A Câmara Setorial Temática (CST) da Mineração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) está ampliando o diálogo com diferentes segmentos da atividade mineral. Entre eles está um setor que nem sempre é associado à mineração: a produção de água mineral. A iniciativa busca ouvir empresários, especialistas e representantes da cadeia produtiva para identificar dificuldades e construir propostas que contribuam para o desenvolvimento do setor em Mato Grosso. A Água Sapoti, instalada em Chapada dos Guimarães, a cerca de 70 quilômetros de Cuiabá, é um dos exemplos levados ao debate. A empresa familiar é comandada pela médica e empresária Paulete Maria Dossena Grando, ao lado das filhas Letícia e Rafaela. A história começou em 1991, quando a família adquiriu uma propriedade a 18 quilômetros da cidade. No local, encontrou uma cachoeira e, após análises técnicas, descobriu a existência de água mineral naturalmente fluoretada. No entanto, transformar o recurso natural em atividade produtiva exigiu anos. O processo para exploração começou em 2006, enquanto a indústria entrou efetivamente em operação apenas em 2015. Segundo Paulete, a trajetória revela desafios relacionados à burocracia, análises laboratoriais, documentação, infraestrutura e logística. “Temos que ajustar todos os dias, porque, quando você pensa que superou uma questão, surge outra”, relatou. Atualmente, a Sapoti produz garrafões de 20 litros, copos e embalagens PET, com água com e sem gás. Cerca de 20 pessoas trabalham diretamente na operação. Apesar da estrutura instalada, a empresa utiliza entre 25% e 30% de sua capacidade. Segundo Paulete, com aproximadamente 75% da capacidade produtiva em funcionamento, a estrutura poderia chegar a cerca de 100 trabalhadores. Além disso, custos de transporte e insumos dificultam a expansão. A meta é ampliar a presença da marca em Mato Grosso e, futuramente, alcançar o Mercosul. “Apesar de todos os desafios, hoje temos a atenção do Poder Público, que nunca tivemos antes com a CST, e acreditamos que essa oportunidade de diálogo fará a diferença para esse futuro que queremos conquistar.”, concluiu Paulete. Paulete e as filhas. Arquivo pessoal Espaço para ouvir quem produz Para o presidente da ALMT, deputado estadual Max Russi (Podemos), e presidente e idealizador da CST da Mineração, o diálogo permite ao Legislativo conhecer diferentes realidades e buscar soluções para o setor. “Mato Grosso tem um potencial mineral enorme e precisamos conhecer toda essa cadeia. Quando falamos em mineração, estamos falando de diferentes atividades, inclusive da água mineral. A CST tem justamente essa função: ouvir quem produz, entender onde estão os entraves e buscar caminhos para que esse potencial possa gerar desenvolvimento, emprego e renda de forma responsável”, afirmou Max. Para a vice-presidente da CST da Mineração, Tais Paula Costa Leite, conhecer experiências como a da Sapoti aproxima o debate da realidade enfrentada pelos empreendedores. “Da água mineral às demais atividades da mineração, a intenção é colocar diferentes setores à mesa e construir, a partir do diálogo, propostas que permitam a Mato Grosso aproveitar melhor suas riquezas naturais, agregar valor à produção e gerar novas oportunidades”, concluiu.
Empresários ligados à MedTrauma ficam em silêncio diante de 261 perguntas da CPI da Saúde em MT
Depoentes foram questionados sobre contratos, pagamentos, plantões e possíveis irregularidades na prestação de serviços durante a pandemia; apenas um dos convocados compareceu presencialmente Quatro empresários ligados à empresa MedTrauma foram convocados para prestar esclarecimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que investiga possíveis irregularidades na Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) durante a pandemia de Covid-19. Durante a sessão realizada nesta quarta-feira (19), os depoentes permaneceram em silêncio e deixaram sem respostas 261 perguntas formuladas pelos parlamentares. Foram convocados Luiz Gustavo Castilho Ivoglo, Osmar Gabriel Chemin, Gabriel Naves Torres Borges e o médico Bruno Castro. Apenas Ivoglo compareceu presencialmente à reunião. Os demais depoentes haviam conseguido, inicialmente, uma decisão judicial que os autorizava a não participar da audiência, mas a liminar foi posteriormente cassada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Apesar de não responderem aos questionamentos, os depoentes exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio, garantia assegurada em situações de interrogatório. As perguntas apresentadas pelos integrantes da CPI buscaram esclarecer a atuação da empresa e possíveis irregularidades relacionadas à prestação de serviços de saúde durante o período da pandemia. Entre os temas abordados estavam contratos, pagamentos, registros de frequência de profissionais, serviços médicos prestados, processos de indenização e apontamentos feitos em auditorias da Controladoria-Geral do Estado (CGE). Os parlamentares também questionaram possíveis inconsistências em documentos e folhas de frequência, ausência de registros de profissionais, cobranças por plantões cuja realização não teria sido comprovada e pagamentos efetuados por meio de processos indenizatórios. A CPI apura justamente se houve irregularidades na execução e no pagamento de serviços contratados pela área da saúde, além de buscar identificar eventuais responsabilidades a partir dos documentos e informações levantados durante os trabalhos. Mesmo diante do volume de questionamentos, os depoentes optaram por não prestar esclarecimentos durante o interrogatório. As informações obtidas pela comissão serão analisadas juntamente com documentos, auditorias e demais depoimentos coletados ao longo da investigação. O silêncio dos convocados, por si só, não representa confissão ou comprovação de irregularidades, uma vez que se trata de um direito constitucional assegurado aos depoentes.
Colisão frontal entre caminhões deixa três mortos e mulher ferida na BR-158
Três pessoas morreram e uma mulher ficou ferida após uma colisão frontal envolvendo dois veículos de carga, na manhã desta sexta-feira (21), na BR-158, entre os municípios de Confresa e Vila Rica, no nordeste de Mato Grosso. As vítimas fatais ainda não foram identificadas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, os caminhões trafegavam em sentidos opostos quando bateram de frente. Com o impacto da colisão, três ocupantes morreram ainda no local. Uma mulher que estava como passageira em um dos veículos ficou presa às ferragens e precisou ser retirada pelas equipes de resgate. Ela foi encontrada com ferimentos e recebeu os primeiros atendimentos médicos antes de ser encaminhada ao Hospital Municipal. Até o momento, não foram divulgadas informações atualizadas sobre o estado de saúde da vítima. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foram mobilizadas para prestar atendimento após o acidente. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) esteve no local para realizar os procedimentos periciais, auxiliar na identificação dos mortos e levantar elementos que possam contribuir para esclarecer a dinâmica da colisão. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas e serão apuradas pela Polícia Civil. Linha fina: Três ocupantes morreram no local e uma passageira foi resgatada com ferimentos após colisão frontal entre dois caminhões na rodovia.
Polícia Civil mira esquema de fraude em licitações e faz buscas no Araguaia
Operação Bid Rigging apura suspeitas de direcionamento de contratos, uso de empresas de fachada e irregularidades em licitações envolvendo serviços de eventos em dez municípios de Mato Grosso A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (18.8), a Operação Bid Rigging para investigar um possível esquema de fraude em licitações e contratações públicas na região do Araguaia. A apuração, conduzida pela Delegacia de Ribeirão Cascalheira, aponta para a possível atuação coordenada de empresas e pessoas em contratos firmados por diferentes prefeituras, principalmente na contratação de shows, eventos, estruturas, equipamentos de som, iluminação e geradores. A investigação teve início após uma requisição do Ministério Público e avançou a partir de denúncias recebidas pela Polícia Civil e da análise de documentos, contratos, processos licitatórios, registros empresariais, dados fiscais e informações disponíveis nos Portais da Transparência. O cruzamento desse material levantou suspeitas sobre o uso de empresas formalmente registradas em nome de terceiros para ocultar os possíveis responsáveis pelas operações. Também são investigadas suspeitas de direcionamento de licitações, contratações diretas consideradas irregulares, fracionamento de despesas para evitar exigências legais, cobrança de valores acima dos praticados no mercado, falsificação documental e ocultação de patrimônio. De acordo com a apuração, empresas e pessoas relacionadas ao grupo investigado apareciam repetidamente em contratos celebrados por diferentes municípios. Estão entre as cidades analisadas Ribeirão Cascalheira, Novo Santo Antônio, Luciara, Porto Alegre do Norte, Tesouro, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista, Canabrava do Norte e Santa Cruz do Xingu. Buscas em três municípios A Justiça autorizou sete mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Ribeirão Cascalheira, dois em Luciara e um em Novo Santo Antônio. As ordens foram cumpridas em endereços residenciais e empresariais ligados aos investigados. Durante a operação, os policiais buscaram celulares, computadores, documentos, contratos, processos de contratação, procurações e outros materiais que possam contribuir para esclarecer as suspeitas. A Justiça também determinou medidas cautelares envolvendo seis inscrições empresariais relacionadas ao núcleo investigado e seus respectivos representantes. Entre as restrições está a proibição de contratar com o Poder Público e de participar de licitações, de forma direta ou indireta, inclusive por intermédio de terceiros. Contratos sob investigação em Luciara Um dos casos que chamou a atenção dos investigadores está relacionado a uma empresa que, conforme informações do Portal da Transparência, recebeu aproximadamente R$ 2,38 milhões da Prefeitura de Luciara somente em 2025. A Polícia Civil identificou ainda uma sequência de contratações diretas, por inexigibilidade e dispensa de licitação, realizadas em períodos próximos e relacionadas à prestação de serviços para eventos, shows e montagem de estruturas. Os contratos fazem parte do conjunto de informações que serão aprofundadas durante a investigação, que busca verificar se houve combinação entre empresas, agentes envolvidos nas contratações ou outras práticas destinadas a restringir a concorrência. Investigação continua A operação contou com a participação de equipes da Delegacia de Ribeirão Cascalheira, das delegacias Regional e Municipal de Confresa, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Confresa e da Delegacia de Porto Alegre do Norte. Após o cumprimento dos mandados, os materiais apreendidos serão analisados pelos investigadores. Havendo autorização judicial, dispositivos eletrônicos poderão passar por extração e perícia de dados. A Polícia Civil pretende esclarecer o grau de participação de cada investigado, identificar eventuais novos envolvidos e verificar se existem outros fatos ou bens relacionados às práticas sob apuração. O termo “Bid Rigging”, que dá nome à operação, é utilizado para definir práticas de conluio destinadas a manipular a concorrência e direcionar resultados em processos de contratação pública.
Gisela minimiza fala de Mauro Mendes e diz ter recebido aval para vice de Pivetta
Candidata a vice-governadora afirma que conversou com o ex-governador antes de aceitar convite de Otaviano Pivetta e diz respeitar a decisão pela composição da chapa. A candidata a vice-governadora Gisela Simona (União) minimizou, nesta quinta-feira (20), a declaração do ex-governador Mauro Mendes (União) de que a saída de Fábio Garcia da disputa pelo cargo de vice na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) teria sido um “equívoco”. Para Gisela, a manifestação não altera sua disposição de seguir na composição e ela destacou que recebeu o aval de Mendes antes de aceitar o convite. Segundo a candidata, houve uma conversa com o ex-governador antes da definição. Na ocasião, Mendes teria afirmado que apoiaria seu nome caso Pivetta optasse por escolhê-la como companheira de chapa. Gisela ressaltou ainda que os dois devem caminhar juntos no processo eleitoral de 2026. A candidata afirmou que recebeu com naturalidade a declaração mais recente de Mendes e reconheceu que o ex-governador havia defendido publicamente a permanência de Fábio Garcia na composição. Para Gisela, porém, a definição do vice cabe ao candidato ao Governo. Ela destacou que Pivetta possui legitimidade para escolher quem estará ao seu lado na disputa e afirmou respeitar a decisão tomada pelo republicano. Fábio Garcia deixou a composição dias depois de ser alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro relacionadas a um acordo de R$ 308 milhões firmado em 2024 entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi, durante a gestão de Mauro Mendes. Com a saída de Garcia, Gisela passou a ocupar o centro das articulações para a vaga de vice na chapa de Pivetta, em meio às movimentações políticas que antecedem as eleições de 2026.
Galvan eleva críticas e acusa Maggis de priorizarem interesses financeiros em alianças políticas
Candidato ao Senado afirma que Eraí e Blairo Maggi não se orientam por alinhamento ideológico e questiona apoio ao governo Lula O produtor rural e candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) elevou o tom das críticas ao empresário do agronegócio Eraí Maggi e ao ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi ao comentar as alianças políticas mantidas pelos dois. Segundo Galvan, os posicionamentos eleitorais dos Maggis estariam mais relacionados a interesses financeiros do que a afinidades ideológicas. Ao ser questionado sobre a aproximação de Eraí e Blairo Maggi com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galvan afirmou que os dois não seguiriam uma orientação política definida entre os principais grupos ideológicos do país. “Eles não são petistas e não são bolsonaristas, são dinheiristas”, declarou o candidato, ao criticar o posicionamento político dos empresários. Na avaliação de Galvan, a relação de Blairo Maggi com governos de diferentes orientações políticas demonstraria uma postura voltada à manutenção de interesses econômicos. Ele citou, como exemplo, a atuação de Blairo durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e fez referência ao Banco Maggi. “O próprio Blairo conseguiu um banco, o Banco Maggi, no mandato da Dilma Rousseff. Eles têm mais do que a obrigação de apoiar lá”, afirmou Galvan. As declarações fazem parte do discurso de Galvan na disputa por uma vaga no Senado e representam mais um capítulo das críticas dirigidas pelo candidato ao grupo ligado aos Maggi. As afirmações, contudo, refletem a avaliação política de Galvan e não significam, por si só, comprovação das acusações feitas por ele.
MAPA admite revisão de regras sobre rastreabilidade de agrotóxicos após questionamentos no TCU
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reconheceu a necessidade de revisar as regras relacionadas à rastreabilidade de agrotóxicos após questionamentos apresentados pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) e análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A pasta concordou com a recomendação de revogar as Portarias nº 805, 808 e 817, publicadas em 2025, e deve formalizar a medida nos próximos dias. Entre as normas questionadas está a Portaria nº 805/2025, que criou o Programa Nacional de Rastreabilidade de Produtos Agrotóxicos e Afins e previa a utilização da tecnologia RFID para acompanhar os produtos em diferentes etapas da cadeia produtiva. A medida vinha provocando preocupação entre produtores rurais, cooperativas e entidades do setor devido à possibilidade de aumento de custos e burocracia. Também foram levantados questionamentos sobre a necessidade de implantação do RFID diante da existência de mecanismos de controle já utilizados no setor, como a nota fiscal eletrônica e o receituário agronômico. Durante a análise realizada pelo TCU, o próprio MAPA reconheceu que o modelo previsto originalmente não chegou a ser implementado e que uma nova regulamentação deverá considerar aspectos como custos, viabilidade tecnológica e capacidade de fiscalização. “Nossa luta sempre foi para impedir que mais uma obrigação fosse simplesmente empurrada para o produtor rural. Não somos contra a rastreabilidade. Somos contra criar um sistema caro, burocrático e sem comprovação de que seja a melhor solução”, afirmou Coronel Fernanda. Com a eventual revogação das normas, o governo deverá discutir um novo modelo para o acompanhamento dos defensivos agrícolas. Entre as alternativas em avaliação está a utilização de QR Code e a integração de diferentes sistemas, em substituição à estrutura baseada em RFID. Os questionamentos apresentados pela parlamentar ao TCU também envolvem a Portaria nº 739/2025 e a Instrução Normativa Conjunta nº 001/2025, relacionadas à chamada Infraestrutura VMG. As regras preveem certificação obrigatória para o acesso a crédito rural, programas de fomento, assistência técnica e outras políticas públicas. Segundo os argumentos apresentados no processo, a exigência poderia elevar os custos para os produtores e gerar dependência de uma única entidade credenciada. Entre as preocupações estão possíveis riscos de concentração regulatória, falta de transparência no credenciamento, aumento dos custos de produção e reflexos sobre os preços dos alimentos. A parlamentar defende que eventuais mudanças nas regras sejam discutidas previamente com produtores, cooperativas e demais representantes da cadeia agropecuária. “O produtor precisa ser ouvido antes da criação das regras, e não depois, quando a conta já chegou. Vamos continuar defendendo uma solução moderna, segura e que funcione na prática, sem criar mais um peso para o campo”, reforçou. A expectativa é que a revisão permita a construção de um sistema de rastreabilidade considerado economicamente viável, tecnologicamente adequado e compatível com a realidade do setor produtivo. Coronel Fernanda afirmou que continuará acompanhando o processo para evitar que novas exigências resultem em aumento de custos para quem produz.
TSE barra uso de fundos e propaganda por Pablo Marçal e aponta inviabilidade jurídica de candidatura
Decisão cautelar impede acesso a recursos públicos, propaganda no rádio e na TV e participação em debates até que a Corte analise o registro da candidatura para 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, nesta quinta-feira (20), impedir o empresário e influenciador Pablo Marçal, pré-candidato à Presidência da República pelo PRTB, de acessar recursos dos fundos eleitoral e partidário. A Corte também proibiu, em caráter cautelar, a participação do político em propaganda eleitoral no rádio e na televisão, além de debates e outros atos de campanha. A decisão é provisória e permanece válida até que o TSE analise definitivamente se Marçal reúne condições jurídicas para disputar as eleições de 2026. O pedido de registro da candidatura foi protocolado pelo PRTB no último sábado (15), após a Justiça Eleitoral autorizar a filiação do empresário à legenda. Apesar do registro, Marçal permanece inelegível até 2032 em razão de uma condenação relacionada ao uso indevido dos meios de comunicação durante as eleições municipais de 2024, quando disputou a Prefeitura de São Paulo. No último dia 5, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou, por unanimidade, os embargos apresentados pela defesa e manteve a decisão que estabeleceu a inelegibilidade por oito anos. A medida analisada nesta quinta-feira teve como origem uma impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O órgão sustenta que Marçal não comprovou ter cumprido o prazo legal de filiação partidária exigido para disputar a eleição presidencial. Segundo o Ministério Público, em abril, período considerado limite para a filiação, o empresário ainda aparecia publicamente como integrante do União Brasil. Relatora do caso no TSE, a ministra Estela Aranha considerou que havia risco na utilização de recursos públicos e da estrutura de propaganda eleitoral em favor de uma candidatura cuja viabilidade jurídica ainda está sob questionamento. Para a magistrada, a situação justificava a adoção de uma medida cautelar antes da análise definitiva do registro. O entendimento foi acompanhado pelos demais ministros da Corte, que determinaram o bloqueio do acesso de Marçal aos recursos públicos destinados à campanha e das ferramentas de propaganda eleitoral gratuita, incluindo rádio e televisão. Além da questão relacionada à filiação partidária, o MPE também levou ao TSE a situação de inelegibilidade que atinge Marçal até 2032. A condenação decorreu de práticas consideradas uso indevido dos meios de comunicação social durante a campanha de 2024, envolvendo a promoção de concursos com oferta de prêmios para estimular a produção e a disseminação de conteúdo eleitoral na internet. Com a decisão desta quinta-feira, a candidatura de Pablo Marçal permanece sob análise da Justiça Eleitoral. O TSE ainda deverá decidir, de forma definitiva, se o empresário poderá ou não concorrer à Presidência da República nas eleições de 2026.
Polícia Civil deflagra Operação Arcana contra lavagem de dinheiro de facção em Rondonópolis
Ação cumpre quatro mandados em Cuiabá e Rondonópolis e investiga uso de dinheiro em espécie, contas de terceiros e bens registrados em nome de outras pessoas; R$ 240 mil já foram apreendidos. A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (20.8), a Operação Arcana para cumprir ordens judiciais contra integrantes de uma facção criminosa suspeitos de envolvimento com lavagem de capitais provenientes de atividades relacionadas ao tráfico de drogas em Rondonópolis. Ao todo, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, deferidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco). O objetivo da ação é aprofundar as investigações sobre a atuação dos integrantes do grupo criminoso. O principal investigado é apontado como integrante de uma facção criminosa e suspeito de tentar exercer influência e controle territorial na região do bairro Vila Canaã, em Rondonópolis. As ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá e Rondonópolis, com apoio operacional da equipe da Delegacia Regional de Rondonópolis. A investigação apura, entre outros fatos, o uso recorrente de dinheiro em espécie, de contas bancárias de terceiros e de outras pessoas para dificultar a identificação da origem e da propriedade de bens e valores. Até o momento, foram apreendidos R$ 240 mil em espécie. Desse total, R$ 150 mil foram localizados no momento em que o investigado realizava um saque em uma agência bancária, enquanto o restante foi encontrado em sua residência. Dinheiro em espécie e padrão de vida As investigações foram iniciadas após a Draco receber informações sobre o possível envolvimento dos investigados nos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. A partir das diligências, os policiais identificaram elementos que indicariam incompatibilidade entre a ausência de renda lícita conhecida do principal suspeito e o padrão de vida mantido por ele e sua família. Segundo as investigações, o investigado não possui vínculo empregatício ou empresa registrada, mas teria residido sucessivamente em condomínios de alto padrão e utilizado veículos de elevado valor, formalmente registrados em nome de terceiros. Entre os veículos identificados está uma caminhonete Toyota Hilux, avaliada em aproximadamente R$ 270 mil e registrada em nome de terceiro. Posteriormente, o investigado passou a utilizar uma Toyota SW4 Diamond, avaliada em cerca de R$ 475 mil, também registrada em nome de outra pessoa. Movimentação de valores As investigações apontaram ainda o uso recorrente de dinheiro em espécie para o pagamento de despesas e a aquisição de bens. Em algumas situações, valores em dinheiro eram entregues a terceiros, que posteriormente realizavam transferências por meio de Pix. Também foram identificadas informações sobre pagamentos de móveis planejados com dinheiro em espécie e sobre a solicitação para a construção de um compartimento oculto em um móvel instalado na residência, possivelmente destinado à ocultação de valores provenientes de atividades criminosas. Uso de terceiros As investigações apontam ainda o uso de outras pessoas para ocultar a propriedade de bens. Além dos veículos registrados em nome de terceiros, a investigação identificou um imóvel em Rondonópolis formalmente vinculado a uma familiar do principal investigado, mas sobre o qual ele aparentava exercer domínio, inclusive com acesso a câmeras de segurança e outros sistemas da residência. A companheira do investigado, que também foi alvo da operação, teria auxiliado na movimentação dos recursos por meio de contas bancárias. Foram identificadas despesas e aquisições realizadas com a participação de terceiros, dificultando a identificação dos reais titulares dos valores empregados. Investigação Durante a apuração, a Polícia Civil também identificou registros de viagens, hospedagens e outras despesas consideradas incompatíveis com a renda lícita conhecida dos investigados. Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil representou pela expedição das ordens judiciais, com foco em esclarecer a origem, a movimentação, a ocultação e a destinação dos valores, além de identificar outros possíveis integrantes ou colaboradores do esquema. Os mandados têm como objetivo apreender aparelhos celulares, documentos, contratos, comprovantes de pagamentos, registros financeiros, valores em espécie e outros elementos de prova que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos. A análise do material apreendido permitirá o aprofundamento das investigações e a identificação de eventual participação de outras pessoas no esquema. Nome da operação O nome da operação, Arcana, faz referência a algo secreto, oculto ou misterioso, em alusão à forma como o principal investigado, segundo os elementos reunidos no inquérito, movimentaria os recursos financeiros, priorizando o uso de dinheiro em espécie para evitar registros que permitissem o rastreamento das movimentações.
Para 81% dos brasileiros, é fundamental que candidato acredite em Deus
Oito em cada dez brasileiros e brasileiras (81%) afirmam ser fundamental que seus (suas) candidatos (as) nas eleições acreditem em Deus. Essa percepção é mais aguçada entre classes mais pobres (89% das pessoas cujos rendimentos não passam de um salário mínimo) do que entre os mais ricos (57%, entre aqueles que ganham de 10 a 20 salários mínimos mensais). Os dados integram levantamento inédito do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado nessa quarta-feira (19) na abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A análise mostra a figura do Deus cristão, sobretudo nos estratos mais pobres. Sete em cada dez pessoas ouvidas (74%) concordam que Deus faz as pessoas serem melhores (entre os que ganham até um salário mínimo, a taxa é de 86%). Já 82% defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus. “Mas, curiosamente, essa valorização significativa de Deus não se traduz em mais confiança nas instituições religiosas, sobretudo igrejas, que costuram o cotidiano religioso”, afirmou a socióloga Christina Vital, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFF. No estudo, 56% das pessoas disseram que confiam na Igreja Católica – a instituição com mais credibilidade no Brasil. Depois, apareceram as igrejas protestantes (51%) e os centros kardecistas (19%). Christina avaliou que isso atinge a própria ideia de Estado: metade (54%) da amostra da pesquisa defende que o Estado não seja laico. “Existe confusão sobre o que é laicidade. Quando perguntadas sobre isso, ouvimos muitas coisas diferentes e que não se relacionam com a separação entre religião e Estado”, disse. Para Michel Gherman, que lidera o Observatório das Crises das Democracias das Américas (UNLP) da UFRJ, esses números apontam como as extremas direitas instrumentalizaram as religiões a partir do desejo de retorno a uma espécie de tempo sagrado. “Isso significa dizer que não foi a ascensão desse cristianismo protestante no Brasil que fortaleceu a extrema direita, mas, antes, foi ela quem conseguiu instrumentalizar alguns valores dessa percepção religiosa do mundo para o seu ‘projeto de passado’”, avaliou. Ele citou como exemplo o fato de sete em cada dez candidatos a cargos políticos no Rio de Janeiro acreditarem (ou dizerem que acreditam) que existe uma espécie de conspiração progressista para degeneração moral das pessoas por meio da escola. “Como essas práticas religiosas têm certo desejo de ordem, elas produzem essas teorias de que ‘existe algo que não vemos’, mas que governa as coisas. E, daí, as extremas direitas se valem disso para se fortalecer”. Christina Vital, da UFF, disse que existe uma retórica universal da perda de algo, no presente, que havia no passado. “E ela atravessa a cor da pele, as classes sociais, o gênero, etc.”. Esse medo não tem uma conformação política única, mas tem contornos mais à esquerda e outros mais à direita. “No campo do gênero, por exemplo, é de onde surge a ideia de que as mulheres adquiriram espaços sociais que não deviam”. “Mas é um fato que existe regularidade estatística entre ser evangélico e votar na extrema direita. Isso significa uma relação de identidade: os brasileiros votam em quem julgam que se parecem com eles”, disse Lucio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). Fonte: Agencia Brasil