta de especialistas no interior e garantir atendimento mais próximo da população estão entre os principais desafios colocados para o próximo governador de Mato Grosso. Em um Estado de grandes distâncias territoriais, pacientes ainda enfrentam deslocamentos de centenas de quilômetros em busca de atendimento especializado, enquanto hospitais e unidades regionais convivem com dificuldades relacionadas à estrutura, pessoal e custeio. Os seis candidatos ao Governo de Mato Grosso apresentam propostas distintas para enfrentar os gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS). Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Milas (Missão), Maurício Coelho (Mobiliza) e Sargento Laudicério (Agir) defendem, em diferentes níveis, a regionalização da saúde, a modernização da regulação, o uso da tecnologia e a redução do tempo de espera. A diferença está principalmente na estratégia adotada por cada candidatura. Enquanto Pivetta aposta na continuidade e ampliação da estrutura construída pela atual gestão, Wellington prioriza a utilização da capacidade instalada da rede privada e ferramentas digitais. Natasha concentra o programa no enfrentamento das filas e na valorização dos profissionais, enquanto Milas estabelece metas quantitativas e prazos. Maurício apresenta como uma das principais promessas a eliminação de esperas superiores a 90 dias, e Laudicério prioriza a atenção básica e a descentralização. Candidato à reeleição, Otaviano Pivetta coloca a expansão da estrutura física como um dos pilares de sua proposta. O plano prevê a conclusão e entrada em funcionamento dos hospitais regionais de Juína, Tangará da Serra e Confresa, além do avanço da segunda etapa do Hospital Central de Cuiabá. Também estão previstos projetos de hospitais ou prontos-socorros em Várzea Grande, Barra do Garças, Rondonópolis e Pontes e Lacerda. Outra frente apresentada pelo candidato é a criação de oito Centros Regionais de Diagnóstico, previstos para Cáceres, Alta Floresta, Tangará da Serra, Juína, Confresa, Cuiabá, Água Boa e Ribeirão Cascalheira. As unidades deverão ampliar a oferta de exames laboratoriais e de imagem de maior complexidade fora da capital. Na área de gestão, Pivetta propõe integrar a regulação estadual e municipal por meio do Regula MT, implantar um prontuário único, utilizar WhatsApp e SMS para comunicação com pacientes, ampliar a telessaúde e levar a cobertura móvel de urgência e emergência a todo o Estado até 2028. O programa também prevê ampliar credenciamentos complementares ao SUS e fortalecer os consórcios intermunicipais. Para Wellington Fagundes, uma das alternativas para acelerar o atendimento é utilizar a capacidade ociosa existente na rede particular. O candidato propõe ampliar a contratação de hospitais e clínicas privadas para a realização de exames e cirurgias, além de criar um sistema integrado de regulação, aplicativo para agendamento e prontuário digital. A proposta inclui ainda uma central estadual para emissão de laudos, criação de uma rede estadual de transplantes com o Hospital Central como referência, regionalização dos centros de reabilitação, ampliação do atendimento domiciliar e garantia de fornecimento contínuo de medicamentos. Wellington também defende a implantação de hospitais universitários em Sinop e Rondonópolis. Na área de recursos humanos, o programa prevê dimensionar a força de trabalho e valorizar os profissionais da saúde. A proposta, entretanto, não estabelece uma quantidade específica de concursos ou novas contratações, deixando em aberto a dimensão necessária para suprir a demanda das unidades existentes e das estruturas previstas. Médica e candidata ao Governo, Natasha Slhessarenko coloca o combate às filas no centro de sua proposta. A candidata defende a criação de uma fila estadual única, pública e auditável para consultas, exames e cirurgias, permitindo ao paciente acompanhar sua posição e ter acesso à estimativa de espera. Entre as medidas apresentadas estão mutirões regionais para exames e procedimentos eletivos, rodízio de especialistas em unidades de atenção primária e hospitais regionais e ampliação da telessaúde. Natasha também propõe concurso público, plano de carreira para os servidores estaduais do SUS e cumprimento do piso da enfermagem. O programa prevê ainda a ampliação de serviços de diálise, oncologia, infusão e quimioterapia, além de novos Centros de Atenção Psicossocial do tipo CAPS III. Outra frente seria a realização de auditorias técnicas e contábeis nos contratos da Secretaria de Estado de Saúde. Apesar do detalhamento de várias ações, nem todas apresentam estimativa individualizada de custos ou cronograma anual de execução. Rafaell Milas também aposta na transparência da regulação e estabelece uma meta de 180 dias para que todas as solicitações reguladas possam ser consultadas digitalmente. A proposta prevê que o cidadão tenha acesso à posição na fila, à previsão de espera e aos critérios de prioridade clínica. O candidato estabelece ainda a meta de reduzir em 45% o tempo médio de espera para exames de alta complexidade. Entre as demais propostas estão a contratação de especialistas para hospitais regionais, ampliação dos consórcios de saúde, criação de centrais integradas para transporte de pacientes e expansão da cobertura aeromédica nas regiões Norte e Araguaia. Outra medida apresentada por Milas é vincular os repasses destinados às organizações responsáveis pela administração de unidades públicas ao cumprimento de metas relacionadas a exames, cirurgias, segurança hospitalar e satisfação dos usuários. Maurício Coelho apresenta uma das metas mais específicas entre os candidatos ao propor zerar as filas de cirurgias eletivas com espera superior a 90 dias. As áreas consideradas prioritárias incluem oftalmologia, ortopedia, ginecologia e urologia. O candidato também propõe modernizar o Laboratório Central de Mato Grosso, descentralizar postos de coleta, apoiar financeiramente os municípios na recuperação das unidades básicas e ampliar o uso da telessaúde. Outra proposta é a adoção de contratos de desempenho para unidades administradas por organizações sociais. O programa inclui ainda o chamado Mato Grosso Sem Dor, voltado ao atendimento multidisciplinar de pessoas com dores crônicas, e uma força-tarefa permanente para fiscalizar contratos, compras, estoques e serviços do SUS. Para financiar parte das medidas, Maurício aponta a revisão de benefícios e renúncias fiscais concedidos pelo Estado. Já Sargento Laudicério concentra a proposta no fortalecimento da atenção básica, na integração entre Estado
Vistoria inicia recuperação do Museu do Rio e reforça plano para revitalizar Orla do Porto
Levantamento técnico vai avaliar estrutura do prédio histórico e definir intervenções necessárias para a reforma do espaço Uma equipe técnica da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) iniciou, nesta segunda-feira (14), a vistoria das condições estruturais do Museu do Rio Cuiabá “Hid Alfredo Scaff”, localizado na Orla do Porto. O levantamento faz parte do plano de contingência elaborado em conjunto pela Prefeitura de Cuiabá e pelo Governo de Mato Grosso para recuperar o complexo e ampliar as condições de segurança e utilização do espaço. A inspeção ocorre após reunião realizada no dia 4 de setembro entre o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura, Fellipe Corrêa, e a secretária adjunta de Cidades da Sinfra, Rafaela Damiani. Durante o encontro, o Governo do Estado apresentou as ações previstas para a recuperação da Orla do Porto e definiu os primeiros encaminhamentos técnicos. No Museu do Rio, os profissionais analisam pontos como cobertura, paredes e demais elementos da estrutura. O objetivo é identificar as intervenções necessárias para solucionar problemas existentes no prédio, entre eles danos no telhado e infiltrações, e estabelecer as condições para a execução da futura reforma. Instalado no antigo Mercado do Peixe, uma construção de 1899, o Museu do Rio Cuiabá é um dos importantes espaços de preservação da memória e do patrimônio histórico da Capital. O imóvel integra o conjunto turístico e cultural da Orla do Porto e a recuperação de sua estrutura é considerada uma das prioridades dentro do processo de revitalização da região. Para Fellipe Corrêa, o início da vistoria representa um avanço concreto na execução do plano construído entre Município e Estado. “Essa parceria começa a se tornar realidade hoje, com o levantamento para a reforma do Museu do Rio. É uma etapa essencial para definir as intervenções necessárias e avançar na recuperação do espaço, a joia principal da Orla do Porto”, afirmou. Além do museu, o projeto de recuperação contempla outras áreas do complexo, com previsão de melhorias nos pisos, modernização da iluminação e correção das estruturas de contenção da Orla do Porto. As medidas buscam recuperar a infraestrutura e proporcionar melhores condições para a circulação e permanência de moradores e visitantes. Na área de segurança, a Prefeitura de Cuiabá também prepara a instalação de 98 câmeras de videomonitoramento. Os equipamentos serão distribuídos em pontos como o Mercado do Porto, a Orla, o parquinho, o Aquário Municipal e o Museu do Rio, ampliando o acompanhamento da movimentação na região e oferecendo maior segurança a comerciantes, moradores e turistas. Conforme o cronograma apresentado pela Sinfra, o projeto de recuperação da Orla deve avançar ao longo dos próximos 30 dias. A expectativa é que a contratação das obras ocorra até o final deste ano, com previsão de início dos serviços em 2027, após o cumprimento das etapas técnicas e administrativas. A iniciativa reúne ações de infraestrutura, segurança e preservação do patrimônio histórico e busca devolver melhores condições de uso a um dos principais espaços de convivência, cultura e turismo de Cuiabá.
Wellington Fagundes já destinou mais de R$ 240 mil a aliados do PL nas eleições
O candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), já declarou à Justiça Eleitoral mais de R$ 240 mil em doações para cinco candidatos do próprio partido que disputam cargos nas eleições deste ano. Os dados constam no sistema de Consulta de Doadores e Fornecedores da Justiça Eleitoral e mostram que a maior parcela dos recursos foi destinada à candidata ao Senado Janaina Riva (MDB), nora de Fagundes. Janaina aparece no topo da lista de beneficiários, com pouco mais de R$ 126 mil recebidos por meio das doações declaradas pelo candidato. Na sequência está o deputado federal José Medeiros (PL), candidato ao Senado, que recebeu aproximadamente R$ 100 mil distribuídos em 11 repasses. Entre os demais nomes contemplados estão o deputado estadual Gilberto Cattani (PL), candidato à reeleição, que recebeu R$ 3,6 mil. O deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL) aparece com R$ 1,6 mil em quatro transferências, enquanto José Márcio Guedes (PL), que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa, recebeu R$ 1,5 mil. De acordo com as informações prestadas à Justiça Eleitoral, os valores destinados aos candidatos podem ter origem no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), no Fundo Partidário ou em recursos provenientes de doações privadas recebidas pela própria campanha de Wellington Fagundes. Somadas, as transferências declaradas ultrapassam R$ 240 mil e demonstram a estratégia de distribuição de recursos adotada pelo candidato dentro do grupo político do Partido Liberal durante a atual disputa eleitoral.
“VOTE EM MIM E EM ALGUÉM DA FAMÍLIA”: dobradinhas familiares chamam atenção na eleição de MT
Em diferentes regiões, parentes de prefeitos, senadores e deputados entram na disputa; movimento levanta uma pergunta: isso fortalece os grupos ou torna a competição interna ainda mais desigual? Você já reparou como, nesta eleição em Mato Grosso, várias candidaturas aparecem ligadas diretamente a nomes que já ocupam ou ocuparam cargos importantes? Em alguns casos, o eleitor se depara com uma espécie de dobradinha política: um nome já conhecido pede apoio e, ao mesmo tempo, outro integrante da família também entra na disputa. Esposa de prefeito. Filha de senador. Irmã de deputada. Filho de prefeito. Ex-esposa de prefeito. Não há, por si só, qualquer irregularidade nisso. O parentesco não impede automaticamente uma candidatura, desde que as regras eleitorais sejam respeitadas. Mas politicamente, o fenômeno chama atenção. A sensação para parte do eleitorado pode ser simples: quem já tem força política tenta ampliar essa presença colocando mais alguém da própria família na disputa. E isso gera uma questão interessante para esta eleição: até que ponto essa estrutura ajuda o familiar candidato e até que ponto complica a vida dos demais nomes da mesma chapa? SAMANTHA DO ABILIO EM CUIABÁ Um dos exemplos mais visíveis está na Capital. Samantha Íris, esposa do prefeito Abilio Brunini, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Ela já exerce mandato de vereadora e, portanto, possui trajetória política própria. Mas o próprio nome de urna, “Samantha do Abilio”, mostra como a ligação com o prefeito faz parte da identidade eleitoral construída para esta disputa. Do ponto de vista político, essa relação pode representar uma vantagem: Abilio possui eleitorado próprio, exposição diária e uma estrutura política consolidada em Cuiabá. A dúvida é saber quanto desse capital político é transferido automaticamente. JÉSSICA RIVA E UM SOBRENOME CONHECIDO Outro caso é Jéssica Riva, irmã de Janaina Riva. O sobrenome Riva já faz parte da política de Mato Grosso há décadas. Janaina disputa o Senado, enquanto Jéssica busca espaço na Assembleia Legislativa. Para o eleitor, isso cria duas leituras possíveis. Uma é de continuidade de um grupo político que já possui presença e experiência. Outra é a de concentração de espaço dentro da mesma família. Qual dessas leituras prevalecerá nas urnas só o eleitor poderá responder. FILHA DE SENADOR, RAFAELA FÁVARO TAMBÉM ESTÁ NA DISPUTA No PSD, Rafaela Fávaro, filha do senador Carlos Fávaro, também concorre à Assembleia. Ela já teve exposição eleitoral própria ao participar da disputa municipal em Cuiabá. Ainda assim, o sobrenome traz uma vantagem óbvia: reconhecimento. Quem possui um pai senador, ex-ministro e liderança estadual entra na campanha sem precisar começar do zero em termos de visibilidade. Mas isso não significa eleição garantida. Em uma disputa proporcional, o candidato precisa transformar reconhecimento em voto. RONDONÓPOLIS TEM ALESSANDRA FERREIRA Em Rondonópolis, Alessandra Ferreira, esposa do prefeito Cláudio Ferreira, também disputa vaga de deputada estadual. O prefeito possui força política local e capacidade de mobilização. Isso naturalmente ajuda a candidatura? Provavelmente ajuda na construção de base, agenda e visibilidade. Mas também abre outro debate: como ficam os demais candidatos do mesmo partido que disputam o mesmo eleitorado e não possuem uma prefeitura ou liderança desse tamanho por trás? É uma pergunta, não uma conclusão. EM ALTA FLORESTA, GEOVANE GAMBA É FILHO DO PREFEITO No Norte, Geovane Gamba, filho do prefeito de Alta Floresta, Chico Gamba, é outro nome da disputa. Mais uma vez aparece a mesma lógica. Uma liderança municipal forte tenta transformar influência local em representação estadual. Para o grupo político, isso pode ser estratégico. Para os concorrentes da própria chapa, significa enfrentar alguém que já chega com um município importante como base eleitoral. SCHEILA PEDROSO MOSTRA QUE NEM TODA RELAÇÃO FAMILIAR É ALIANÇA POLÍTICA O caso de Scheila Pedroso, ex-esposa do prefeito de Sinop Roberto Dorner, é diferente. Ela também está na disputa pela Assembleia, mas o ex-prefeito já declarou publicamente que não faria campanha para ela. Esse exemplo é importante porque mostra que parentesco ou relação familiar não significa automaticamente apoio, estrutura compartilhada ou atuação conjunta. Cada candidatura possui contexto próprio. AFINAL, O SOBRENOME AJUDA QUANTO? Essa talvez seja a pergunta central. Um nome ligado a uma liderança conhecida normalmente começa a corrida com algumas vantagens: maior reconhecimento; mais facilidade para acessar lideranças; estrutura de campanha já organizada; rede de apoiadores; e presença em municípios onde o familiar já possui influência. Mas existe também um risco. O eleitor pode interpretar aquela candidatura como alguém tentando construir carreira própria. Ou pode enxergar simplesmente uma tentativa de ampliação de poder familiar. Essa percepção varia de caso para caso. E OS OUTROS CANDIDATOS DA CHAPA? Esse é outro ponto interessante. Em eleições proporcionais, todos os candidatos de um partido ajudam a legenda a conquistar vagas. Ao mesmo tempo, disputam votos entre si. Por isso, quando um nome entra na disputa carregando prefeitura, mandato, senador, deputado ou estrutura familiar forte, surge naturalmente uma questão interna: a competição continua equilibrada? Formalmente, sim. Todos disputam a mesma eleição. Mas politicamente, é claro que estruturas não são iguais. Um candidato sem mandato e sem sobrenome conhecido precisa construir visibilidade quase do zero. Outro pode começar a eleição já conhecido por milhares de eleitores. Isso não significa que o partido esteja necessariamente privilegiando alguém. Significa apenas que candidatos entram na disputa em condições políticas diferentes. PARTIDOS GOSTAM DESSAS DOBRADINHAS? Do ponto de vista eleitoral, há motivos para gostar. Nomes conhecidos podem ajudar a puxar votos, fortalecer a chapa e ampliar presença regional. Para um partido, ter uma candidatura ligada a um prefeito forte pode significar entrar em uma cidade com estrutura pronta. Ter alguém ligado a um senador ou deputado conhecido pode ampliar a lembrança da legenda. Mas também há um desafio. Quando muitos votos e recursos políticos ficam concentrados em poucos grupos, outros candidatos podem sentir que precisam competir não apenas contra adversários de outros partidos, mas também contra estruturas internas maiores. É justamente aí que a política interna das chapas se torna mais delicada. É RENOVAÇÃO OU CONTINUIDADE? Talvez a eleição de 2026 em Mato Grosso coloque essa discussão de forma ainda mais
Deputado participa da Expopet e destaca avanços na proteção animal em Mato Grosso
Max já destinou quase R$ 2 milhões para ações do setor, viabilizou mais de 700 castrações e articula implantação do primeiro Hospital Veterinário Público Estadual O deputado estadual Max Russi (Podemos), candidato à reeleição, participou da 4ª Expopet, na noite deste domingo (13), no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá. Entre pets, tutores, protetores e profissionais do setor, Max reforçou uma bandeira que acompanha sua atuação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT): a defesa e o bem-estar dos animais. Mais do que apoiar a causa, Max confidenciou que também se considera um protetor, ao acolher animais domésticos e silvestres em recuperação, em uma propriedade da família. E destaca que a relação com os animais vem de um sentimento pessoal. “Quem convive com um animal sabe o carinho que eles oferecem e também a responsabilidade que temos de cuidar e proteger. Por isso, tenho buscado transformar esse sentimento em ações concretas e políticas públicas que realmente façam a diferença”, destacou Max. AÇÕES DIRETAS Ao longo de sua atuação, Max já destinou quase R$ 2 milhões para iniciativas ligadas à proteção e ao bem-estar animal. Os recursos ajudaram a viabilizar mais de 700 castrações gratuitas, além de ações de distribuição de ração para animais de famílias em situação de vulnerabilidade. Além disso, o deputado articula a implantação do primeiro Hospital Veterinário Público Estadual de Mato Grosso. A proposta busca ampliar o acesso aos serviços veterinários, principalmente para famílias que não conseguem arcar com atendimento particular. Max também apoiou a criação do Ser Família Pet e do Fundo Estadual de Proteção Animal. Da mesma forma, fortaleceu o Grupo de Trabalho em Defesa da Causa Animal da ALMT, que ampliou a articulação entre protetores, entidades e poder público. A atuação também chegou à legislação. Max é autor da Lei nº 12.646/2024, conhecida como Abril Laranja, que estabelece uma política permanente de conscientização, prevenção e combate aos maus-tratos contra animais em Mato Grosso. Outra iniciativa de sua autoria é a Lei nº 12.851, que instituiu o Programa EcoBike. A medida busca reduzir gradualmente o uso de veículos de tração animal nas áreas urbanas e incentivar alternativas que preservem o bem-estar dos animais.
SINAL AMARELO NO PT: Flávio passa Lula numericamente e eleição entra em fase que pode redefinir o ciclo político do país
Quaest coloca Flávio Bolsonaro com 42% contra 40% de Lula no segundo turno; presidente ainda lidera no primeiro, mas desgaste do governo, avanço entre independentes e ausência de sucessor claro pressionam o projeto petista A eleição presidencial de 2026 entrou em uma fase que pode marcar mais do que uma simples troca ou manutenção de governo. Pode estar em jogo o encerramento de um ciclo político. Pela primeira vez nesta campanha, Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno, segundo a nova pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14). Flávio marca 42%, contra 40% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado ainda representa empate técnico. Mesmo assim, o dado tem peso político porque, na rodada anterior, os dois estavam empatados em 41%. No primeiro turno, Lula continua liderando, com 36%, enquanto Flávio aparece com 31%. Augusto Cury registra 7%; Renan Santos e Ronaldo Caiado, 4% cada; Romeu Zema aparece com 1%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 7%, enquanto 10% permanecem indecisos. O ponto central, portanto, não é dizer que Lula está derrotado. Não está. Mas a fotografia desta reta final mostra algo que durante boa parte do ciclo político recente parecia improvável: Lula já não consegue impor vantagem clara sobre seu principal adversário. DE FAVORITO A CANDIDATO SOB PRESSÃO O problema para o PT começa quando a Quaest deixa de ser analisada isoladamente. Outros levantamentos recentes também apresentam uma disputa extremamente apertada. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 47% e Flávio com 46% em uma eventual segunda rodada. A Meio/Ideia registrou empate em 46% a 46%, enquanto a Palver mostrou Flávio numericamente à frente, por 46% a 44%. Institutos diferentes, metodologias diferentes, resultados ligeiramente diferentes. Mas uma conclusão começa a se repetir: a eleição está aberta. E talvez esse seja o dado mais desconfortável para um presidente que tenta conquistar mais um mandato. APROVAÇÃO TAMBÉM PREOCUPA O PLANALTO A dificuldade de Lula não aparece apenas na intenção de voto. A Quaest aponta 43% de aprovação do governo, mesmo patamar da semana anterior, mas abaixo dos 48% registrados em agosto. Já o Datafolha mostrou 42% dos entrevistados avaliando o governo como ruim ou péssimo, contra 32% que o classificam como ótimo ou bom. Na avaliação pessoal do presidente, 50% desaprovam e 47% aprovam sua atuação. Para quem ocupa o Palácio do Planalto, esse é um sinal importante. Presidente candidato à reeleição não disputa apenas contra o adversário. Disputa também contra a avaliação dos próprios quatro anos de governo. Preço dos alimentos, segurança, economia, crises políticas e percepção de futuro entram diretamente na urna. FLÁVIO ENTRA NUM TERRITÓRIO QUE LULA PRECISA RECUPERAR Um dos números mais relevantes da Quaest está entre os eleitores independentes. Nesse grupo, formado por quem não se identifica diretamente nem com lulismo nem com bolsonarismo, Flávio aparece com 36% contra 26% de Lula. São dez pontos de diferença. Esse eleitor é especialmente importante porque a base mais fiel dos dois candidatos já está relativamente consolidada. A eleição poderá ser decidida justamente por quem não deseja escolher apenas com base na polarização. E pesquisas mostram que, entre os não polarizados, temas como saúde e segurança pública aparecem entre as principais preocupações. SUDESTE ACENDE OUTRO ALERTA O cenário também é delicado para Lula na maior região eleitoral do país. Na Quaest, Flávio aparece com 47% no Sudeste, contra 31% de Lula. São 16 pontos de vantagem. A distância havia sido de nove pontos na rodada anterior. Como os recortes possuem margens de erro maiores, não se deve tratar essa oscilação como uma tendência consolidada. Mas o sinal político é evidente: Lula precisa evitar uma derrota muito ampla na região mais populosa do Brasil. O Datafolha também mostrou dificuldades importantes para Lula em estados estratégicos. Em São Paulo, por exemplo, apenas 25% avaliaram positivamente seu governo, enquanto 48% fizeram avaliação negativa. O PROBLEMA DO PT PODE SER MAIOR QUE LULA X FLÁVIO Existe ainda um problema que nenhuma pesquisa de intenção de voto consegue resolver. Quem será o PT depois de Lula? Durante décadas, o partido construiu sua estratégia nacional em torno de uma liderança política muito acima das demais. Lula continua sendo o maior ativo eleitoral petista. Mas também se tornou sua maior dependência. O PT possui governadores, ministros, parlamentares e lideranças nacionais. O que não possui até agora é um sucessor capaz de reproduzir o mesmo grau de identificação popular e capacidade eleitoral de Lula. Por isso, uma eventual derrota em 2026 teria significado muito maior do que simplesmente entregar o Palácio do Planalto. Obrigaria o partido a enfrentar uma pergunta que vem sendo adiada: como sobreviver eleitoralmente sem Lula no centro do projeto? ANÁLISE | ALEX RABELO O PT ainda não acabou. Mas o lulismo já mostra sinais de que não controla mais sozinho o jogo Por Alex Rabelo — jornalista e estrategista político A política costuma avisar quando um ciclo começa a perder força. Nem sempre isso acontece numa derrota. Às vezes acontece antes. Acontece quando o candidato que parecia quase imbatível passa a disputar ponto a ponto. Acontece quando a vantagem desaparece. Acontece quando o adversário começa a crescer exatamente no eleitor que decide eleição. É isso que merece atenção agora. Não vejo base responsável para afirmar que estamos assistindo ao fim do PT. Mas vejo sinais claros de que a era em que Lula determinava sozinho o ritmo da eleição pode estar chegando ao limite. Lula deixou de ser inevitável Durante muitos anos, Lula entrou em campanhas carregando algo muito poderoso: a sensação de inevitabilidade. Mesmo quando enfrentava rejeição, havia entre seus apoiadores e adversários a percepção de que ele possuía um piso eleitoral extremamente sólido e capacidade de crescimento muito superior à dos demais. Em 2026, isso mudou. Lula continua forte. Mas não está sobrando. Quando um presidente disputando a reeleição aparece em empate técnico sucessivo contra o principal adversário, a pergunta deixa de ser “quem consegue alcançar