Levantamento do TSE aponta predominância masculina, maior concentração de candidatos entre 45 e 49 anos e empresários como principal ocupação declarada O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já registrou 20.530 pedidos de candidatura para as eleições de 2026. O número representa uma redução de 8.732 registros em relação ao pleito de 2022. Os dados foram atualizados na manhã desta terça-feira (18). Do total, 13.374 pedidos são de homens, o equivalente a 65%, enquanto 7.156 são de mulheres, que representam 35% das candidaturas. Os registros incluem disputas para presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. A maior quantidade de pedidos está concentrada na disputa por deputado estadual, com 11.103 registros. Em seguida aparecem deputado federal, com 7.636 candidaturas; deputado distrital, com 420; senador, com 315; governador, com 196; e presidente da República, com 13 pedidos. Considerando a relação entre candidaturas e vagas disponíveis, a disputa por deputado distrital reúne a maior média, com 17,5 candidatos por cadeira. Para deputado federal, são 14,88 concorrentes por vaga. Entre os candidatos que informaram identidade de gênero ao TSE, 11.758 se declararam cisgênero, correspondendo a 99,07%. Outros 107 se identificaram como transgênero e três optaram por não informar. O tribunal também recebeu 53 pedidos de candidatos que utilizam nome social. A faixa etária com maior número de candidaturas é de 45 a 49 anos, com 3.538 registros. Na sequência estão os candidatos de 50 a 54 anos, com 3.176 pedidos; de 40 a 44 anos, com 2.986; e de 55 a 59 anos, com 2.581. Em relação à raça e à cor declaradas, 10.013 candidatos se identificaram como brancos, correspondendo a 48,77% do total. Outros 7.418 se declararam pardos, enquanto 2.800 informaram ser pretos. O TSE também registrou 191 candidatos indígenas e 108 amarelos. A escolaridade também aparece entre os dados divulgados pela Justiça Eleitoral. A maioria dos candidatos, 58,57%, informou possuir ensino superior completo. Outros 21,41% declararam ensino médio completo e 10,58%, ensino superior incompleto. Há ainda registros de candidatos com ensino médio ou fundamental incompleto e completo. Ao todo, 73 candidatos informaram apenas saber ler e escrever. Entre os 191 candidatos indígenas, as etnias Makuxí e Guarani Kaiowá aparecem com maior número de registros, com 13 e 12 candidatos, respectivamente. Também há candidaturas de integrantes de etnias como Guarani, Munduruku, Mura e Terena. No levantamento por ocupação, os empresários formam o grupo mais numeroso, com 2.576 registros. Na sequência aparecem advogados, com 1.691 candidaturas; deputados, com 874; vereadores, com 811; policiais militares, com 569; médicos, com 558; e servidores públicos estaduais, com 541. Os números ainda podem sofrer alterações durante o processo eleitoral, já que os pedidos de registro passam por análise da Justiça Eleitoral. O levantamento do TSE oferece um retrato inicial do perfil dos candidatos que pretendem disputar as eleições de 2026.
Polícia Civil apreende cal usada na construção civil em tratamento de água de Acorizal
Fiscalização encontrou sacos do produto em estação de tratamento; material foi interditado e uma unidade encaminhada para perícia. Polícia Civil vai investigar possível fornecimento de água com produto inadequado. Uma ação conjunta da Polícia Civil, Vigilância Sanitária Estadual e Procon de Mato Grosso identificou, na manhã desta terça-feira (18.8), a utilização de cal hidratada destinada à construção civil em uma Estação de Tratamento de Água (ETA) de Acorizal. A fiscalização foi realizada após uma denúncia encaminhada à 6ª Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Cuiabá, que apontava o possível uso de produto inadequado no tratamento da água fornecida à população. Durante a vistoria, equipes da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Vigilância Sanitária e do Procon encontraram diversos sacos de cal hidratada armazenados na estação. Funcionários informaram que o produto, adquirido aparentemente em um estabelecimento de materiais de construção do próprio município, era utilizado no processo de tratamento da água. Segundo eles, porém, o material não teria sido utilizado nesta terça-feira, sob a justificativa de que a água apresentava boa qualidade. Os fiscais analisaram as informações técnicas presentes nas embalagens e fizeram contato com o fabricante do produto, localizado em Nobres. A empresa informou que não fabrica nem comercializa cal destinada ao tratamento de água para consumo humano e confirmou que o material encontrado na estação é produzido para utilização na construção civil. Diante da constatação, a Vigilância Sanitária Estadual interditou todo o material localizado na ETA. A Polícia Civil também apreendeu uma unidade do produto, que será submetida à perícia. A direção da concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgoto de Acorizal foi notificada e orientada a não utilizar o produto no tratamento da água. De acordo com o delegado Rogério Gomes, titular da Decon, a cal pode fazer parte do processo de tratamento de água, desde que seja fabricada especificamente para essa finalidade e atenda aos padrões exigidos para produtos destinados ao consumo humano. Já materiais voltados à construção civil podem apresentar metais pesados e outras impurezas incompatíveis com os parâmetros de segurança exigidos para o tratamento de água potável. A Polícia Civil deverá instaurar inquérito para apurar as circunstâncias da utilização do produto e verificar se a concessionária vinha empregando a cal inadequada no tratamento e fornecendo água potencialmente imprópria à população. A investigação também deverá identificar eventuais responsáveis pela aquisição e utilização do material.
TJMT marca julgamento que pode definir reeleição de Paula Calil na Câmara de Cuiabá
Ação movida pela Prefeitura de Cuiabá questiona exigência de 18 votos para alterar o Regimento Interno; julgamento está previsto para 10 de setembro. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) marcou para 10 de setembro o julgamento da ação movida pela Prefeitura de Cuiabá contra dispositivos do Regimento Interno da Câmara Municipal da Capital. O processo ganhou destaque por envolver diretamente a possibilidade de reeleição da presidente da Casa, vereadora Paula Calil (PL). O principal ponto discutido na ação é a exigência de maioria qualificada de dois terços dos vereadores para a aprovação de alterações no Regimento Interno. Como a Câmara possui 27 parlamentares, atualmente são necessários 18 votos para modificar a regra que impede a recondução dos integrantes da Mesa Diretora dentro de uma mesma legislatura. A situação coloca a reeleição de Paula Calil no centro da disputa. A presidente não reúne, até o momento, os 18 votos necessários para alterar o regimento por meio de uma votação convencional. Caso a Justiça determine que a exigência de maioria qualificada não se aplica à mudança, a alteração poderá ser aprovada por maioria simples, o que abriria caminho para uma nova candidatura à presidência. A iniciativa do Executivo, no entanto, provocou reação entre vereadores de oposição e independentes, que classificaram a medida como uma tentativa de interferência da Prefeitura sobre decisões internas do Legislativo. O processo tem como relatora a desembargadora Nilza Maria Possas de Carvalho. Os demais integrantes do colegiado que participarão do julgamento ainda não foram definidos. Na ação, o Município de Cuiabá figura como autor, enquanto a Câmara Municipal aparece como parte ré. A ação foi protocolada pela Prefeitura em 6 de julho. Na argumentação apresentada à Justiça, a defesa sustenta que a Constituição Federal e a Constituição de Mato Grosso estabelecem a maioria simples como regra geral para as deliberações legislativas. Segundo o Município, a exigência de quórum qualificado deveria ser aplicada apenas em situações excepcionais e não poderia ser criada exclusivamente por meio do Regimento Interno. Outro argumento apresentado pela Prefeitura é de que a exigência dos dois terços estaria dificultando a aprovação de matérias consideradas importantes para a administração municipal, afetando a governabilidade e provocando entraves em pautas econômicas e administrativas. Além da ação principal, o Município havia solicitado uma decisão liminar para suspender imediatamente a regra questionada. O pedido, porém, foi negado pelo próprio TJMT. Agora, a discussão será analisada pelo colegiado no julgamento previsto para setembro, que poderá ter impacto direto na composição da próxima Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá.
Confronto entre PMs e suspeitos deixa um morto e três feridos após assalto em Várzea Grande
Assalto a uma loja de tintas terminou em troca de tiros com a Polícia Militar; um suspeito morreu, dois ficaram feridos e o proprietário do estabelecimento também precisou de atendimento médico. Um suspeito morreu e outros dois ficaram feridos durante um confronto com policiais militares no final da manhã desta terça-feira (18), após um assalto a uma loja de tintas localizada na avenida da FEB, em Várzea Grande. O proprietário do estabelecimento também foi ferido durante a ocorrência e precisou ser encaminhado para uma unidade de saúde. Conforme as informações preliminares, três suspeitos invadiram a Original Tintas para cometer o roubo e teriam agredido o proprietário do comércio durante a ação. A Polícia Militar foi acionada pelo 190 e conseguiu localizar o grupo durante a fuga, nas proximidades da entrada da loja. Na abordagem, houve troca de tiros. Um dos suspeitos foi atingido enquanto estava dentro de uma caminhonete e morreu ainda no local. Os outros dois envolvidos também foram baleados e receberam atendimento médico. O proprietário da loja foi socorrido após ficar ferido durante o assalto. Equipes da Polícia Militar permanecem na região para realizar os procedimentos necessários. A dinâmica do roubo, as circunstâncias do confronto e a participação de cada um dos envolvidos deverão ser investigadas pelas autoridades.
IA, combate às bets e cashback de ICMS ganham destaque em planos de governo para Mato Grosso
Propostas apresentadas por Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko apostam em tecnologia, segurança, educação e medidas de proteção social Os planos de governo apresentados por Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) para a disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026 trazem propostas distintas, mas têm entre os pontos em comum o uso da inteligência artificial na administração pública. As ideias também incluem medidas relacionadas à segurança, educação, saúde, combate às apostas eletrônicas e proteção de famílias de baixa renda. Os documentos foram disponibilizados no sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, e apresentam diferentes abordagens para áreas consideradas estratégicas da administração estadual. A Justiça Eleitoral mantém o sistema como plataforma de divulgação de informações sobre candidaturas e propostas de governo. No plano de Pivetta, a inteligência artificial aparece de forma abrangente, com previsão de aplicação em setores como Educação, Segurança Pública, administração e formação profissional. Entre as propostas está o Educa.AI, plataforma destinada a utilizar análise preditiva para identificar riscos de evasão escolar e acompanhar o desempenho dos estudantes. O documento também prevê o uso de IA na correção de redações e em ferramentas de escrita guiada. Na Segurança Pública, a tecnologia seria utilizada para auxiliar na definição dos locais e horários de concentração do policiamento ostensivo. Na administração, a proposta inclui avisos automáticos aos cidadãos sobre vencimento de licenças, certidões e prazos tributários, além da ampliação de ferramentas de inteligência artificial no Portal do Servidor. Wellington Fagundes também propõe ampliar o uso da tecnologia em diferentes áreas. Na Secretaria de Fazenda, a inteligência artificial seria utilizada para identificar possíveis fraudes e oferecer mecanismos de autorregularização aos contribuintes. Na Saúde, o plano prevê uma plataforma com prontuários, documentos médicos, histórico clínico e resultados de exames, com apoio de recursos de IA. Na Educação, Wellington propõe a inclusão de conteúdos relacionados a tecnologia, robótica, inteligência artificial e pensamento computacional na rede estadual, além da capacitação de servidores. A tecnologia também seria empregada no monitoramento ambiental, com ferramentas capazes de acompanhar desmatamentos, alterações nos biomas e focos de incêndio em tempo real. Já Natasha concentra suas propostas de inteligência artificial principalmente na Educação. O plano prevê uma plataforma estadual de aprendizagem voltada ao apoio dos professores no planejamento e na correção de atividades. A candidata também propõe capacitação dos profissionais da área e a criação de regras para orientar o uso responsável da inteligência artificial pelos estudantes. Outro tema presente no plano de Pivetta é o combate às apostas eletrônicas. A proposta prevê campanhas educativas nas escolas sobre os riscos associados às bets e ações governamentais de enfrentamento ao que o documento classifica como uma “epidemia das bets”. O plano também cita a articulação da bancada federal de Mato Grosso para defender uma proposta de extinção das apostas eletrônicas, além de medidas relacionadas à educação financeira, defesa do consumidor e prevenção ao superendividamento e à dependência digital. Na área de Segurança Pública, Pivetta também propõe a criação de parques fabris prisionais, com galpões industriais instalados nas áreas externas de grandes unidades penitenciárias. A proposta tem como objetivo ampliar o acesso dos presos aptos ao trabalho e à qualificação profissional. Entre as propostas de caráter social, Natasha apresenta a criação de um sistema de cashback de ICMS destinado a famílias inscritas no Cadastro Único e com renda de até três salários mínimos. A ideia é devolver parte do imposto pago no consumo e antecipar, em Mato Grosso, um mecanismo relacionado à reforma tributária federal. O plano, contudo, não estabelece o percentual de devolução, o número de famílias beneficiadas, o limite anual por família nem o impacto financeiro estimado da medida. Os três documentos também mencionam a realização de concursos públicos. No caso de Natasha, a previsão abrange áreas com déficit de servidores, como Saúde, Educação, Politec, Infraestrutura e as polícias Civil e Militar. Pivetta e Wellington também citam novos concursos, com ênfase principalmente na área educacional. Outro ponto de diferenciação está nas propostas voltadas à população LGBTQIA+. Wellington prevê ações de combate à violência e à discriminação, além de iniciativas de inserção produtiva e geração de renda. Natasha propõe uma política estadual permanente para a população LGBTQIA+, com atenção específica a pessoas trans e travestis, incluindo qualificação profissional, estímulo à contratação, rede de acolhimento e acesso à Justiça. As propostas refletem diferentes prioridades e estratégias apresentadas pelos três candidatos para a administração estadual. A análise acima é exclusivamente descritiva e baseada nas informações disponíveis nos planos e em fontes públicas; não constitui avaliação, comparação de mérito, ranking ou recomendação entre candidatos.
Flávia Moretti define novo nome para comandar interinamente a Saúde de Várzea Grande
Michel Alves assume a Secretaria Municipal de Saúde após saída de Valéria Nogueira e ficará à frente da pasta de forma interina A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), definiu Michel Alves, de 36 anos, para assumir interinamente o comando da Secretaria Municipal de Saúde. A nomeação ocorre após a exoneração da enfermeira Valéria Aparecida Nogueira, que deixou o cargo na última sexta-feira (14), depois de aproximadamente cinco meses à frente da pasta. Servidor da Prefeitura de Várzea Grande desde 2023, Michel Alves é formado em Engenharia Civil, possui especialização em Engenharia Clínica Hospitalar e também é graduado em Gestão Comercial. A escolha ocorre em meio a uma mudança no planejamento inicial para a sucessão na secretaria. Após a saída de Valéria, a expectativa era de que o então secretário municipal de Governo, Silvio Fidélis, assumisse o comando da Saúde. No entanto, a possibilidade foi interrompida após Fidélis ser afastado do cargo por determinação judicial pelo período de 90 dias. O afastamento está relacionado a um processo que apura atos administrativos envolvendo um pregão realizado em 2022 para a contratação de transporte escolar de estudantes da rede pública municipal. Com a definição de Michel Alves para a função, a Prefeitura mantém a condução da Secretaria Municipal de Saúde enquanto avalia a composição definitiva para o comando da pasta.
Polícia Civil prende jovem suspeito de armazenar pornografia infantil durante operação em Tangará da Serra
Quinta fase da Operação CESI-MT cumpre mandado de prisão, busca e apreensão e quebra de sigilo telemático para aprofundar investigação sobre crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (18), em Tangará da Serra, a quinta fase da Operação CESI-MT, voltada ao combate à exploração e ao abuso sexual de crianças e adolescentes praticados por meio da internet. A ação resultou no cumprimento de três medidas judiciais contra um jovem de 22 anos, investigado por supostamente armazenar dezenas de arquivos contendo imagens relacionadas à violência sexual infantojuvenil. Entre as ordens expedidas pela Justiça estão um mandado de busca e apreensão, a prisão preventiva do suspeito e o afastamento do sigilo telemático. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Tangará da Serra. A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) após a Polícia Civil receber informações sobre um usuário que estaria armazenando arquivos contendo imagens de pornografia envolvendo crianças e adolescentes. A partir das diligências realizadas pelos investigadores, foi possível identificar e localizar o suspeito, subsidiando o pedido das medidas cautelares. Além da prisão preventiva, a operação busca apreender aparelhos eletrônicos que possam conter provas e informações capazes de esclarecer a dimensão da prática criminosa e identificar eventual compartilhamento ou armazenamento de outros arquivos ilegais. Os mandados estão sendo cumpridos por equipes da DRCI em Tangará da Serra, com apoio de policiais da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher do município. A análise dos dispositivos apreendidos deverá contribuir para o avanço das investigações e para a identificação de outras possíveis condutas relacionadas aos crimes investigados.
Impugnação no TRE-MT coloca candidatura de Pivetta sob questionamento jurídico
Coligação pede que Justiça Eleitoral barre registro do candidato ao Governo e sustenta que rejeição de contas relacionada a convênio investigado na Operação Sanguessuga ainda produz efeitos; ação também tenta impedir uso de recursos públicos de campanha A candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso passou a enfrentar um novo obstáculo na Justiça Eleitoral. A Coligação “No Coração da Gente” protocolou nesta segunda-feira (17), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), uma Ação de Impugnação de Registro de Candidatura, pedindo que Pivetta seja considerado inelegível e tenha seu registro negado. O pedido se apoia em um caso antigo, mas que, segundo os autores da ação, voltou a produzir efeitos jurídicos após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). No centro da discussão está um convênio firmado em 2001 entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura de Lucas do Rio Verde para aquisição de uma unidade móvel de saúde. Na época, Pivetta era prefeito do município e ordenador de despesas. De acordo com a documentação apresentada na impugnação, o Tribunal de Contas da União (TCU) julgou as contas irregulares em 2012, com imputação de débito e aplicação de multa. Entre os problemas apontados estavam direcionamento de licitação, ausência de pesquisa de preços e superfaturamento. O episódio foi relacionado à chamada Operação Sanguessuga, investigação que apurou um esquema nacional de fraudes em licitações para aquisição de ambulâncias e unidades móveis de saúde com recursos federais. Pivetta já teve candidatura barrada pelo TRE-MT em 2016 Um dos principais argumentos apresentados agora é que o próprio TRE-MT já analisou os fatos anteriormente. Em 2016, quando Pivetta buscava a reeleição para prefeito de Lucas do Rio Verde, o Tribunal Regional Eleitoral indeferiu por unanimidade seu registro de candidatura, conforme a documentação citada na nova ação. Na ocasião, a Justiça Eleitoral entendeu que as irregularidades apontadas pelo TCU eram insanáveis e configuravam ato doloso de improbidade administrativa. *O cenário mudou posteriormente*. Uma decisão da Justiça Federal suspendeu os efeitos dos acórdãos do TCU. Com essa decisão judicial vigente, Pivetta conseguiu disputar normalmente as eleições de 2018 e 2022. É justamente aqui que surge o principal argumento da nova impugnação. Decisão do TRF-1 mudou novamente o cenário Segundo a ação, em 28 de agosto de 2024, a 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região reformou a decisão de primeira instância e restabeleceu integralmente os efeitos dos acórdãos do TCU. Para os advogados da coligação, isso significa que desapareceu a decisão judicial que anteriormente afastava os efeitos da rejeição das contas. Em outras palavras: a tese apresentada ao TRE-MT é que a situação jurídica que permitiu a Pivetta concorrer em 2018 e 2022 não seria mais a mesma em 2026. A impugnação informa ainda que Pivetta apresentou recursos especial e extraordinário contra a decisão do TRF-1 e chegou a pedir efeito suspensivo. Entretanto, segundo a própria ação, até o momento de seu protocolo não havia decisão suspendendo os efeitos do acórdão. Por que a coligação diz que Pivetta estaria inelegível até 2029? Este é um dos pontos mais importantes para entender a discussão. A defesa da impugnação sustenta que o prazo de inelegibilidade começou a ser contado em 26 de março de 2015, quando teria ocorrido o trânsito em julgado administrativo do julgamento do TCU. Essa contagem, segundo os autores da ação, teria sido interrompida em 1º de março de 2018, quando uma decisão da Justiça Federal suspendeu os efeitos dos acórdãos. Com a decisão do TRF-1 de agosto de 2024, o prazo teria voltado a correr. Pelos cálculos apresentados pelos advogados da coligação, ainda restaria um período de inelegibilidade que somente terminaria por volta de 24 de setembro de 2029. Se essa interpretação for aceita pela Justiça Eleitoral, Pivetta estaria impedido de disputar a eleição para governador em 2026. Essa, porém, é a tese da coligação autora da impugnação e ainda depende de análise e decisão do TRE-MT. Ação tenta impedir até recursos públicos na campanha A impugnação vai além do pedido para barrar o registro. A coligação também solicitou uma tutela de urgência para impedir que a campanha de Pivetta utilize, enquanto a discussão estiver pendente, recursos públicos provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário. O argumento é que dinheiro público não deveria ser utilizado em uma candidatura que, neste momento, está formalmente questionada por uma possível causa de inelegibilidade. Caberá ao TRE-MT decidir se aceita ou não esse pedido. Agora, decisão está nas mãos da Justiça Eleitoral Ao final da ação, a coligação pede que o TRE-MT reconheça a incidência da causa de inelegibilidade prevista no artigo 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar nº 64/1990, e indefira o registro de Pivetta para a disputa pelo Governo de Mato Grosso. O protocolo ocorreu dentro do prazo indicado na própria ação. O edital referente ao pedido de registro da candidatura foi publicado em 13 de agosto e o prazo para apresentação de impugnações termina nesta terça-feira (18). A apresentação da ação não significa que Pivetta já esteja inelegível nem que sua candidatura tenha sido barrada. Neste momento, existe um pedido formal para que isso aconteça. A partir de agora, a disputa deixa de ser apenas eleitoral e ganha um importante capítulo jurídico: o TRE-MT terá de analisar se as decisões envolvendo as contas do ex-prefeito são suficientes para impedir sua candidatura ao Governo de Mato Grosso em 2026. O MT Urgente News acompanha o andamento do processo e atualizará a matéria assim que houver manifestação da defesa ou decisão da Justiça Eleitoral.
Senadores de MT acionam STF e pedem investigação sobre consignados de servidores e possível ligação com Caso Banco Master
Wellington Fagundes, Jayme Campos e Carlos Fávaro querem que autoridades investiguem descontos, autorizações, destino do dinheiro e possíveis conexões financeiras; entenda o que está sendo questionado Os três senadores de Mato Grosso decidiram levar ao Supremo Tribunal Federal uma preocupação que pode atingir diretamente o bolso de milhares de servidores públicos do Estado. Wellington Fagundes (PL), Jayme Campos (União) e Carlos Fávaro (PSD) encaminharam nesta segunda-feira (17) um pedido ao ministro André Mendonça, do STF, para que sejam analisadas denúncias envolvendo operações de crédito consignado de servidores públicos de Mato Grosso e uma eventual conexão desses negócios com as investigações do chamado Caso Banco Master, no âmbito do Inquérito nº 5.026/STF. Mas, afinal, o que os senadores querem saber? De forma simples: eles querem que seja seguido o caminho do dinheiro. O pedido busca esclarecer como determinadas operações de crédito foram realizadas, quais taxas foram efetivamente cobradas, se os servidores autorizaram corretamente os descontos em seus salários, quem participou das operações e quem, no final da cadeia, recebeu ou se beneficiou dos recursos. Entre os pontos citados estão taxas praticadas, natureza dos produtos oferecidos, regularidade das autorizações de desconto, consentimento dos servidores, cessões de crédito, beneficiários econômicos e destino final do dinheiro movimentado. Por que isso é tão importante? Porque consignado não é uma dívida qualquer. Nesse tipo de crédito, as parcelas são descontadas diretamente da remuneração do servidor. Isso significa que qualquer eventual irregularidade pode atingir diretamente o salário usado para pagar alimentação, moradia e outras despesas familiares. Segundo o documento, existem relatos de situações em que o valor recebido pelo consumidor seria substancialmente menor do que o montante posteriormente cobrado, criando obrigações que poderiam continuar por longo período mesmo depois de pagamentos significativos. Por isso, os senadores argumentam que, se as irregularidades forem confirmadas, o problema deixa de ser apenas uma discussão entre banco e cliente e passa a ter impacto social sobre milhares de trabalhadores. O ponto mais forte: descobrir quem estava por trás das operações O pedido vai além de identificar quem realizou determinado contrato. Os parlamentares defendem que, havendo provas de conexão com o Caso Banco Master, a investigação deve buscar identificar quem concebeu, financiou, autorizou, intermediou ou eventualmente se beneficiou das operações. Em outras palavras: a intenção é reconstruir toda a cadeia financeira. Quem ofereceu? Quem autorizou? Quem financiou? Quem intermediou? Para onde foi o dinheiro? E quem ganhou com essas operações? São essas respostas que o pedido apresentado ao Supremo pretende buscar. Documento também cita investigação envolvendo Mauro Mendes Outro ponto politicamente relevante aparece na parte final do material. O documento reúne referências a reportagens relacionadas às investigações do Caso Banco Master e aos consignados em Mato Grosso, incluindo publicações que fazem referência a investigação envolvendo o ex-governador Mauro Mendes e o credenciamento do Credcesta, além de possíveis conexões com o Banco Master. Isso, porém, não significa que o documento atribua responsabilidade ou culpa a Mauro Mendes ou a qualquer outra pessoa citada. O próprio material ressalta que os senadores não apresentam conclusão antecipada sobre responsabilidades individuais. O pedido é para que eventuais conexões financeiras, empresariais ou operacionais sejam investigadas pelas autoridades caso existam elementos que justifiquem a apuração. Não é pedido de condenação Esse é um ponto fundamental para compreender o caso. Os senadores não estão pedindo ao STF que considere alguém culpado. O que solicitaram foi uma análise para verificar se existem elementos que justifiquem aprofundar as investigações. O próprio documento afirma que a apuração deve respeitar as competências da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e a autonomia dos órgãos responsáveis. Portanto, o que existe neste momento é um pedido de investigação e esclarecimento — não uma condenação. Agora a pergunta é: até onde essa cadeia pode chegar? O caso ganha peso porque envolve três pontos extremamente sensíveis: salário de servidores públicos, operações financeiras e uma possível conexão com uma investigação que já tramita no Supremo Tribunal Federal. Se não houver irregularidades, isso deverá ser demonstrado pelas investigações. Mas, se forem encontradas ilegalidades, o pedido dos senadores é para que a apuração não pare nos intermediários e consiga identificar todos os responsáveis e eventuais beneficiários das operações. Como afirmam Wellington Fagundes, Jayme Campos e Carlos Fávaro no documento: “A investigação, evidentemente, haverá de seguir o caminho da prova, jamais o caminho da conveniência política.” Agora caberá às instituições competentes avaliar se existem elementos suficientes para aprofundar essa investigação e responder à principal questão levantada pelo documento: o que realmente aconteceu com os consignados dos servidores de Mato Grosso e para onde foi o dinheiro?
Wellington rebate Pivetta e chama governador de “falastrão” durante entrevista
Candidato ao Governo de Mato Grosso afirma que adversário faz acusações sem apresentar provas e diz que pretende manter campanha baseada no respeito aos concorrentes O senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso, reagiu nesta segunda-feira (17) às declarações do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sobre supostas negociações envolvendo emendas parlamentares. Durante entrevista ao programa A Notícia de Frente, da TV Vila Real, o senador afirmou que o adversário costuma fazer acusações sem apresentar provas e o classificou como “falastrão”. A declaração ocorreu após Pivetta questionar, na semana passada, a atuação de Wellington na destinação de emendas parlamentares. Segundo o governador, o senador teria construído parte de sua trajetória política por meio da negociação de emendas e deveria explicar a aplicação de mais de R$ 1,5 bilhão destinados ao longo dos últimos 12 anos. Wellington contestou as afirmações e transferiu o foco para integrantes do grupo político ligado ao atual governo. O senador citou investigações da Polícia Federal e decisões judiciais envolvendo ex-integrantes da administração estadual para rebater as críticas. “Deixa de ser falastrão. Esse senhor é acostumado a fazer acusações e depois corre. Nada melhor do que a Justiça. Quem está fugindo da Justiça são eles. A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal estão aí mostrando isso”, afirmou. Durante a entrevista, Wellington também criticou a forma como Pivetta vem se posicionando diante dos demais nomes que disputam o Governo de Mato Grosso. O senador afirmou que pretende manter uma postura de respeito durante a campanha e diferenciou a figura de um concorrente eleitoral daquela de um adversário que, segundo ele, utiliza ataques pessoais. “Eu respeito todos os candidatos. Todo cidadão que se dispõe a disputar uma eleição merece respeito. Vou tratar todos com respeito. Agora, é bom separar o que é um concorrente e o que é um adversário falastrão”, declarou. A troca de acusações ocorre em meio à movimentação dos pré-candidatos ao Palácio Paiaguás e deve ampliar o confronto político entre os principais nomes que se preparam para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.